sexta-feira, 21 de julho de 2017

Só com garrafas me fazendo companhia
Já está no fim da festa, desta noite
Comemoram formaturas
Encontram ficantes
Com namorados, namoradas, economizam pra sair com a e o fixo
Amigos, as vezes até parentes
Todos rebolaram suas bundas
Nas luzes de neon que agora estão me fazendo a cabeça arder
É quase sol nascente, logo o ônibus bem
A festa acabou
Só sobra o confete
Ninguém lembrará de nada, talvez eu, porque esta é minha função
Vendo eles se divertirem enquanto a ressaca cresce e estoura quando tiverem de levantar
Pro trabalho
Tudo é muito bucólico
As vezes acho até meio cômico, quando dentro da festa
Olho todos rebolando na balada
As luzes, meus olhos estranham ainda... Nada disto tinha na Grécia
Porém, mesmo rebolado
Pra lá, pra cá
É como o bater do coração
Com a dança dos pés, do corpo, o toque das mãos e dos olhares
No véu da festa
Baco na modernidade não faz muita coisa
Além de rir da ressaca, enxaqueca por causa das luzes
E cobrar a entrada
Alguém perdeu a comenda!!!


The Turtles - Happy Together - 1967

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Bandeira

Bandeira
Faz o ideólogo marchar, faz
Bandeira
Faz o militante confrontar, faz
Bandeira
Faz o general bravejar, faz
Bandeira
Faz o intelectual teorizar, faz
Bandeira
Faz o artista contestar, faz
Bandeira
Faz o jornalista questionar, faz
Bandeira, interessado nela, fui atrás de entrevistá-la
Encontrei apenas um ente que tremula
Silencioso, retumbante em seu movimento
Balangando no vento, das tempestades até as brisas
Tentei tirar duas ou três palavras
Só encontrei o movimento
Só encontrei o movimento da bandeira
No vento
Ela mesmo, arrancada do pedestal, apenas um pedaço de pano
Apenas com xícaras de chá, capas de livros
Forjados sobre fuzis e sangue
Apenas isto, um pedaço de pano no tempo
Bandeira, pus ela novamente no pedestal
Vi o vento suave da tarde movê-la
Ouvi ao fundo eles vindo
Era meu fim, a última tarde de um homem
A bandeira valia uma vida, talvez não
Mas, com certeza ela vale a vida de milhares
Pois, ninguém liga pra números, só ligam pra cabeça e para os reis
Dizer o contrário e fingir não ver a Bandeira
Lá, tremulando, na brisa
Das batalhas que ainda não viu
Bandeira, finge
Ser, faz e finge
Que a bandeira faz


(EEmil Hadaward)

Dorzinha amiga

Aquela dorzinha
Aquela minha amiga de longa data
Hora mora nas costas, quase todo o dia
Se muda até pro peito, naquele suspiro mal dado
Pula sempre para a cabeça, sobre algumas meditações quixotescas
No coração parece que de tempos em tempos
Vive em temporada
Lá ela faz a festa na praia, frango-farofa-cerveja gelada
Quanto mais tempo no computador, pulsos está a dor
Quanto mais tempo nas andanças nas ruas, pés visitas a visita
Aquela dorzinha
Aquela minha amiga
Nunca me abandona, talvez um dia, talvez quando os médicos
Doparem o suficiente
Talvez ela, minha amiga me vendo consternada, pense:
-Este meu amigo, agora vai visitar ele os outros
Então, ela me dá um beijinho no rosto, faísca de envergonhar
-Boa noite, meu doce príncipe
E sai pela rua a dor

(E Emil Hadaward)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Eu sou minha própria tempestade



"Eu sou minha própria tempestade"
Meus raios, minha chuva
A bonança que, quietinha, me faz sorrir naquela tardinha
Tudo isto rodando em uma espiral de fúria e frases jamais ditas
Pois, o silêncio do pensamento é uma benção
Que apenas a nossa voz espanta
Nunca te disse o que deveria dizer - pensa o gringo
Estrangeiro de si mesmo
Estamos todos numa viagem
Ora tempestuosa
Na maioria do tempo, o clima parece este
Temperado com sabores do vento
Jamais aquelas tardinhas parecem tão grandes quanto
O som dos trovões
Daquele beijo vazio, daquele tchau que eu dei
Para uma lembrança antiga
Não, não posso pensar apenas no perdido, ganha-se muito
Perde-se tudo
Na espiral da lembrança
Eu sou minha própria tempestade
E jamais escapo dela
Talvez você não esteja preparado para entrar
Porém, que chance tenho?
Se este visitante estrangeiro
Que sou eu
Só vai embora quando estiver morto?
(EE)
https://www.youtube.com/watch?v=_Y4VE8CJhlg

