1897, e a prisão em que ele estava queimou; correndo enquanto a confusão se dava na cidade fria e cheia de pinheiros, ele conseguiu fugir...
Agora, meu suspiro à vapor se dá ao mesmo tempo que olho a sua face, ele me vê e teme: treze anos depois, está de frente para um ser de metal com canos de exaustão, mesmo eu, ficaria com medo. Diz ele:
-Por que esta aqui, Nomoté?
-Por que você roubou aquilo, Bento? -Minhas lentes estão ofuscadas pela luz das lamparinas elétricas da rua... Não o enxergo, é uma questão de tempo até que descubra.
-O Coração do Panda não é tão importante... É só uma pedra velha e empoeirada, pensei que não nos importássemos com este tipo de coisa, pensei que quiséssemos liberar o caos no mundo... A Contra-Arte, foi o que busquei... Meus livros, meus negócios com a Máfia Polaca, tudo isto e ainda quer me matar?
-Você não entende... As colinas dos campos não têm mais flores, apenas olhos que nos espreitam... Há muitas coisas envolvidas, a Crise dos Orwell, a Grande Guerra no norte... Há ainda alguém querendo este Coração... Alguém que pode levantar os corpos, alguém que...
-Quer trair? É isto? Sou seu amigo... Instalei você aqui... Me ajudou a muito tempo... E agora a traição pra mim... Não adianta, não? Nós somos apenas formigas, e você são elefantes... Defende a Liberdade, mas é só outro grupo que quer Criar um Sistema! Malditos sejam!
-Não fale assim... Ainda há chance... Sua mulher se foi há treze anos, teu filho também, não pode fechar a mão só porque quer mais alguns trocados... -Minha voz mecânica presente algo, treme, escuto algo, pela luz, nada vejo
A 22 canta, diz meu amigo:
-Morte a ti! Malditos sejam os Agentes do Caos!
A 22 canta novamente, meu antigo amigo corre, um acertou um gato que por uma cerca passava -ouvi seu "miau"- o outro, em meu braço, na parte de metal nada fez... Estava preparado. Ouço os paços, retiro o cano do bolso do casaco, a escopeta cortada sai do dispositivo da mão direita, monto, calmo, atiro
Pá! na perna do meu outrora amigo, outro em sua bacia... Ele cambaleia... Meus tiros foram favorecidos pela minha troca de posição, sai da luz, mas vi chegar a sua ajuda mafiosa, o carro para e sai dois, pistola e metralhadora, droga!
"...Podemos realmente estar criando Algum Controle...", penso ao imaginar como o Novo Século nos deu poder, o Caos do Progresso nos fortaleceu, mas, alguns querem mandar... Eu recebera uma carta sem nome outro dia... Dizia que "eu devo continuar", mas, o quê? Por que o Caos e não a Paz? Será que eles são diferentes? Não somo disciplinados desde pequenos a pensar "na paz" que não nos acostumamos a "parar a guerra" quando nas portas de nossas casas ela mata nosso companheiro de colégio? Preferimos matar para que outros não nos incomodem... Temos que manter por sangue nossa própria paz... Aceitar isto, bem, acho que talvez eu tenha aceitado, enquanto levava aquela rajada de metralhadora e morria um pouco mais... Só por dentro, naquilo que minha mãe crente chamava de alma
Desviando para uma marquise, para não levar mais tiros, vi o meu alvo entrar no carro de seus "amigos"; em um momento de fuga, os outros dois pararam, eu sai e corri, atirei naquele da pistola... Tinha que parar o carro, ele saia, mesmo acertando ainda o pescoço daquele com metralhadora... Não pararam, saíram e quase os peguei:
-Parado! -Berrou o da pistola, mirando para a minha cabeça... Ele sangrava pela boca, me movi rápido e tirei como uma espada uma escopeta de dois canos, a faca na ponta corta a face do capanga, talvez ele tivesse filhos, mas isto não era da minha conta. O caro sai com os dois ferido e atiro... A fumaça toma conta, mas apenas destruí a parte traseira, ele ainda anda... Assim como a vigília-de-rua. Minha resposta é sair correndo.
