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sábado, 18 de novembro de 2017

Borboleta esvaziada

uvindo a borboleta
Eu ouvia-a na época do Doctor,
Cantava na minha cabeça toda a vez que viajava de bus,
Manhã a manhã,
Vendo minha juventude escorrer entre livros, cafés e amigos

Nas montanhas da Geografia, conheci alguns amores e dores,
mas sempre aprendi que, com o devido tempo,
as mais poderosas paisagens
estão escondidas em algumas das longas caminhadas

É nos pés da experiência e experimentar
Que se encontra um pouco de vida
Entre os outros que podemos sofrer
mas, também amoras, céus e risos
Podem ser um inferno, os outros
Mas, em algum lugar, em algum tempo
Também ouros, tesouros
Da paz do espírito inquieto
E do ímpeto tempestuoso


sábado, 12 de agosto de 2017

Outros

Outros
São a porta entre o eu e o você, entre aquele
E nós, entre tudo e tudo um pouco
É a visão do outro que tentamos, em vão
Encaixar em nossas cabeças
Entretanto, os olhos são dos outros
O inferno são eles
E eu, por ora, inferno sou
Outro de você mesmo
Olho no espelho e vejo você
Mas, já é outra
Coisa, inferno
Apagado, escrevo na soleira da porta
Esperando que anjo não venha a noite
Levar m'alma
Porém, já não preciso mais olhar no olho d'outro
E se aquele vier me buscar
Pelos de peito aberto poderia, uma pouca e última vez
Imaginar o que teria sido
Ver a mim mesmo
Como outro que nunca fui
As vezes, precisamos ser
O espelho de nós mesmos