Ps.: Melhor disco do ano

segunda-feira, 10 de julho de 2017

Livro

"-Você só vai aprender algo se correr atrás dela... Sabe, quando eu era jovem vi um livro num trem uma vez, esquecido. Eu li aquele livro por todo o verão - enquanto estávamos de férias da fábrica - e desde aquele dia nunca mais parei de perseguir o saber
-Qual livro era?
-Na verdade eram dois em um só, no começo era o Príncipe e depois Dom Quixote
-Nossa, isto é realmente interessante... Mas, o por quê de você jamais parar de ler, é um vício?
-Sim, o saber é um vício e um perigo, estamos sempre no limite de sempre querermos ser o Príncipe, com plenos poderes e aceito, e o Quixote, excluído por existir nas aventuras de seu próprio mundo... O combate entre estas duas forças está sempre em nossa comunidade, na nossa sociedade de indivíduos
-Incrível... Realmente incrível... Mas, você acha que existe alguma saída?
-... Bem...
Neste momento, aquele senhor que eu conversava me olhou nos olhos e disse:
-Nunca deixe de escolher
Ele olhava para aquele espelho, saiu e foi pegar o próximo trem para seu turno"
(Emil Hadaward, Eduardo Emilio "Desafinos de uma Noite do Meio-Dia")

quarta-feira, 28 de junho de 2017




Nunca comece a escrever ouvindo Oasis, você não para de escrever versos. Estas porcarias irritantes, doença maledeta da escrita, não cria nada de novo, só ponta de lança que fura coração, o otário escravo da palavra nunca dita, pois esquecida.

Desculpe.

Boa noite n1


As vezes você só consegue escrever
embrigado
Ou seja, é terrível quando se
É abstêmico
Embriaguez é de tédio
Ou é tediosa a embriaguez de escrever
Da escrita

Espada de dois gumes
As palavras cortam o teclado
Como cortam a sua cabeça
Pelo agir e mover dos teus olhos, moça
Moço
Calma na leitura, poesia é curta
Mas, é calma

Só funciona
Com lentidão da memória
E aí ela vem
E corta
Zup
Acabou a ideia
"-Boa noite, vou dormir"
Ela me disse
E fiquei sem ela
Minha poesia
Da palavra nunca dita
Naquela esquina

Fragmento n2

"Você temeu a vida inteira
Olhar dentro do espelho
E te encontrar de novo"

Fragmento n3

"Aquela moça que você conheceu
Numa pequena paisagem noturna
Não representa vida alguma
Apenas a lembrança que vem
Quando olho pela janela do ônibus
Toda vez que vem aquela memória
A dor é aquilo que foge o poeta
Ela engana realmente
É o único ser que vem junto com a vida
Talvez de alegrias
Talvez de algumas poucas carícias
Talvez de muitos ensinamentos não-prestados de atenção
Mas, estou ali
Eu, minha dor, minha memória
Minha vida.
Te tirem tudo, não pode escapar do que é
Não pode fugir da tua sombra assim como de tua história
Gasset disse: eu e minhas circunstância
Digo algo como: aquilo que tu vê
No canto do olho
Do espelho
É você espiando sua própria estória
No futuro
O que conta pra ele?"
(Emil Hadaward)

Fragmento n1

"sou uma coleção de destinos fragmentados
dentro de um fragmento de gente
sem rota definida
calamitando pelas campinas de uma cidade desolada
de milhões de pessoas
nada mais existe dentro daquilo que me fortalece
apenas aquilo que constitui
o ser e o nada
dos caminhos sem mapa
que são a vida do último humano na Face da Terra
da minha Terra
dos garotos perdidos"
(Emil Hadaward)

sábado, 17 de junho de 2017

"Uma vez me perguntaram qual seria uma forma que Inferno que realmente atormentaria, respondi:
-Seria exatamente o mesmo mundo, igual, com a vida, sonhos e fraquezas, porém, ninguém poderia esconder os pensamentos um dos outros. Poderíamos ver dos outros, tudo, absolutamente tudo, assim como nós também seríamos visíveis. Isto, meu caro, seria uma ótima forma de tomento, o Eu exposto é o fim do Eu." (Emil Hadaward)

domingo, 4 de junho de 2017

Você não precisa de um Espelho Negro
Para ver
Sua Mediocridade
É ser
Só ser

Aniversário 2017

Hoje completo 25 anos
Um quarto de século
Uma vida de parábola
Uma volta de Saturno no Sol
Um poema de Camões preso


