Perambulando pelo quarto escuro
as ideias que não são tão minhas
Eis-me o homem, aqui vacante
Em férias de algo bom em si mesmo
Cadenciando a marcha ao insondável problema
Falta cometida
Necessidade
Aquilo que não está lá
Sacia-se com várias sombras
Está em um quarto escuro, jamais vê a luz lá fora
Pois, é a noite da alma
Na marca de sua caminhada pelas diversas salas
Busca sair de dentro algo que deve estar lá fora
Sujo, sem luz que não seja fraca
Meros raios de uma vida imersa
Serei eu capaz de sair, às pressas, do mar escuro
E respirar?
Eis-lá o homem, vaidoso
Partindo para o caminho em círculo
Qual o vício o condena e cinge
A face a voltar-se como a serpente da falsa eternidade
Alimenta-se do próprio rabo
Vá e volta
Eis-te aqui, a possibilidade
de sair e caminhar de verdade
Entra no sol e queima o olhar
Pois, só no susto em algum despertar
Se ainda é capaz, eis que acredito que sim
Levanta-te e anda
E olha bem, agora, para trás"
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quinta-feira, 3 de setembro de 2020
quarta-feira, 15 de maio de 2019
Moro no bosque, Domingo furioso
Eu moro naquele bosque
Perto da serra
Onde um riacho se esconde
Entre o meio de meu peito
Silenciosa, melancolia
Alimenta meu espírito
Com aquilo que não tive
Obtendo
Alguma ou outra alegria
Mas, apatia
Tudo apatia
---
Perto da serra
Onde um riacho se esconde
Entre o meio de meu peito
Silenciosa, melancolia
Alimenta meu espírito
Com aquilo que não tive
Obtendo
Alguma ou outra alegria
Mas, apatia
Tudo apatia
---
Na fúria, de um domingo
Qualquer
Famílias voltam com sua criançada escandalosa
Em pais mais escandalosos
Tudo, um bravio de bestas
Mecânicas, ônibus, parques moldados
Tudo, um qualquer
Sol de outono coroa a cabeça com calor
A gritaria das máquinas e crianças permanece
A serra de minha casa está longe
O lar do meu peito, desbastado de novas
Árvores está
No mundo
Máquinas e crianças-pais, tagarelam
Tagarelar pra não deixar-se o silêncio
Tomar de si
A voz mecânica
E num coro preso, sem tom ou som
As vozes se abafam, na barulheira
De domingo
Qualquer
Famílias voltam com sua criançada escandalosa
Em pais mais escandalosos
Tudo, um bravio de bestas
Mecânicas, ônibus, parques moldados
Tudo, um qualquer
Sol de outono coroa a cabeça com calor
A gritaria das máquinas e crianças permanece
A serra de minha casa está longe
O lar do meu peito, desbastado de novas
Árvores está
No mundo
Máquinas e crianças-pais, tagarelam
Tagarelar pra não deixar-se o silêncio
Tomar de si
A voz mecânica
E num coro preso, sem tom ou som
As vozes se abafam, na barulheira
De domingo
---
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sábado, 2 de junho de 2018
Sábado Personalidade/Memória
Personalidade/Memória
Eu sei que sou pelo que fui
Eu sei que sou pelo que fui fazendo
E sei o incompleto do que fiz
Sopro
Em meus passos, atrás das orelhas
Passando pelo correr de sangue do pescoço
Sopra
Da memória, me escapa
Aquele dia de sol ardente
Mas, brisa fria
Correndo, soprando
Alma de meu caminho
Estrada de minha história
Sopro
Agora fraco, agora frágil
Entre os braços escapo
Alguma lágrima de algum outro lugar
Algum em outro algo
Alguma outra brisa fria, num sol ardido
Alma do meu perrene e agora
Pouco ar
Pouca alma
Mas, movimento
Entre minhas idéias, um alento