A corrida foi por dias, de uma pequena pensão para outra, sempre com entrada pela janela, pagando para uma prostituta alugar o quarto. Mas, não poderia deixar o tal Coração nas mãos quem me odeia, é como deixar que a ex-mulher dê o beijo por sua namorada, ou pedir pra uma gato dar comida a seu cão, porém... O por quê de meu desejo de protegê-lo era estranho... Apenas uma pedra desejada por outro, apenas um símbolo para que alguém revivesse um antigo guerreiro, eu, sendo um ser de metal e sangue por mim mesmo revivido, poderia muito bem me acostumar com alguém que compartilhasse a imortalidade comigo... Porém, não sou imortal, ao que parece, sou só mais um número no sistema...
Em um domingo, chega uma carta sem nome que me diz: "Você é apenas um número, para outros, para quem você teme que exista... Pra que se sub julgar a um Sistema, quando ele apenas existe na sua cabeça? Pode ser um número para o seu temor, mas não o precisa ser para você mesmo". Saí do quarto, desci as escadas da vazia pensão e fui me escondendo pela rua, a algum tempo tinha o endereço, faltava-me... Faltava-me o eu.
Entrar e subir as escadas do domingo em que todos vão pela manhã na missa... Alguém tenta me receber com alguma pistola, logo, vejo que não consegue, o que levara um tiro no pescoço n'outro dia estava com uma sacola de pão, ao qual seu sangue se misturou...
-O que?!... -Entrei e chutei as bolas, ele caiu, meu velho amigo, jogado num canto...
-Então... -Fala com dor, meu pé tem chapas de metal - Você quer acabar comigo? Por uma droga de pedra?!! Trair-me por Eles?!!
-Não, não por Eles... Por mim...
Ele viu que nada poderia fazer, apontou para uma gaveta em um móvel velho, lá estava seu Coração, num velho móvel... Abri, nada havia... Só outro entrou na sala, tirei a pistola e o recebi com uma balaço no rosto... Meu amigo foge, a única fuga que poderia:
Tenta voar... Mas, não é ideia, nem pássaro que caga na cabeça
Cai de maduro, no paralelepípedo duro da cidade grossa... O frio entra em minha mente... Não consegui.
...
A porta abre novamente, minha mão poderia atirar, mas não, ele tem uma máscara alongada e vermelha, se diz Um de Nós, eu acredito, ele mostra no pulso um sinal de corvo...
-Eu falhei, veio me buscar pela minha traição?
-Acha mesmo que Ele queria ter o Coração? Ele quer mais que Sam o leve...
Sam, um aliado nosso estranho... Não sabia que era ele... Mas, ainda não entendia...
-Por que matei meu amigo? Um capricho?
-Ele não foi morto, ele quis se libertar... Sua mão parou no gatilho antes de fazer qualquer coisa...
-Então, o que eu procuro?
-Bem, o Coração já está ali, no espelho, veja que ele é apenas uma fina folha de prata, quebre-o e terá a pedra... -olhei para a velha peça refletora, fui até ela, ouvindo os gritos de passantes que olhavam meu amigo morto na calçada... -Achou o que queria? O que queríamos era isto...
Por momentos, vi o rosto com a máscara refletido, virei para trás e ouvi o bater de asas de um corvo...
O veneno da dúvida me corroeu e eu quis ser um dos que morrem anonimamente de novo, logo, percebi que, como meu amigo, apenas alguns poucos se importavam pelo que eu fazia... No fundo, estávamos todos numa Enorme Rede... Mas, e daí? Seria que o quê vi no espelho era apenas uma chapa de metal e carne, ou a minha chapa de metal e carne...
Talvez os dois.
Escuto o subir das escadas.