Hoje completo um quarto de vida
Sem nunca roubar aquele beijo
Sem nunca viver mais de uma vez
Um desejo
Sem dedicar naquilo que já não creio
Sem dar uma volta naquele
Quarteirão desconhecido


Parece-me ruim a ideia disto
?
Das incompletudes de ser
Mas, será que podemos nos completar
Um dia?
Ou a vida seria, misteriosamente,
Realizações de quartos?


Abraços, poemas, beijos. desejos, sistemas, canções, textos, imagens e palavrões]
Na incompletude destas algumas
Vidas in/completas
(25/5/2017)

domingo, 28 de maio de 2017

Terrível

"Em uma reunião com velhos amigos, um destes me perguntou:
-Sabe o que é mais terrível de acontecer a um indivíduo racional?
-Tirar sua família - Respondi.
-Suas posses - Disse Ricardo.
-Seu amor! - Disse outro.
-Sua vida! - Disse Kátia.
-Não, qualquer uma destas coisas não poderia afetar a maioria dos seres pensantes, porém, dê-lhes algo que eles querem, qualquer uma destas coisas, então, de súbito, peça novamente!
-Ora, questionava Ricardo ressabiado, ele pode pedir qualquer coisa, ter qualquer coisa, porque devolveria?
-Ele não precisaria, imagine que não tivesse opção, que esta coisa iria embora de uma maneira ou outra...
-Então, o que seria terrível? - Interrompi
-Agradecer pelo que foi dado e odiar o seu fim, aí está, a balança entre a gratidão e a mortalidade das coisas e prazeres mata o homem, gota a gota, enchendo-lhe das mais terríveis esperanças.
...
Ficamos em silêncio, brindamos um pouco e até rimos."


Trecho do livro: Almoço Grátis
Sobre um cronista social que investiga um assassino de passados em uma sociedade pós-capitalista, autoritária e com mechas.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Lei

A palavra de ordem ganha mais força que a própria "ordem", o grito que a palavra dita. Logo, de tanto gritar alguma coisa silencia, seja pelo ato de não ter mais voz, seja pelo ato da força

terça-feira, 11 de abril de 2017

Encharcado

Estado Mental:
encharcado até os ossos
Vicky estava olhando pra janela pensando
No último pingo de chuva
Que adormecia na terra
A água pingava nos óculos
A lua queimava na garganta
A chuva encharcava o ar
Ou ela encharcava a chuva existindo?
Não sei, preciso de uma toalha
Secador de cabelo
Chá quente
Mas, agora ainda não
Te caiu mais dois pingos d'água
Ela estava chovendo
Encharcado a vida até os ossos

quinta-feira, 23 de março de 2017

Filósofo

O filósofo tentou escapar da sua capa
De invisibilidade social
Não era preciso como o médico
O gari
O advogado
O açougueiro
O filósofo então tentou fazer Universidade
Tentou dar entrevista na Tv
Tentou montar blog e página
Tentou até escrever
O filósofo se cansou quando se deu conta
Que tinha esquecido
Foi pra caverna
Trancou-se lá até se entender
Apenas vendo a sombra dos outros a passar
O filósofo morreu de fome
Mas, agora estava no topo de uma montanha
Observado a humanidade, o humano e o comum
Culturas, amigos e gentes
Bem e mal
O filósofo decidiu voltar a vida
Não era pra falar, era pra ouvir
Então o filósofo saiu da caverna
Caverna que está aí
Foi assim que vi ela
Eu estava aqui, sentando no meu banquinho
De maquiagem
Ela entrou e começou a procurar um batom
Era o mesmo do meu
E eu senti
Que era o mesmo do dela
Não sou muito dessas que chega direto, mas
Quis ser certeira
Tinha de ser
Tinha 20 e poucos anos, sem diploma
Nem carreira
Tinha de buscar pelo menos um amor
Sorte no Jogo, nunca tive, afinal, sempre perdia no bafo
Pros meninos
Tentei
Ela sorriu
Não sei se sem jeito, ou pra me dar o telefone, contato, sei lá
...
A luz acabou na loja
E tudo no breu
Não mais vi ela
Quando acordei, já tinha passado
A oportunidade é algo que só existe quando estamos olhando
Pra ela
São como os sonhos
Se não, eles viram pedra
Mas, será que não é na pedra que devemos
Construir, não na areia?
Não sei, tenho 20 e poucos anos
Nenhum diploma
Nem carreira
Espera, é ela ali na porta?