Entre os ares das páginas de livros
Um caminho
No meu auto-amor, um robô
Movido por sopro
Ora suspiro, ora palavra, ora afeto
Hora que a alma vai, com sopro
De uma beijo
Dá as memórias
Da melancolia à melhora
Ainda sopro
Ainda respiro
Entre os braços
"O Real me dá asma", disse Cioran
Dos ventos da noite
Que adormecem meus pés
Mancham meus dedos
Nesta sujeira do inverno
Nesta neve suja, que enerva
Entre pensamentos, atos e omissões
Tormento de um resfriado
Grito de algum vizinho
Latidos de cães para os gatos
Eu, sou aquele felino
Observando tudo, correndo por aí
Na noite
No véu da noite
Te respiro, doença que é
Esta vida, as vezes
Outras, umas tantas
Pequenina aventura diária
De um gato preto feiticeiro
Caminhando entre as colinas de concreto de uma cidade
Qualquer
Poesia barata
Guardada no bolso, olhando
Entre os rostos perdidos do desterro
Algum futuro barato, vendido por aí
Algum latido embusteiro
Algum aperto no peito
Doença no inverno, sujeira do tempo
Correndo entre o relógio
Como as patas do gato preto
Eu sei que sou pelo que fui
Eu sei que sou pelo que fui fazendo
E sei o incompleto do que fiz
---
Sopro
Em meus passos, atrás das orelhas
Passando pelo correr de sangue do pescoço
Sopra
Da memória, me escapa
Aquele dia de sol ardente
Mas, brisa fria
Correndo, soprando
Alma de meu caminho
Estrada de minha história
Sopro
Agora fraco, agora frágil
Entre os braços escapo
Alguma lágrima de algum outro lugar
Algum em outro algo
Alguma outra brisa fria, num sol ardido
Alma do meu perrene e agora
Pouco ar
Pouca alma
Mas, movimento
Entre minhas idéias, um alento
Entre os ares das páginas de livros
Um caminho
No meu auto-amor, um robô
Movido por sopro
Ora suspiro, ora palavra, ora afeto
Hora que a alma vai, com sopro
De uma beijo
Dá as memórias
Da melancolia à melhora
Ainda sopro
Ainda respiro
Entre os braços
"O Real me dá asma", disse Cioran
---
Às novelasDos ventos da noite
Que adormecem meus pés
Mancham meus dedos
Nesta sujeira do inverno
Nesta neve suja, que enerva
Entre pensamentos, atos e omissões
Tormento de um resfriado
Grito de algum vizinho
Latidos de cães para os gatos
Eu, sou aquele felino
Observando tudo, correndo por aí
Na noite
No véu da noite
Te respiro, doença que é
Esta vida, as vezes
Outras, umas tantas
Pequenina aventura diária
De um gato preto feiticeiro
Caminhando entre as colinas de concreto de uma cidade
Qualquer
Poesia barata
Guardada no bolso, olhando
Entre os rostos perdidos do desterro
Algum futuro barato, vendido por aí
Algum latido embusteiro
Algum aperto no peito
Doença no inverno, sujeira do tempo
Correndo entre o relógio
Como as patas do gato preto
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sexta-feira, 25 de maio de 2018
Sexta não sinto nada
Entre o frio dos dedos
Secos decompondo neste ar
Gelado, certo e ríspido
Caminhante dentro de alguma noite
Rotineira, canseira
Já estou naquele frio
Falta-me empatia
Falta-me você, que vejo no espelho refletido?
A existência não me escapa
Me fogem os outros
E já a moral deste desinteresse se perdeu
Dentro de algum ar gélido
Algum sorriso sem mérito
Ou apenas um caminhante de pouca glória
Ando com o caído e o carrego
Só que sou também em queda
Reajuntando pedaços
Serei de caridade no Inverno?
Carregarei nos verões? Lembrarei das feridas?
