domingo, 15 de outubro de 2017

Manifesto do Homem-Fragmentado



Verdade Essencial

Busque você a sua Verdade Essencial, já encontrei ela na forma de jovens e impetuosas estrelas, na forma de bruxas da floresta telúricas, na forma de mestres das altas montanhas, de calculistas amáveis e viajantes conquistadores de novas brisas. Eu mesmo estou a forjar a minha, ao que parece, a trilha da batalha de nós contra nós mesmos é a mais sofrida, a mais difícil e aparenta acharmos poucos que compartilham das aparências que temos para nós mesmos nesta forja do auto-conhecer.

Eu sou eu mesmo enquanto fragmento, entre Lobos Solitários, Doutores de série de tv, Supernovas, Sábios e Burros. Várias formas e jeitos, máscaras e atuações me são possíveis porque a mim é revelada esta Verdade, e aqui eu a trilho como Caminho que se faz na Jornada de viver. Sua dupla natureza é tanto cinética, mover-se, andar, aí está o Caminho que eu faço, quanto da Jornada em si, misteriosa, cheia de consequências e impropérios, porém, ainda aqui, permaneço me sustentando mais pela curiosidade do que amor próprio.

Eu sou eu enquanto Homem-Fragmentado, cada peça, atuação, cenário e dia vão se montando e me revelando várias coisas. Sou conta o Superhomem, sou contra a Graça Pia e O Homem Bom por Natureza, somos em conjunto maus e mesquinhos, Patolinos querendo ser Pernalongas, neste Faroeste da Urbanidade, vemos os outros em Bons, Maus e Feios, entre a Ética, Moral e Estética.



Este é o Manifesto do Homem-Fragmentado e fragmentando-se, busque você, filosofi-se, qual é tua Essência, homem, mulher, humano? Finda-se em Aparência?

Guerreiros Galáticos

Eu nunca vejo esta luz
Que tanto falam, que eu tive uma vez

Uma Armadura de Soldado, dos Guerreiros Galáticos
Contém um segredo, seu ponto de vida ou não
É uma pequena lamparina
Pequena fagulha acesa
Eu nunca vi a minha
Apenas vi da Elfa Felícia, da Tenente Lupina
Do Sábio dos Mil Jogos, da Irmã Perdida
E mesmo lá, agora descansando, do Coruja Insone e do Seu João
Me dizem que eu a tinha
Pequena luzinha
No espelho eu só via oceano
Soturno, profundo
Apenas isto
Jamais mais

Apenas via, não verei mais.
A última Guerra Sideral desta última lágrima jamais
Tida, em qualquer que fosse a partida
Aqui não existe lâmpada, não existe luz
Nenhuma
Assim que este Guerreiro caça pelas Galáxias
Em sua alva armadura, nada existe além
Da Luz Negra de suas próprias falácias
Memórias daqueles que tombaram
Vilão por vilão, monstro por monstro
Império por Império, dentro ou fora de sua cabeça
E da total Fraqueza de Espírito

Voa o Serafim Vico, em direção ao fogo
Na batalha contra si, já perdida.


Relato de viagem 2001

Amarilis teve sua fronte iluminada
Pela Estrela de Éden
A Constelação jamais tocada, rodeada por nebulosas furiosas
Ali estava ela, solitária
Em sua espaçonave
Ali, a Fronteira do Homem se tocava
Com os Portões de Deus

Ela tocou os últimos ajustes nos painéis
E preparou para a abordagem
Era uma data incerta de tempos remotos
Eram corações que jamais bateriam novamente
Trilhões e quadrilhões de antepassados
Tocando aquela luz
Prometeu havia finalmente chegado
E estava para libertar o espírito dos humanos

A Estrela pulsava, Amarilis sabia
Que já estava em silêncio o Universo
A Terra abusada, em alguma direção
O Horizonte vívido de verde e anis das luzes maquinárias
Preparou-se
Começou
Cada pulso do Éden era sugado
Cada pequena explosão daquela tempestade
Tornava-se fonte alimentada
Amaralis comandava
A Matadora de Estreladas
A Alimentadora do Reino dos Homens
A Salvação da Humanidade
Pois, estávamos frios naquele ponto
E a capitã era a única coordenada
...
Já não pulsava mais nada ali
Desenganada, disse
-O que haverá agora?
O Éden não foi suficiente
E nem mil delas seriam
O pó era pó
E jamais deixaria de sê-lo
Mesmo tomando a forma das estrelas
Mesmo engolindo planetas
E mesmo em aventuras insólitas por tempos insólitos
Tu és pó
Somos pó
E dele nada se constrói, apenas se espalha
No próximo vento.