quarta-feira, 15 de março de 2017

Felícia, minha gata, me perguntou se eu não poderia ser alegre e otimista como todos
-Não posso cortar esta lado, então, escrevo e poemo sobre ele
assim ele se silencia
Ela saiu pela porta com a cauda levantada, mas, antes disto me olhou e disse:
-Os outros usam esta mesma energia para serem felizes, contado suas vidas aos outros
-Talvez eles não queiram saber, talvez queiram apenas fazer algum som sobre a vida
-E porque não se pode apenas cantar nela? Uma linda melodia?
-As vezes uma bela melodia pode ser triste
-Que melancólico, você deveria beber um pouco
-E deixar de falar com você, minha gata?
-Não, ser um pouco mais otimista
-Eu sou otimista, mas, não com minha escrita, ela só vai de mal a pior
-Então, você deveria olhar uma parede e esperar o meteoro chegar
-E você deveria falar mais baixo, não quero que ninguém roube minha gata falante

Olhar parede

o mundo é uma macha vazia de tinta
que tinha
nos lábios da palavra não dita
um último affair de humanidade
eu a perdi, quando fiquei a fitar aquela parede
e gritar
morra cientista
morra escritor
morra poeta (...)
mas, a palavra era silenciosa
e seu sonho estava morto
bem-vindo a vida adulta, eles dizem
leia auto-ajuda, tenha filhos
um emprego e dinheiro
rebele-se contra o mundo numa faculdade, na internet
ou qualquer coisa brega destas
-Hm,
disse a voz na minha cabeça
você sabe que eles estão errados e que você tem a força dentro de si, não?
-Sei, mas, também sei que isto pode ser mentira
-E se for?
-Se for, estarei fazendo minha reclamação nas portas do tempo
-Então, lhe mostrarei o caminho amanhã
dormi, acordei e a voz não me deu o endereço
porém, a parede estava lá
e os sonhos perdidos não param de te perseguir
se não tem mais pernas
deixe eles apenas lá, quietos, que se calam
mas, a parede vai permanecer lá
(EE)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Eu não tenho nada, tenho por ventura minha desilusão
Agarro
Não há mais nada, nela não há nada. Ela é algo que é vazio
Desiludido com ninguém
A não ser eu
Mas, nem o eu existe mais aqui
Apenas há desilusão
Apenas o vazio insosso de viver
Como máquina biológica
Cheia de fungos e bactérias, consumos, desejos e inspirando
Ora amor, ora vergonha, ora graça
Não há mais nada aqui
Há o vazio
Desilusão
Agarrei ele
Não há mais nada nestas horas
Talvez o único caminho seja dormir um pouco
E deixar a tormenta passar
Amanhã é outro dia
Mas, não soa como esperança
Uma hora o vazio volta
O niilismo acaba
A comunidade mata
E não há mais nada ali
A não ser o eu vazio de tudo e todos
Olhando para o espelho
Sem ilusão de imagem
Com a espada em chamas no fronte da cabeça
Mas, nem ela te salva
Do vazio
Do desiludido
Da balança
Pesando magicamente, mentalmente
O nada
Que é o que você passa nesta hora
Espere mais um pouco

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Parede

"Tô gritando te procurando nas paredes, acho apenas retratos, aos quais meus olhos percorrem, e da memória, me vem seu corpo, e da história, me falseia sua alma. Percebo, logo, que grito em silêncio para as paredes, mas o som aparece, aparece o eco" (EE)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Não edificante

"Não. Somos a edificação de nossa época, não há como fugir disto, toda a força, empenho e moral será lembrada por pequenas pessoas que nos são grandes, família, amigos, inimigos, elas estarão lá e alguém, um dia, falará delas, como um mito. Nossas condutas tornam o hábito a ordem, as revoluções estão lá, não em bandeiras ocultas e líderes carismáticos, estão no dia-a-dia, nas coisas verdadeiras, na aspereza não constante da vida agridoce. O edifício em que se faz a história humana de várias pequenas estórias some com o passar dos séculos, porém, o que podemos pensar é em como não sumir nós mesmos dentro de cada amanhã" (EE)