Talvez a melhor humanidade esteja em nós
Olha a tua cicatriz de ontem
Viva por aquilo de si
Repire o gelado, sustente
Force o último círculo infernal até que ele,
Estourando
Traga te ao reflexo de si no outro
Desinteresse daquilo que te mandam
Foque naquilo ou procura eternamente
Aquilo que és
---
Pedra que corta o mar. Onda que passa.
Pra fingir movimento na vida
Segue gente aleatória
Pra viver a vida deles
Nas pinturas, enganosas dos fatos
Ouve mentiras pra sua alma
Mas, sorri, mera polidez
Se esconde na tolerância
Quando nunca a entendeu:
que outros também
Deveriam tolerar-te
Bem-vindo a modernidade
De aparências, estilos e opiniões
Aventuras mortas, enlatadas pra se comprar
Seja com dinheiro, seja com amigos
Que confia por conveniência
Quem confia por conveniência
Todos dando importância às neuroses
Todos caminhantes na maré dos fatos
Poucas almas, poucas histórias
Mortas, sem likes
Passadas sob algum trator da história
Miradas como meu espírito desnudo
Nas palavras
Vociferando aos coelhos e gatos
Algum Franscisco imbecil coletivo
Fingindo que vive sendo especial
Olhando nos cantos algum sinal
De notificação de celular
Suas definições de vírus atualizadas
A alma humana computadorizada
Secos decompondo neste ar
Gelado, certo e ríspido
Caminhante dentro de alguma noite
Rotineira, canseira
Já estou naquele frio
Falta-me empatia
Falta-me você, que vejo no espelho refletido?
A existência não me escapa
Me fogem os outros
E já a moral deste desinteresse se perdeu
Dentro de algum ar gélido
Algum sorriso sem mérito
Ou apenas um caminhante de pouca glória
Ando com o caído e o carrego
Só que sou também em queda
Reajuntando pedaços
Serei de caridade no Inverno?
Carregarei nos verões? Lembrarei das feridas?
Talvez a melhor humanidade esteja em nós
Olha a tua cicatriz de ontem
Viva por aquilo de si
Repire o gelado, sustente
Force o último círculo infernal até que ele,
Estourando
Traga te ao reflexo de si no outro
Desinteresse daquilo que te mandam
Foque naquilo ou procura eternamente
Aquilo que és
---
Pedra que corta o mar. Onda que passa.
De mundo inteiro, de pensamento total.
Consciência de erros e omissões.
Confessando, quieto.
Ao espírito que me escuta d'alma.
Corta o mar do mundo a gente.
A gente fica pedra, fragmento.
---
Deixa as notificações no cantoPra fingir movimento na vida
Segue gente aleatória
Pra viver a vida deles
Nas pinturas, enganosas dos fatos
Ouve mentiras pra sua alma
Mas, sorri, mera polidez
Se esconde na tolerância
Quando nunca a entendeu:
que outros também
Deveriam tolerar-te
Bem-vindo a modernidade
De aparências, estilos e opiniões
Aventuras mortas, enlatadas pra se comprar
Seja com dinheiro, seja com amigos
Que confia por conveniência
Quem confia por conveniência
Todos dando importância às neuroses
Todos caminhantes na maré dos fatos
Poucas almas, poucas histórias
Mortas, sem likes
Passadas sob algum trator da história
Miradas como meu espírito desnudo
Nas palavras
Vociferando aos coelhos e gatos
Algum Franscisco imbecil coletivo
Fingindo que vive sendo especial
Olhando nos cantos algum sinal
De notificação de celular
Suas definições de vírus atualizadas
A alma humana computadorizada
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sábado, 12 de maio de 2018
sábado sexta
Olhar pro lado e sentir que nada tem
Não tenho amigos que já não incomodei
Ou luzes que apago com minha sombra
Reduzo-me ao silêncio
Não quero incomodar
Mas, meu grito sai por palavras
Abafado, quieto
Ninguém se importaria
Em dois anos apenas lembrariam
Aonde aconteceu a despedida
Não, apenas uma lembrança
De um homem-máquina sem motor
Vendo-se como sucata
Atrapalhando vocês
Com sua estranheza
Palavras e modos
Desculpe, mais uma vez
Não tenho amigos que já não incomodei
Ou luzes que apago com minha sombra
Reduzo-me ao silêncio
Não quero incomodar
Mas, meu grito sai por palavras
Abafado, quieto
Ninguém se importaria
Em dois anos apenas lembrariam
Aonde aconteceu a despedida
Não, apenas uma lembrança
De um homem-máquina sem motor
Vendo-se como sucata
Atrapalhando vocês
Com sua estranheza
Palavras e modos
Desculpe, mais uma vez
----
Existo por apenas duas horas em cinco dias da semana. Na hora da aula ou explicar. De resto, sou uma parede quando não se olha.
