quarta-feira, 18 de julho de 2018

Sábado de luz opaca cor de nada nata

Um leão enjaulado por si
Agora, fraco e pálido em algo que nunca foi
Enforcar-se na corrente em sua pata, má ideia seria?
Menor vergonha de si para quem importa
Maior paz por achar destino rápido
Olhos de uma profundidade anímica


Vejo um leão em si, enjaulando-se num circo

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"A experiência que tenho mais próxima do articulável através de palavras com a música é a da sintonia. Não compreendo muitas línguas em seu sentido e significado estrito, mas, sinto que existe, através da música, sua sinestesia ou capacidade cinematizar os sons, uma ligação, uma sintonia. A partir do momento em que se domina várias línguas, sinto que esta capacidade vai diminuindo ou se estreitando, parece ir direto à instrumental, eletrônica ou concreta. O homem comum parece ter mais sintonia com o som que o douto, talvez."
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"Uma pessoa que entrou em guerra consigo, com sua própria mente. A batalha que não termina com a consciência de si"

sábado, 7 de julho de 2018

Segunda Dor nas Costas d Nervoso

A poesia está no silêncio
Do olhar perdido de um horizonte
Aflito, apaixonado ou
Na ironia de cada dia
Em seus braços nos levando
A vida
E cada esquina que passo
Cada cheiro, toque que tenho
Estou lá
Na minha presença de si
Consciente em algum nível
De minha estrofe interna
Meu verso amarrado, atado ao peito
Minha âncora fixa entre a palavra não dizível
E toda a estrada entre eu e você
Que me lê
Pequeno leitor, de um mínimo escritor


A poesia está no silêncio do grito
Sufocado do silogismo, lógica épica
Canção de março, água de abril
Frio do inverno, amor de verão
No seu abraço, ah, naquele mesmo
Na memória, na lembrança
Que é calada
Mas, que guarda
O mundo inteiro


A minha presença, agora velho
Enrugado e sereno
Entre as rabugices, entre as fúrias juvenis
Vai apagando uma ou outra coisa
Vai deixando
A memória, eu
Minha presença vai ficando quieta
Me torno poesia
Me tornarei estrofe dos outros
Alguns me amando, outros me odiando
Mas, eu, enquanto a um velho cão neste mundo
Abarco ele inteiro
Observando-o, de revesgueio, canto de olho
Silêncio
Da poesia
À memória
À história
E filosofias

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Cada homem vive em contar sua história. Se não pode resgatá-la, se você simplesmente a odeia, se coloca-a sobre a esfinge de sistemas ou condições simplesmente materiais, alheias a você e sua responsabilidade, já não está mais neste mundo, mas, apenas grita e chora nele, em um amor pelo desespero. Busca matar deuses, pois você em si já não reconheceria nada ou nenhum deles, sua história é meramente um dado, uma estatística, um verbete de enciclopédia ou alguém que poderia ser lembrando apenas num momento sem emoção, ao lermos algum obituário antigo.
-Morreu hoje, fulano de tal, uma boa pessoa
Não tente mudar o mundo, não é necessário ou possível e apenas te representa o ego que alguma ideia lhe pôs e você acredita que elas estão fora de sua cabeça, na fala dos outros. Busque contar sua história e ser uma pessoa que tenha medos, arrependimentos, algum carinho e virtudes que possa guardar em seu tesouro.
Pois, talvez o que se chama espírito apenas seja a arca que abarca meu mundo. Indizível, mas, que conto, ponto a ponto, nas minhas histórias

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quarta-feira, 13 de junho de 2018

Romântico vazado



Ato de destruir leva pouco tempo,
Termina com obra longa
Confiança, um castelo, um Império
Tudo cai rápido, mesmo que demorado
Mas, a memória, algo fica
Permanece, algum sorriso
perdido no canto do rosto
Alguém olhando perdido um espaço
Um lugar qualquer, cheio daquele
significado perdido, permanente de sentido
Esquecer não é destruir
É calar


Descanso, depois da vida
Terá caos, naquilo que já vivo?
Amar é perder-se
Ou descansar eternamente?

