quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Cão Sem Dono



A mãe Márcia

Marcela estava triste
Com sua mãe, Márcia
Seu pai Pedro foi comprar cigarros
E jamais voltou
Marcela saiu pra se divertir
Encontrou com Fábio
Seu beijo acendeu uma estrela no Céu
Ou foi a bituca do amado?
Ninguém sabe
Nem Marcela, que dele ficou com o cheiro
Nas roupas ainda novas
Dadas pelo pai
Márcia ligou para Marcela, já não era mais sua filha
Primeira vez sentiu isto
Márcia sentiu sua filha no mundo
Só que não quis chorar
Já não tinha mais lágrimas, todas foram com Pedro
Comprar cigarros.
Estava feliz, talvez ela também pudesse
Um Fábio encontrar
Talvez até um Júnior


Vaga na Lua

Vou caçar uma vaga na Lua, por você
Uma órbita completa e metade dela
Sobre Júpiter

Lá estarei eu, esperando
Te olhando e cuidando
Se sobre as estrelas do Firmamento
Eu fiz a minha barraca
Nas minhas explorações do Universo
Aonde está o meu céu?

Já não sei mais, algumas coisas confusas acontecem
Outras profundas nos levam pra lá
E pra cá
O tempo parece comprimido
E no espaço de meses
Pareço viajar anos
Já não sei mais, talvez seja ao contrário
Ou já esteja feito

Nem mesmo a Lua permanece parada
No Firmamento
E em sua órbita ela orbita
Eu, estou lá
Olhando algumas coisas
Aquecido
Buscando uma pequena vaga naquela cratera lunar
Astronauta d'eu mesmo

Nossa viagem só termina quando
Terminar,
E, se você não encontrar uma Lua
Talvez, encontre alguém
O Universo é enorme e existem muitas Estrelas
Astronautas lhes conhecem, Astrônomos as descobrem
E algumas, só algumas, dado a finitude
De nossas vidas, comparadas a elas
Pode-se tropeçar em uma
E da vaga na Lua, vê-las brilhar
Em você.


Palavra e a Arte inútil

Escrever é um ato inútil, para tal
Talvez o escritor seja valorizado demais.
Escrever tem tons de doença, cada frase, cada palavra
Se encaixa como uma ordem
Não é pintura, não é arquitetura, muito menos
A beleza de um bom prato de comida, ou perfume
Não é a paisagem que eu vejo todas as manhãs
Que acordo com alguém estímulo
Não é a chuva que lembro dos dias funestos
Não, não é. Escrever nunca é algo, sempre fora.
Você fala do passado, terminado o processo


É a arte em término em si
Codificada numa língua, numa palavra
Jamais um pássaro voa duas vezes pelo mesmo caminho
Jamais uma frase uma vez dita
Volta a nossa boca
Seu peso cai sobre os ouvidos e você percebe
Que cometeu o erro da Verdade
Não admitimos a força da Palavra
Pois, não sabemos a Arte de compreender o outro


Numa conversa, num abraço, a força de um texto
Interajo com o mundo
Pois, nele estou
E na Geografia das palavras não ditas, esquecidas
E escritas
No frio do inverno, no calor do verão
A doença da escrita permanece
Fiel companheira
Jamais retornando pelo que jamais será não-dito.
Adeus mundo, minha palavra já está em você
Cuide bem dela,
Pois ela foi a minha melhor coisa naquele instante
Ou, pelo menos, a única.

Adentro na Vila

Adentrei na vila, após descer do ônibus
Teu cheiro ainda estava no meu caso, jasmim com morango
silvestres como fogo, melancolia trazia o meu peito
Ouvi então os corais pelas casas,
Vi um grupo de jovens vileiros, conversando sobre suas batalhas
Eu já era um derrotado, segui pela rua noturna
Vi dois seresteiros, desafinando canções antigas
E a noite estava quente
Mas, a brisa trazia consigo a paz
Antes da tempestade que ficou meu coração
Quando você não estava mais nele
Apenas eu me vi ali
Comigo.
E de todas as cartas que, aquele poeta suburbano poderia
me mandar
A última foi a mais impaciente
A mais sem imaginação
Eu estava sozinho, mas quando olhei minha armadura
Numa rachadura, dela nascia uma tulipa azul
Que jamais havia visto na temporada
Dos poetas mortos, caçados da adolescência
pelos corações da Vida Adulta

Adentrei na vila naquela terça-feira, ferido pelas minhas escolhas
Governado pela derrota de teus olhos, o problema era:
Os olhos eram meus em um espelho
Jamais foram de ninguém


terça-feira, 19 de setembro de 2017

Cada lágrima que se derrama é uma parte dum oceano de lembranças que preenchem nossa vida.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Homem Fragmentado

Em um limiar aonde a Esperança
se encontra apenas a Misantropia.

O machado que corta a si mesmo
E dois, em vários
Eu sou um como o Homem Fragmentado.