----
"A coisa que te guarda
Que cria abismo na real
É a distância da tua boca da minha
Afetando, num inferno astral
Todo o contínuo espaço-tempo de nós juntos"
Existem mais mistérios que nos múltiplos
Cálculos estelares
De meus cálculos renais
Seguindo compassos
De dança cósmica
Entre um sorriso amarelo
Em crise depressiva
Ou um abraço
Que já nem sei mais perdido
Ou festivo
Ou mesmo, faustivo
Contratando socialmente com o Diabo
De um afago a uma indiferença
Entre o vento
E uma boa coxinha
Existe um mar de picuinhas e gracinhas
Numa aula perdida
Nos arredores de Curitiba
Que cria abismo na real
É a distância da tua boca da minha
Afetando, num inferno astral
Todo o contínuo espaço-tempo de nós juntos"
---
Entre o vento e uma boa coxinhaExistem mais mistérios que nos múltiplos
Cálculos estelares
De meus cálculos renais
Seguindo compassos
De dança cósmica
Entre um sorriso amarelo
Em crise depressiva
Ou um abraço
Que já nem sei mais perdido
Ou festivo
Ou mesmo, faustivo
Contratando socialmente com o Diabo
De um afago a uma indiferença
Entre o vento
E uma boa coxinha
Existe um mar de picuinhas e gracinhas
Numa aula perdida
Nos arredores de Curitiba
sábado, 18 de novembro de 2017
doutrina do pavor
Doutrina do Medo
Caçando entre os olhos dos outros
A verdade que não vejo em nós
Impossível encontrar a si mesmo
Tento descobrir nas suas opiniões, bravejando que sou
Independente
Dizendo em voz alta que não ligo, que nada afeta
Só que aonde não há medo do mundo
Há pavor do mesmo jeito
Está lá
Só maquiado
Em uma pretensa fortaleza moderna
Aonde você grita liberdades, direitos e suas ideias
O pavor ainda está lá
vivendo da opinião dos outros e buscando aqueles
Que te dizem não ser livre ou forte
Ah, o medo é libertador mais que isto
É saber os limites de si mesmo
E conhecer a si mesmo é um ganho quântico
Em mundos aonde todos se acham fortes o suficiente
Pra existir pra além de uns poucos anos
Poucos amigos
Poucos trocados e viagens no bolso
A Doutrina do Medo pede estarmos esperando a Felicidade
E não agarramos nosso destino com os dentes
Apenas ficar teorizando e não fazendo uma poesia
Trepando, mas nunca encontrando um único beijo
Que tenha valido a pena
Não, meu caro, o pavor não está apenas no bandido, escuro
Ou bichos escatológicos
ele está ali, te olhando, seu Fracasso
Seu carro quebrado, seu inútil namorado
Ele diz que você não deve ter medo, pois tem de ser forte
Mas, você nunca se perguntou pra quem?