El Bravo

O Bravo entrou naquela sala, nele já não havia mais nada
Apenas a vontade de luta armada
Jamais pensada, cogito logo existo
Precisava existir ao menos numa última noite
Mesmo que fosse naquela data
Após aquela bela tarde de jovens brilhantes e cinéfilas saltitantes
Suas garras tocavam as coisas, delas ficava o breu.
O Bravo já não era o mesmo, nem aos seus
Escondido entre versos e poemas podres
Sua lâmina espada tinha endereço fixo, o próprio
Peito
Não a outro, mas, ao próprio Bravo tinha-se desfeito

Desfaço em fita e laços que jamais tive, ou terei
Não confio mais em mim, quem dirá nos outros,
Quem dirá na própria lâmina
Disse o homem ao chegar na boca da caverna
Ao pé da montanha
Havia uma quimera lá, disse um aldeão vizinho
Entrou de pé-a-pé, quietinho
Noite fria do Sul, chuva fininha do Leste
O sol não nascera, apenas uma luz vermelha
Adentrando o Bravo olhou
Caixa de tesouro de um lado
Uma foto de uma bela dama n'outro
A poção da sempre-vida num canto
Aonde estava a criatura, questionava o Bravo?

A criatura era eu.
Quimera, fragmentado
Com o jornal lido embaixo do braço, xícara de café
A metade
Nenhuma visão do futuro que não fosse
A próxima meia hora perdida do relógio
Sua vida era desprezível, punível
Por não aproveitada
Mas, o Bravo ainda me olhava, com a lâmina guardada
Escondida
Nela havia meu nome
E eu escrevi o nome dela

Não podia fugir agora
Era escritor perseguido pelo texto
Pela memória ingrata
Das palavras que mesmo escritas
Perseguem
Matam
Acolhem no abraço
Sinfonia das palavras
Fúnebre dos combates jamais vencidos
Pois, jamais foram lutados

Era escritor rugido de seu próprio poema
Queria ser Bravo
Só fui Quimera.




Apenas na tristeza da asa da borboleta imaginada
Que o voo é doce no sofrer de cada
Alvorada sobrevivida.

sábado, 14 de outubro de 2017

Abismo

Se está na beira dum abismo, pula ou não pular
Ato ou infinitivo, como este pensamento, nestes dias de sombra

Me escondi entre nós mesmos
Mostro cada vez mais, minha face monstruosa a
Quem amo.
Mas, ela é, parece, a única amiga que tenho
Aquele rosto que já não mais se reconhece em nada, não pensa mais em nada
Pro futuro
És o mais perigoso.
O navio partiu e há muito pouco o que se ver
Além do mar aberto
Do oceano profundo
Das lágrimas que estão lá, perdidas no meio dele
Menos salgadas por que sei que outros sofrem?

Já não sei mais, é
A beira do abismo que fascina
O voo de Ícaro, protegido em seu salto por uma corda
Amarada no pescoço.

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Blade Runner 2049



O que é um androide?

Para além das divisões técnicas do mundo nerd, penso que é aquela máquina que busca emular nós, humanos, em seu agir, seu ser. E nesta viagem pela continuação do filme dos anos 1980, mesmo que eu a tenha assistido dublada, me levou entre a busca de entender o que nós mesmos, ainda humanos, temos de máquina; é na Distopia de 2049 com sua duração longa, música imersiva (para um amante de Retro Wave como eu, um presente), e respeito pela "lentidão" do primeiro longa que somos levados a buscar naqueles personagens robóticos que nos parecem mais humanos e humanos, que já não nos parecem mais que máquinas - seria uma espécia substituindo a outra? O homem-máquina que aprende o que é ser homem?

Volto a pergunta inicial, o que são estas máquinas de força e resistências ímpares, que são capazes de amar (minha completa paixão pela Ana de Armas neste filme) e Ryan Gosling, que emula um Blade Runner poderoso - o final, que eu ficara em dúvida todo o filme, demonstra uma expertise que parece que o primeiro não possui, algo que quem ver a película entenderá. Além de vilões propriamente feitos e um fantástico cenário expandido e com vários pontos que ligam com o primeiro filme.

E ligações aparentes, desde "voltar pra casa", até o herói na neve, passando pro outras coisas já não ligadas, mas que ligo com outros elementos, como o Olho de Odin dos Replicantes ou o Cavalo de Troia. Tudo isto, de fato, embeleza o filme ao pensarmos sobre ele.

E pensando sobre ele, digo que ainda acertei no dia de vê-lo, pois, foi andando na chuva de Curitiba que sai do cinema, libertado de mim mesmo, quais seremos nós nas gotas que caem do céu? A chuva que cai nos revela vivos, revela o ciclo que mesmo os androides fazem parte, que mesmo nós, também e muitas vezes robóticos, vivemos nossa vida, até que momentos, amores, fúrias, lágrimas (paralelos usados e muito no filme) e mesmo memórias - que nos fazem quem somos - revelem esta vida, esta potência, mesmo no mar da artificialidade.

O que é um androide? Nós mesmos na chuva ou na neve de nós mesmos?