MUSIQUETA DA POSTAGEM
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domingo, 25 de setembro de 2011
Luz nas lentes de uma máquina refletem seu Sistema #Agentes do Caos
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quinta-feira, 21 de julho de 2011
Até mais! Jane's #Agentes do Caos
as irritantes dedilhadas de violão e violoncelo o faziam querer fugir dali, mas, não podia, seguiu reto pelo corredor escuro -pistola Luger na mão direita, ia caminhando com seus dois amigos: um, a raiva e outro, a vingança. Comerciante de peixes, tinha uma linda mulher de negros cachos que amava seu amigo no outro quarto, naquele lá no fim do corredor.
Abriu a porta, entrou e abriu com toda a força os tiros nos corpos, agora estavam frios, só havia frio no coração e no sangue dos seres humanos naquele quarto. O relógio tocava e cantava doze horas da noite, uma sombra avança pelo quarto
"eu fico assustado, vejo alguém alto e assustador, dois faróis e cheiro de óleo queimado
-Meu nome é Nomoté..."
Assim, começou a missão do soldado, ele -sem mais nada a não ser a dor de ter acabado com seu sofrimento, abraçou roubos e sequestros, conseguindo peças para o gigante de quase dois metros, cheio de engrenagens e roldanas. Nunca vira seu rosto, era uma máscara de pássaro negro, um Corvo, via algumas correspondências chegarem na casa amarela, rua Paulista, número 080, lacradas e que eu não me importava em ver
assim vivia a vida, o marido vingado, lembrando enquanto preparava peixes ao patrão... Ele quase não comia, acho que deveria usar um tipo de tubo, ou algo assim... Até que em uma noite do final de um julho frio e muito tedioso, chega um convidado estranho: homem pálido, sem muitos sorrisos, vem consigo uma mulher de véu...
Na sala, os dois discutem muito sobre coisas de Biologia e Mecânica, coisas que eu ainda não entendia, mas, também, nunca estudara! Passei minha vida inteira vendendo peixes até o dia...
...
Ela teve seu véu levantado pelo homem branco, Lorde Nomoté ficou com uma cara de espanto... Ao menos, o vapor que saía de suas juntas no pescoço demonstrava isto...
-O nome dela...
-Jane's, sobrenome, Tempest. Encontrei ela perambulando por aí... Foi um sufoco, mas, consegui capturá-la...
-Qual o procedimento? O que você fez para que ela... Ficar assim?
-Ora, Nomoté, procedimento normal... Eu a estripei e retirei toda a Vontade, agora ela é uma das minha maiores preciosidades!
Eu olhei meu chefe, enquanto colocava chá aos dois visitantes
-Servente! Não é necessário para ela, pois não precisa! -O branquelo riu e eu, me controlando, pus açúcar no chá dele... Ele me deu um tapa
-Servente! Eu estou de regime, não queria açúcar, coloque outra xícara
...Meu ódio, minha fúria acumulada em anos de silêncio naquela casa, quase que os lancei naquele miserável
O Lorde me afastou e obedeci ele, pois era um bom chefe, nunca conversávamos muito, só tinha que fingir ser mordomo, tinha acesso a todas as partes da casa, menos o sótão; fui para o outro cômodo e ouvi um engatilhar de arma
-O que é isto?
-Dou trinta mil libras de réis por ela
-Como assim? Acha que tal preciosidade...
-Sou alguém que você não pode derrotar, pode tentar atirar, porém, aceite minha proposta...
Virei na metade da escada para a cozinha e pensei em pegar a escopeta na parede, porém, fiquei olhando, nunca vira meu chefe falar tanto... Era incrível, o pacote lacrado que eu enviei dias antes estava na mesa, a mulher estava com uma pequena arma de bolso, apontada para o Lorde
-Eu não sou qualquer um... Eu sou um Agente, seu velho, posso trazer qualquer um dos mortos, posso derrotar impérios, reinos, eu derrubei Marseille e...