Se todos estão morrendo, o que custaria
Um pouco de você numa conversa
Num trabalho, numa faculdade
O quanto custaria, por um dia
Ter medos, mas não pavores
E poder se mexer dois passos
Sem a Doutrina do Medo?
Disse o mergulhador no escafandro
No fundo do oceano de si mesmo.
Caçando entre os olhos dos outros
A verdade que não vejo em nós
Impossível encontrar a si mesmo
Tento descobrir nas suas opiniões, bravejando que sou
Independente
Dizendo em voz alta que não ligo, que nada afeta
Só que aonde não há medo do mundo
Há pavor do mesmo jeito
Está lá
Só maquiado
Em uma pretensa fortaleza moderna
Aonde você grita liberdades, direitos e suas ideias
O pavor ainda está lá
vivendo da opinião dos outros e buscando aqueles
Que te dizem não ser livre ou forte
Ah, o medo é libertador mais que isto
É saber os limites de si mesmo
E conhecer a si mesmo é um ganho quântico
Em mundos aonde todos se acham fortes o suficiente
Pra existir pra além de uns poucos anos
Poucos amigos
Poucos trocados e viagens no bolso
A Doutrina do Medo pede estarmos esperando a Felicidade
E não agarramos nosso destino com os dentes
Apenas ficar teorizando e não fazendo uma poesia
Trepando, mas nunca encontrando um único beijo
Que tenha valido a pena
Não, meu caro, o pavor não está apenas no bandido, escuro
Ou bichos escatológicos
ele está ali, te olhando, seu Fracasso
Seu carro quebrado, seu inútil namorado
Ele diz que você não deve ter medo, pois tem de ser forte
Mas, você nunca se perguntou pra quem?
Se todos estão morrendo, o que custaria
Um pouco de você numa conversa
Num trabalho, numa faculdade
O quanto custaria, por um dia
Ter medos, mas não pavores
E poder se mexer dois passos
Sem a Doutrina do Medo?
Disse o mergulhador no escafandro
No fundo do oceano de si mesmo.
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sábado, 11 de novembro de 2017
Loiro lá fora
Aquele moço loiro, aquele moço lá fora
Ele jamais entendia o que dizíamos
Apenas ficava ali, falando coisas chatas
Profundas, mas chatas
Ninguém vive nas profundezas
Os peixes do oceano lá só estão
Os mais estranhos da criação
Não, aquele moço loiro andava pelo pátio
Cantando e dançando
Falando mais que deveria
Falando daquilo que não deveria
Falando do que não sabe? O suficiente?
Aquele moço era um bobo
Da corte dos não-nobres
Dos homens-mulheres-comuns
Dos normais, com alguma substância
Não, aquele dançarino, viajava entre os montes
Dos últimos mapas
Nas fronteiras do bizarro
Abraçado com as poucas ninfas que conhecera
Era um pobre, parvo
Pobre bobo da corte
Sempre divertindo, porém nunca regendo
escrevendo ou conhecendo
Sua função era fazer rir
Mas, quando ria?
Ele jamais entendia o que dizíamos
Apenas ficava ali, falando coisas chatas
Profundas, mas chatas
Ninguém vive nas profundezas
Os peixes do oceano lá só estão
Os mais estranhos da criação
Não, aquele moço loiro andava pelo pátio
Cantando e dançando
Falando mais que deveria
Falando daquilo que não deveria
Falando do que não sabe? O suficiente?
Aquele moço era um bobo
Da corte dos não-nobres
Dos homens-mulheres-comuns
Dos normais, com alguma substância
Não, aquele dançarino, viajava entre os montes
Dos últimos mapas
Nas fronteiras do bizarro
Abraçado com as poucas ninfas que conhecera
Era um pobre, parvo
Pobre bobo da corte
Sempre divertindo, porém nunca regendo
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Sua função era fazer rir
Mas, quando ria?