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No toque de suas mãos, completo
Meu olhar no seu
Inteiro, descubro cada mistério
Escondido no seu corpo
Contido em sua história
Meu pedacinho brilhante de memória
Meu momento crescido de fascinação


Mas, estava apenas ali
Na sombra ausente do passante
Naquela rua chuvosa
Naquele aceno em algum ameno
Aperto do peito
Saudade, saúde, momento

Cima, embaixo
Descubro na aventura de dois
Sendo um, eu mesmo
Algum caminho feito a pares de passos
Na poeira da cidade perdida
Na trilha da montanha
Naquele pôr dos mil sóis
Entre dois olhos
Completos
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Em algum canto de lá
Uma moça sentada, perdeu os olhos
Nos meus
Sai da sala, ela não mais lá
Estava
Estando num ponto qualquer
Algum canto de cá
Quentinho no peito
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Solto
Num vôo cadente
Entre os lábios, sou palavra
Poema contente
Ou tragédia latente
Ruído em ironia
Ou grito da epopéia
Romance de alguém, pira incendiada
Prometeu que leva a luz sagrada
De algum versinho galante
Pra você, pra mim
Perdido entre alguma flor
Sol adormecido numa lua acordada


Palavrinhas em verso
Rimas de sorriso de canto dos olhos
Valorize o que te guarda, não o que te usa
Abraça o que fala com você
Não o que fala de si por você
E em uma ou duas palavrinhas
Um amigo agradece cruzar seu caminho

terça-feira, 5 de junho de 2018

Terça de 26 um terço

Não lute com o seu passado, ele sempre vence. Tente conversar, o quanto a aguentar o seu espírito

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Tristeza
De ser quem tu és, de estar onde não está
De nada ver em seus anos que
Punhados de areia perdidos
Entre atos e omissões
Nada a mais
Tudo a menos
Contudo algo, entre símbolos e poemas loucos
Reside, resiste
Neste corpo de vinte e tantos
Tão poucos, tão tantos
Anos.
Parabéns, poeta perdido em seu tempo.

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Alguns lutam e ficam nas sombras, para outros brilharem

sábado, 2 de junho de 2018

Sábado Personalidade/Memória

Personalidade/Memória
Eu sei que sou pelo que fui
Eu sei que sou pelo que fui fazendo
E sei o incompleto do que fiz
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Sopro
Em meus passos, atrás das orelhas
Passando pelo correr de sangue do pescoço
Sopra
Da memória, me escapa
Aquele dia de sol ardente
Mas, brisa fria
Correndo, soprando
Alma de meu caminho
Estrada de minha história
Sopro
Agora fraco, agora frágil
Entre os braços escapo
Alguma lágrima de algum outro lugar
Algum em outro algo
Alguma outra brisa fria, num sol ardido
Alma do meu perrene e agora
Pouco ar
Pouca alma
Mas, movimento
Entre minhas idéias, um alento
Entre os ares das páginas de livros
Um caminho
No meu auto-amor, um robô
Movido por sopro
Ora suspiro, ora palavra, ora afeto


Hora que a alma vai, com sopro
De uma beijo
Dá as memórias
Da melancolia à melhora
Ainda sopro
Ainda respiro
Entre os braços

"O Real me dá asma", disse Cioran

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Às novelas
Dos ventos da noite
Que adormecem meus pés
Mancham meus dedos
Nesta sujeira do inverno
Nesta neve suja, que enerva
Entre pensamentos, atos e omissões


Tormento de um resfriado
Grito de algum vizinho
Latidos de cães para os gatos
Eu, sou aquele felino
Observando tudo, correndo por aí
Na noite
No véu da noite
Te respiro, doença que é
Esta vida, as vezes
Outras, umas tantas
Pequenina aventura diária
De um gato preto feiticeiro
Caminhando entre as colinas de concreto de uma cidade
Qualquer
Poesia barata
Guardada no bolso, olhando
Entre os rostos perdidos do desterro
Algum futuro barato, vendido por aí
Algum latido embusteiro
Algum aperto no peito