-Seus dons de nada servem a Nomoté, ele é novo, porém, maior que você
o branquelo gelou os ossos, eu também, vi a mulher falar, porém, sua língua era morta e preta... Sua face, de cabelos ruivos mortos e pálida pele, parecia um defunto... Me lembrou como uma lâmina, uma bala de uma Luger, minha encaracolada
...
-Como você?...
-Sou um Catástrofe, sou Aquele que Salvou o Aprendiz do Fundador, nunca liguei para títulos, pois só aqueles que conquistam poucas coisas é que ligam para eles... Pode me chamar de Consertador
O branquelo pega o dinheiro, ele olha para o mestre... Ele o teme, eu vi isto -mesmo eu estando tão surpreso com as lembranças que aquele cadáver me dera, percebi o medo do outro...
-Hey, antes de sair de minha casa, -um cano negro sai do braço de meu chefe, ouço um zumbido e um estouro, sangue azul espalha-se pela sala, alguns livros se perderam- este é um presente...
-AAAHHH
*
Limpo o sangue na sala e fico pensando mais na lembrança que tive ao ver o cadáver que estava sentado ali, ao qual meu chefe levara para o sótão; um sorriso mórbido me tomou ao imaginar uma semelhança com o que passara há sete anos, logo, esqueci de tal ideia tola, já que não queria o mesmo destino que o branquelo, que perdera a mão e a pompa, agora deveria já até ter tomado o vapor para outro país!
os passos na escada e o pedido para que sente na cadeira, escuto Lorde Nomoté me propor um filho, deveria tê-lo com a tal Tempest, deveria fazer isto logo, pois ele precisava arrumar tudo...
Vomitei
Passaram-se dias, semanas e logo, com alguma curiosidade -e algo talvez do mesmo contido no meu sorriso mórbido-, entrei no sótão, numa torre na casa amarela; estava bela, como uma Noiva... De branco, com tubos cravados no braço e nas pernas... Na sala, tudo estava escuro, só sentia cheiro de óleo queimado, ouvi a porta se fechar, temi a morte, pois pensara que meu mestre saíra
Ela cheirava bem, e acordou com lábios frios, olhou com olhos muito bonitos, porém... Acho que havia algo no ar e... Não sei
...
Acabo de vomitar aqui.
Sai três anos depois, o corpo estava morto, no entanto, levei minha estrelinha... O desejo de um jovem casado, de nome Bento, agora realizado em uma pequena coisinha ruiva
*
A fumaça daqui é irritante, as máquinas dos goblins são minha única fonte de renda, eu as arrumo e eles pagam seus pistoleiros numa guerra entre camponeses e camponeses, não há classes, agora vejo, o que há são balas que atiram entre especuladores, industriais, curiosos, etc. E lá minha pequena cresceu, o nome da mãe eu dei, as coisas mudaram rápido -o corpo dela, agora bonito e jovem, sua mente, um intricado sistema de sonhos e loucuras as quais nunca entendi...
eu deixei ela como uma jovem Agente, como Nomoté me pediu, agora ela, Jane's Tempest, o mesmo nome da mãe, ao qual meu mestre transferiu a mente da mãe para o filha; nada há mais o que fazer... Só ensinei ela a escrever e disse que as coisas no mundo sempre mudaram para mim, se a Rotina for para ela o seu norte, aceito, beijei sua testa e ensinei-lhe violão
Havia só destruição da Luger quando cheguei naquela casa do ser mecânico e sem alma, ao menos, aquilo que eu achava que era alma... Hoje sou pai de uma mãe peculiar, fora pai sendo viúvo e sem ter casado, porém, amava minha filha, em meus braços o calor e o cheiro da lavanda me davam força, ou me obrigavam, a correr para a oficina pelos doze anos que cuidei dela... Lá ia ela, meu pequeno pedaço da encaracolada mulher, mesmo que não fosse sua "mãe", sentia-me remediado, sentia que até um culpado passional poderia ter chance
Porém, as coisas mudam, e o mundo nunca se importou para o que fiz, nem antes, nem naquele sótão, nem por doze anos, nem agora, enquanto olho a minha pistola e lembro que há uma semana minha estrela ruiva saiu, já quero ver se o gatilho de minha arma esta funcionando, se esta como um relógio...