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domingo, 5 de novembro de 2017
Ode a pilha de livros
Minha vida se resume a comprar livros que não lerei
Parei de lê-los
Leio vidas agora
Leio pessoas
Elas estão lá, com sua palavra
Texto e frases
Buscam efeitos, buscam ser românticas, filosóficas
Criticam a poesia, criticam a ficção muito fantasiosa
Ou, vivem nela, buscando um mundo
mais simples?
Minha vida se resume a comprar livros
Estou rodeados por eles
Cada vez que chego na página 40
Paro, compro outro
E mais outro
Simplicidade das pessoas
Que buscam nas páginas mais letras que
Não existem nelas mesmas
Na vida cotidiana
Na beleza que não é mais aceita, apenas
imposta
Liberdade de ler que é apenas
A liberdade que dizem ser a correta
Correção
Das palavras, de cada frase
Seu sentido latente, seu contexto maior
Que o poema
Páginas dizendo mais que as palavras
O que se escreve com o coração já não importa
Só se o livro é bonito, burguês ou progressista
Não importa, o que vale é a capa
Ou fingir que busca a essência
Ou fingir que está lendo isto daqui
Enquanto vomita seu ar na rua
Do mundo
Enquanto escreve a sua existência
nesta leitura
O mundo não está ligando
Ligue-se um pouco em si mesmo
E vá ler esta pilha de livros que comprou
Ou lutar contra eles, minimamente com palavras
Pois, eu, Quixote, já estou derrotado
Mas, melhor já ter passado pela batalha
(dentro de livros?)
Do que perdido entre as ruelas
Vomitando o seu ar
Da existência pela existência dos outros.
Parei de lê-los
Leio vidas agora
Leio pessoas
Elas estão lá, com sua palavra
Texto e frases
Buscam efeitos, buscam ser românticas, filosóficas
Criticam a poesia, criticam a ficção muito fantasiosa
Ou, vivem nela, buscando um mundo
mais simples?
Minha vida se resume a comprar livros
Estou rodeados por eles
Cada vez que chego na página 40
Paro, compro outro
E mais outro
Simplicidade das pessoas
Que buscam nas páginas mais letras que
Não existem nelas mesmas
Na vida cotidiana
Na beleza que não é mais aceita, apenas
imposta
Liberdade de ler que é apenas
A liberdade que dizem ser a correta
Correção
Das palavras, de cada frase
Seu sentido latente, seu contexto maior
Que o poema
Páginas dizendo mais que as palavras
O que se escreve com o coração já não importa
Só se o livro é bonito, burguês ou progressista
Não importa, o que vale é a capa
Ou fingir que busca a essência
Ou fingir que está lendo isto daqui
Enquanto vomita seu ar na rua
Do mundo
Enquanto escreve a sua existência
nesta leitura
O mundo não está ligando
Ligue-se um pouco em si mesmo
E vá ler esta pilha de livros que comprou
Ou lutar contra eles, minimamente com palavras
Pois, eu, Quixote, já estou derrotado
Mas, melhor já ter passado pela batalha
(dentro de livros?)
Do que perdido entre as ruelas
Vomitando o seu ar
Da existência pela existência dos outros.
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romântico
sábado, 28 de outubro de 2017
Submarinar
Entrou num submarino
E o oceano era o coração dela
Nemo adentrava nas profundezas, a cada dia
Cada sorriso, jantar, cineminha
Já não estava sozinho, o capitão
Meu capitão
Porém, na imensidão se encontrava
E sobre toda a massa aquática havia
O reflexo da lua lá no alto
Lá no alto
Ele ali, nas profundezas
Ele estava ali, e era o sonho dela
Ela olhava pra Lua buscando um espelho
Nemo adentrava em seu peito
E cada vez mais, lá montava
Um lar quente
Nas profundezas
Do Oceano de Raiana.