Doença no inverno, sujeira do tempo
Correndo entre o relógio
Como as patas do gato preto


sexta-feira, 25 de maio de 2018

Sexta não sinto nada

Entre o frio dos dedos
Secos decompondo neste ar
Gelado, certo e ríspido
Caminhante dentro de alguma noite
Rotineira, canseira
Já estou naquele frio
Falta-me empatia
Falta-me você, que vejo no espelho refletido?
A existência não me escapa
Me fogem os outros
E já a moral deste desinteresse se perdeu
Dentro de algum ar gélido
Algum sorriso sem mérito
Ou apenas um caminhante de pouca glória
Ando com o caído e o carrego
Só que sou também em queda
Reajuntando pedaços
Serei de caridade no Inverno?
Carregarei nos verões? Lembrarei das feridas?
Talvez a melhor humanidade esteja em nós
Olha a tua cicatriz de ontem
Viva por aquilo de si
Repire o gelado, sustente
Force o último círculo infernal até que ele,
Estourando
Traga te ao reflexo de si no outro
Desinteresse daquilo que te mandam
Foque naquilo ou procura eternamente
Aquilo que és

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Pedra que corta o mar. Onda que passa. 
De mundo inteiro, de pensamento total. 
Consciência de erros e omissões.
 Confessando, quieto. 
Ao espírito que me escuta d'alma. 
Corta o mar do mundo a gente. 
A gente fica pedra, fragmento.

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Deixa as notificações no canto
Pra fingir movimento na vida
Segue gente aleatória
Pra viver a vida deles
Nas pinturas, enganosas dos fatos
Ouve mentiras pra sua alma
Mas, sorri, mera polidez
Se esconde na tolerância
Quando nunca a entendeu:
que outros também
Deveriam tolerar-te
Bem-vindo a modernidade
De aparências, estilos e opiniões
Aventuras mortas, enlatadas pra se comprar
Seja com dinheiro, seja com amigos
Que confia por conveniência
Quem confia por conveniência
Todos dando importância às neuroses
Todos caminhantes na maré dos fatos
Poucas almas, poucas histórias
Mortas, sem likes
Passadas sob algum trator da história
Miradas como meu espírito desnudo
Nas palavras
Vociferando aos coelhos e gatos
Algum Franscisco imbecil coletivo
Fingindo que vive sendo especial
Olhando nos cantos algum sinal
De notificação de celular


Suas definições de vírus atualizadas
A alma humana computadorizada

sábado, 12 de maio de 2018

sábado sexta

Olhar pro lado e sentir que nada tem
Não tenho amigos que já não incomodei
Ou luzes que apago com minha sombra
Reduzo-me ao silêncio
Não quero incomodar
Mas, meu grito sai por palavras
Abafado, quieto
Ninguém se importaria
Em dois anos apenas lembrariam
Aonde aconteceu a despedida
Não, apenas uma lembrança
De um homem-máquina sem motor
Vendo-se como sucata
Atrapalhando vocês
Com sua estranheza
Palavras e modos
Desculpe, mais uma vez

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Existo por apenas duas horas em cinco dias da semana. Na hora da aula ou explicar. De resto, sou uma parede quando não se olha.

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"A coisa que te guarda
Que cria abismo na real
É a distância da tua boca da minha
Afetando, num inferno astral
Todo o contínuo espaço-tempo de nós juntos"

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Entre o vento e uma boa coxinha
Existem mais mistérios que nos múltiplos
Cálculos estelares
De meus cálculos renais
Seguindo compassos
De dança cósmica
Entre um sorriso amarelo
Em crise depressiva
Ou um abraço
Que já nem sei mais perdido
Ou festivo
Ou mesmo, faustivo
Contratando socialmente com o Diabo
De um afago a uma indiferença
Entre o vento
E uma boa coxinha
Existe um mar de picuinhas e gracinhas
Numa aula perdida
Nos arredores de Curitiba