domingo, 22 de outubro de 2017

Atenção

Algumas coisas precisam e merecem atenção
Algumas pessoas merecem-a
Atender-se a elas
Pois, o mundo é muito cheio de vidas
Sonhos e desejos
Assim como ódios, abraços e beijos
Porém, o espírito que está aqui preso
Neste corpo
Nada mais possui que algumas horas
Pra despender
Dando atenção
Horas acumuladas em dias
Meses acumulados em anos
Anos acumulados em rugas, dores nas costas
Arrependimentos e lembradas
Esquecida
A atenção
Fazei-a as vezes para ter de volta
Moeda de troca débil, nunca vejo recompensa
Fazei-a com a interesses
Apenas é usado
Faça, porém faça
A atenção que você despende e vale a pena
Para aqueles que valem a pena
Mesmo que não amem de volta
Não falem de volta
Não te vejam nunca mais, aquela senhorinha
Que ajudei no ônibus
A atenção que você despende
Frutifica o teu tempo, você dá atenção
A si
Mesmo.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017



Poesia é a minha doença mental.
Encontre a sua pra culpar
Se não lhe interessa, não olhe
Se não lhe agrada o ritmo, não escute
Se te cansa, não exista


Tolero minha presença por questão prática
Pratico poemas por receita médica
D'eu mesmo enquanto Doutor
Não é cult, erudito ou escritor
É fuga, sinfonia do silêncio, exprimir no trecho
O que você sente na vida
É parafrasear o infinito
Na minha vida parca e perdida
Poesia é um ato de resistência
Minha amiga se chama Melancolia
Se seus sonhos são felizes
Agradeça a e eles e agradecerei a minha

Pois, a doença ainda é minha
Única amiga

O cheiro do cabelo

Seu cheiro d'cabelo,
Relva fresca do campo
Juventude me lembra
Ermitão
Hermeticamente fechado batalho,
Oh, Dulcinéa perdida,
Sonho em te ver Diana assumida
Mas, hermeneuta
Selado em Atena, oh Atena!
Todas as deusas estão mortas

E o solitário em sua caverna
E a solidão do quarto cheio de apenas
Poemas
Mito de sombras
Existo buscando luminária, nego-lhe
Nego-me em espaço
Ser necessário

Do quarto ao claustro,
Conto ocasional abraço
Perdido nesta Guerra
De sombras, sonhos e Faustos


Apunhado

Lembrei d'um tempo em que
As coisas eram mais simples


Em que você me como
Futuro e não apenas
Um punhado de Passados


Lembro de tempos de atos comuns
Um olhar na cama, um café na janela
Um dia cansado, um agrado perdido
Diamantes que agora
São meus amigos
Pérolas destas lembranças,
dadas aos porcos


Te olho agora no espelho
Reflito no reflexo
É só luz, toda, tudo
Toda a imagem é só um punhado
de luminosos espectros


Vidro olhar na imagem
Ela me diz apenas do passar
Ela me olha como seu futuro
seu guia, professor
Pérolas aos porcos, perdão
outra ilusão, perdoar
Ato do outro, ali no espelho


Lembro de outra época
Quando refletido ali
Alguém estava
Agora no Presente
Punhado.

domingo, 15 de outubro de 2017

Manifesto do Homem-Fragmentado



Verdade Essencial

Busque você a sua Verdade Essencial, já encontrei ela na forma de jovens e impetuosas estrelas, na forma de bruxas da floresta telúricas, na forma de mestres das altas montanhas, de calculistas amáveis e viajantes conquistadores de novas brisas. Eu mesmo estou a forjar a minha, ao que parece, a trilha da batalha de nós contra nós mesmos é a mais sofrida, a mais difícil e aparenta acharmos poucos que compartilham das aparências que temos para nós mesmos nesta forja do auto-conhecer.

