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quinta-feira, 18 de abril de 2019

Jardim descobri a Rosa

Andei pelo jardim, passeando em trilha de sombras mestres
filósofos mortos há muito
andaram, refletiram, decuparam
um mundo ocupado de si

Só eu me senti só
clamei às estrelas, mas, elas sempre serão em silêncio
clamei em mim mesmo, inocente de minhas forças
perdi-me em abraçar o mundo
pedi mais uma vez, a totalidade
de todas a frases, nos livros e palavras
ao vento, minha prece se fora
parei de pedir, vivi
e num ato, naquele jardim
vi uma rosa
ela me olhava, com olhos profundos
de algum mar distante
que naveguei por algum momento, instante
em que lhe disse: -Bom dia, querida rosa, em que pensas?
- No sol que brilha no Céu, na Lua que corre ao mar a noite, mas, que eu, aqui, ainda estou, instante
permaneço, parada
mas, nada de mal seria isto, pois mesmo
assim, vejo todo o mundo!
Naquela rosa plantada, colhi o broto
de uma justa poesia
nestas linhas, partilho a minha filia
e dei àquela rosa daquele jardim secreto
sempre, todo o seu bom dia


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"Odeio sempre este sol, me faz lembrar quem eu sou"


terça-feira, 8 de janeiro de 2019

Céu Vermelho

O céu está vermelho
Meu peito está preso
Em um lágrima perdida
Dentro do meu próprio oceano
De outras lágrimas
Caladas
Seguro, no último ponto do meu bote
Olhando para o Céu
Olhando para você, sol que cai de volta ao horizonte
Já não posso apenas deixar de ver
Sentir, ouvir
Nada nos sentidos, ocupa apenas um momento, mas, todos aqueles
Todo o tempo, todo o vento
Da brisa a tempestade
O peito preso do grito
Grito de liberdade
O Céu está vermelho, meu sangue corre por ele
E no mar noturno, escuro como o meu interior
Brota a luz
Brotará a minha força
E já não mais ficarei apenas dependente dos sentidos
Ainda há como navegar, e sempre será preciso
Navegue pelas nuvens
Navegue pelos corpos
Navegue pelas palavras de carinho
Fortaleça o mundo, derrote sua tristeza
Convivendo com ela
Naquele mar profundo, naquela minha mão que segura o bote
Naquele céu que está vermelho
Crepúsculo


sábado, 11 de novembro de 2017

Capitão

Não escuto mais além do zumbido
Disse pra mim o capitão do navio
furado
Imenso azul ao meu lado
Escuridão, as estrelas me guardarão
Não havia mais do que um zuuuum
E a voz do capitão
Sua barba mal-feita, seus trajes azul blue-monday
Seu olho de vidro, o outro de verde oliva
A muralha de água estava calma, porém não havia vento
E as velas estavam caladas, como eu
Menos o capitão, ele olhava
Pontos de luz escurecendo na tempestade que vira, vinha
A voz do capitão me falava
Dava alguma esperança, outra alguma fiança
O zumbido continuava e não
Mais havia apenas céu noturno
Ou oceano profundo
Havia eu
E o capitão
Sozinho em seu próprio barco a vela.