E ninguém se importa, adeus filha, Jane's
MUSIQUETA DA POSTAGEM
http://www.youtube.com/watch?v=jq9-5FjQb8g
Abriu a porta, entrou e abriu com toda a força os tiros nos corpos, agora estavam frios, só havia frio no coração e no sangue dos seres humanos naquele quarto. O relógio tocava e cantava doze horas da noite, uma sombra avança pelo quarto
"eu fico assustado, vejo alguém alto e assustador, dois faróis e cheiro de óleo queimado
-Meu nome é Nomoté..."
Assim, começou a missão do soldado, ele -sem mais nada a não ser a dor de ter acabado com seu sofrimento, abraçou roubos e sequestros, conseguindo peças para o gigante de quase dois metros, cheio de engrenagens e roldanas. Nunca vira seu rosto, era uma máscara de pássaro negro, um Corvo, via algumas correspondências chegarem na casa amarela, rua Paulista, número 080, lacradas e que eu não me importava em ver
assim vivia a vida, o marido vingado, lembrando enquanto preparava peixes ao patrão... Ele quase não comia, acho que deveria usar um tipo de tubo, ou algo assim... Até que em uma noite do final de um julho frio e muito tedioso, chega um convidado estranho: homem pálido, sem muitos sorrisos, vem consigo uma mulher de véu...
Na sala, os dois discutem muito sobre coisas de Biologia e Mecânica, coisas que eu ainda não entendia, mas, também, nunca estudara! Passei minha vida inteira vendendo peixes até o dia...
...
Ela teve seu véu levantado pelo homem branco, Lorde Nomoté ficou com uma cara de espanto... Ao menos, o vapor que saía de suas juntas no pescoço demonstrava isto...
-O nome dela...
-Jane's, sobrenome, Tempest. Encontrei ela perambulando por aí... Foi um sufoco, mas, consegui capturá-la...
-Qual o procedimento? O que você fez para que ela... Ficar assim?
-Ora, Nomoté, procedimento normal... Eu a estripei e retirei toda a Vontade, agora ela é uma das minha maiores preciosidades!
Eu olhei meu chefe, enquanto colocava chá aos dois visitantes
-Servente! Não é necessário para ela, pois não precisa! -O branquelo riu e eu, me controlando, pus açúcar no chá dele... Ele me deu um tapa
-Servente! Eu estou de regime, não queria açúcar, coloque outra xícara
...Meu ódio, minha fúria acumulada em anos de silêncio naquela casa, quase que os lancei naquele miserável
O Lorde me afastou e obedeci ele, pois era um bom chefe, nunca conversávamos muito, só tinha que fingir ser mordomo, tinha acesso a todas as partes da casa, menos o sótão; fui para o outro cômodo e ouvi um engatilhar de arma
-O que é isto?
-Dou trinta mil libras de réis por ela
-Como assim? Acha que tal preciosidade...
-Sou alguém que você não pode derrotar, pode tentar atirar, porém, aceite minha proposta...
Virei na metade da escada para a cozinha e pensei em pegar a escopeta na parede, porém, fiquei olhando, nunca vira meu chefe falar tanto... Era incrível, o pacote lacrado que eu enviei dias antes estava na mesa, a mulher estava com uma pequena arma de bolso, apontada para o Lorde
-Eu não sou qualquer um... Eu sou um Agente, seu velho, posso trazer qualquer um dos mortos, posso derrotar impérios, reinos, eu derrubei Marseille e...
-Seus dons de nada servem a Nomoté, ele é novo, porém, maior que você
o branquelo gelou os ossos, eu também, vi a mulher falar, porém, sua língua era morta e preta... Sua face, de cabelos ruivos mortos e pálida pele, parecia um defunto... Me lembrou como uma lâmina, uma bala de uma Luger, minha encaracolada
...
-Como você?...