Eu sou eu mesmo enquanto fragmento, entre Lobos Solitários, Doutores de série de tv, Supernovas, Sábios e Burros. Várias formas e jeitos, máscaras e atuações me são possíveis porque a mim é revelada esta Verdade, e aqui eu a trilho como Caminho que se faz na Jornada de viver. Sua dupla natureza é tanto cinética, mover-se, andar, aí está o Caminho que eu faço, quanto da Jornada em si, misteriosa, cheia de consequências e impropérios, porém, ainda aqui, permaneço me sustentando mais pela curiosidade do que amor próprio.

Eu sou eu enquanto Homem-Fragmentado, cada peça, atuação, cenário e dia vão se montando e me revelando várias coisas. Sou conta o Superhomem, sou contra a Graça Pia e O Homem Bom por Natureza, somos em conjunto maus e mesquinhos, Patolinos querendo ser Pernalongas, neste Faroeste da Urbanidade, vemos os outros em Bons, Maus e Feios, entre a Ética, Moral e Estética.



Este é o Manifesto do Homem-Fragmentado e fragmentando-se, busque você, filosofi-se, qual é tua Essência, homem, mulher, humano? Finda-se em Aparência?

Guerreiros Galáticos

Eu nunca vejo esta luz
Que tanto falam, que eu tive uma vez

Uma Armadura de Soldado, dos Guerreiros Galáticos
Contém um segredo, seu ponto de vida ou não
É uma pequena lamparina
Pequena fagulha acesa
Eu nunca vi a minha
Apenas vi da Elfa Felícia, da Tenente Lupina
Do Sábio dos Mil Jogos, da Irmã Perdida
E mesmo lá, agora descansando, do Coruja Insone e do Seu João
Me dizem que eu a tinha
Pequena luzinha
No espelho eu só via oceano
Soturno, profundo
Apenas isto
Jamais mais

Apenas via, não verei mais.
A última Guerra Sideral desta última lágrima jamais
Tida, em qualquer que fosse a partida
Aqui não existe lâmpada, não existe luz
Nenhuma
Assim que este Guerreiro caça pelas Galáxias
Em sua alva armadura, nada existe além
Da Luz Negra de suas próprias falácias
Memórias daqueles que tombaram
Vilão por vilão, monstro por monstro
Império por Império, dentro ou fora de sua cabeça
E da total Fraqueza de Espírito

Voa o Serafim Vico, em direção ao fogo
Na batalha contra si, já perdida.


Relato de viagem 2001

Amarilis teve sua fronte iluminada
Pela Estrela de Éden
A Constelação jamais tocada, rodeada por nebulosas furiosas
Ali estava ela, solitária
Em sua espaçonave
Ali, a Fronteira do Homem se tocava
Com os Portões de Deus

Ela tocou os últimos ajustes nos painéis
E preparou para a abordagem
Era uma data incerta de tempos remotos
Eram corações que jamais bateriam novamente
Trilhões e quadrilhões de antepassados
Tocando aquela luz
Prometeu havia finalmente chegado
E estava para libertar o espírito dos humanos

A Estrela pulsava, Amarilis sabia
Que já estava em silêncio o Universo
A Terra abusada, em alguma direção
O Horizonte vívido de verde e anis das luzes maquinárias
Preparou-se
Começou
Cada pulso do Éden era sugado
Cada pequena explosão daquela tempestade
Tornava-se fonte alimentada
Amaralis comandava
A Matadora de Estreladas
A Alimentadora do Reino dos Homens
A Salvação da Humanidade
Pois, estávamos frios naquele ponto
E a capitã era a única coordenada
...
Já não pulsava mais nada ali
Desenganada, disse
-O que haverá agora?
O Éden não foi suficiente
E nem mil delas seriam
O pó era pó
E jamais deixaria de sê-lo
Mesmo tomando a forma das estrelas
Mesmo engolindo planetas
E mesmo em aventuras insólitas por tempos insólitos
Tu és pó
Somos pó
E dele nada se constrói, apenas se espalha
No próximo vento.