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domingo, 11 de março de 2018

Olhos de Saturno



Não desista.
Enquanto olhas, Saturno continua
Entre anéis, vidros gélidos e pó de estrelas
Continua lá
Galáticos movimentos, formigas no meu sapato
E toda a força de mil-sóis
E todas as palavras entre raposas
Leões parvos e homens-tartarugos
Todas estarão lá
Continua, teu ouvir
Tua palavra, tua força
Não olhas a cara do ímpio e abaixe
Lute, acredite
Lute ensinando, lute reagindo, lute mesmo no silêncio
Luta, luta minha querida
Respira
Sobe e desce
Continua


Que te vejo agora, presa numa cama
Ainda te amarei pra sempre
Aurélia de minha juventude
Pois, a memória de meus passos
É a estrada de meus feitos
Arrependimentos
E do caos insólito, vi você
Camarada naquela rua
Encontrada na barriga de sua mãe
Na chuva
Me dizendo, ah, minha Eduarda:
-Estou grávida

E de Saturno, permanecerei te cuidando
Pois, a memória de meus passos
É a estrada dos meus feitos