-Sou um Catástrofe, sou Aquele que Salvou o Aprendiz do Fundador, nunca liguei para títulos, pois só aqueles que conquistam poucas coisas é que ligam para eles... Pode me chamar de Consertador
O branquelo pega o dinheiro, ele olha para o mestre... Ele o teme, eu vi isto -mesmo eu estando tão surpreso com as lembranças que aquele cadáver me dera, percebi o medo do outro...
-Hey, antes de sair de minha casa, -um cano negro sai do braço de meu chefe, ouço um zumbido e um estouro, sangue azul espalha-se pela sala, alguns livros se perderam- este é um presente...
-AAAHHH
*
Limpo o sangue na sala e fico pensando mais na lembrança que tive ao ver o cadáver que estava sentado ali, ao qual meu chefe levara para o sótão; um sorriso mórbido me tomou ao imaginar uma semelhança com o que passara há sete anos, logo, esqueci de tal ideia tola, já que não queria o mesmo destino que o branquelo, que perdera a mão e a pompa, agora deveria já até ter tomado o vapor para outro país!
os passos na escada e o pedido para que sente na cadeira, escuto Lorde Nomoté me propor um filho, deveria tê-lo com a tal Tempest, deveria fazer isto logo, pois ele precisava arrumar tudo...
Vomitei
Passaram-se dias, semanas e logo, com alguma curiosidade -e algo talvez do mesmo contido no meu sorriso mórbido-, entrei no sótão, numa torre na casa amarela; estava bela, como uma Noiva... De branco, com tubos cravados no braço e nas pernas... Na sala, tudo estava escuro, só sentia cheiro de óleo queimado, ouvi a porta se fechar, temi a morte, pois pensara que meu mestre saíra
Ela cheirava bem, e acordou com lábios frios, olhou com olhos muito bonitos, porém... Acho que havia algo no ar e... Não sei
...
Acabo de vomitar aqui.
Sai três anos depois, o corpo estava morto, no entanto, levei minha estrelinha... O desejo de um jovem casado, de nome Bento, agora realizado em uma pequena coisinha ruiva
*
A fumaça daqui é irritante, as máquinas dos goblins são minha única fonte de renda, eu as arrumo e eles pagam seus pistoleiros numa guerra entre camponeses e camponeses, não há classes, agora vejo, o que há são balas que atiram entre especuladores, industriais, curiosos, etc. E lá minha pequena cresceu, o nome da mãe eu dei, as coisas mudaram rápido -o corpo dela, agora bonito e jovem, sua mente, um intricado sistema de sonhos e loucuras as quais nunca entendi...
eu deixei ela como uma jovem Agente, como Nomoté me pediu, agora ela, Jane's Tempest, o mesmo nome da mãe, ao qual meu mestre transferiu a mente da mãe para o filha; nada há mais o que fazer... Só ensinei ela a escrever e disse que as coisas no mundo sempre mudaram para mim, se a Rotina for para ela o seu norte, aceito, beijei sua testa e ensinei-lhe violão
Havia só destruição da Luger quando cheguei naquela casa do ser mecânico e sem alma, ao menos, aquilo que eu achava que era alma... Hoje sou pai de uma mãe peculiar, fora pai sendo viúvo e sem ter casado, porém, amava minha filha, em meus braços o calor e o cheiro da lavanda me davam força, ou me obrigavam, a correr para a oficina pelos doze anos que cuidei dela... Lá ia ela, meu pequeno pedaço da encaracolada mulher, mesmo que não fosse sua "mãe", sentia-me remediado, sentia que até um culpado passional poderia ter chance
Porém, as coisas mudam, e o mundo nunca se importou para o que fiz, nem antes, nem naquele sótão, nem por doze anos, nem agora, enquanto olho a minha pistola e lembro que há uma semana minha estrela ruiva saiu, já quero ver se o gatilho de minha arma esta funcionando, se esta como um relógio...
E ninguém se importa, adeus filha, Jane's
MUSIQUETA DA POSTAGEM
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