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dez mil léguas submarinas,
here with me,
namo,
Oceano,
poema,
The Killers
domingo, 15 de outubro de 2017
El Bravo
O Bravo entrou naquela sala, nele já não havia mais nada
Apenas a vontade de luta armada
Jamais pensada, cogito logo existo
Precisava existir ao menos numa última noite
Mesmo que fosse naquela data
Após aquela bela tarde de jovens brilhantes e cinéfilas saltitantes
Suas garras tocavam as coisas, delas ficava o breu.
O Bravo já não era o mesmo, nem aos seus
Escondido entre versos e poemas podres
Sua lâmina espada tinha endereço fixo, o próprio
Peito
Não a outro, mas, ao próprio Bravo tinha-se desfeito
Desfaço em fita e laços que jamais tive, ou terei
Não confio mais em mim, quem dirá nos outros,
Quem dirá na própria lâmina
Disse o homem ao chegar na boca da caverna
Ao pé da montanha
Havia uma quimera lá, disse um aldeão vizinho
Entrou de pé-a-pé, quietinho
Noite fria do Sul, chuva fininha do Leste
O sol não nascera, apenas uma luz vermelha
Adentrando o Bravo olhou
Caixa de tesouro de um lado
Uma foto de uma bela dama n'outro
A poção da sempre-vida num canto
Aonde estava a criatura, questionava o Bravo?
A criatura era eu.
Quimera, fragmentado
Com o jornal lido embaixo do braço, xícara de café
A metade
Nenhuma visão do futuro que não fosse
A próxima meia hora perdida do relógio
Sua vida era desprezível, punível
Por não aproveitada
Mas, o Bravo ainda me olhava, com a lâmina guardada
Escondida
Nela havia meu nome
E eu escrevi o nome dela
Não podia fugir agora
Era escritor perseguido pelo texto
Pela memória ingrata
Das palavras que mesmo escritas
Perseguem
Matam
Acolhem no abraço
Sinfonia das palavras
Fúnebre dos combates jamais vencidos
Pois, jamais foram lutados
Era escritor rugido de seu próprio poema
Queria ser Bravo
Só fui Quimera.
Apenas a vontade de luta armada
Jamais pensada, cogito logo existo
Precisava existir ao menos numa última noite
Mesmo que fosse naquela data
Após aquela bela tarde de jovens brilhantes e cinéfilas saltitantes
Suas garras tocavam as coisas, delas ficava o breu.
O Bravo já não era o mesmo, nem aos seus
Escondido entre versos e poemas podres
Sua lâmina espada tinha endereço fixo, o próprio
Peito
Não a outro, mas, ao próprio Bravo tinha-se desfeito
Desfaço em fita e laços que jamais tive, ou terei
Não confio mais em mim, quem dirá nos outros,
Quem dirá na própria lâmina
Disse o homem ao chegar na boca da caverna
Ao pé da montanha
Havia uma quimera lá, disse um aldeão vizinho
Entrou de pé-a-pé, quietinho
Noite fria do Sul, chuva fininha do Leste
O sol não nascera, apenas uma luz vermelha
Adentrando o Bravo olhou
Caixa de tesouro de um lado
Uma foto de uma bela dama n'outro
A poção da sempre-vida num canto
Aonde estava a criatura, questionava o Bravo?
A criatura era eu.
Quimera, fragmentado
Com o jornal lido embaixo do braço, xícara de café
A metade
Nenhuma visão do futuro que não fosse
A próxima meia hora perdida do relógio
Sua vida era desprezível, punível
Por não aproveitada
Mas, o Bravo ainda me olhava, com a lâmina guardada
Escondida
Nela havia meu nome
E eu escrevi o nome dela
Não podia fugir agora
Era escritor perseguido pelo texto
Pela memória ingrata
Das palavras que mesmo escritas
Perseguem
Matam
Acolhem no abraço
Sinfonia das palavras
Fúnebre dos combates jamais vencidos
Pois, jamais foram lutados
Era escritor rugido de seu próprio poema
Queria ser Bravo
Só fui Quimera.
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bravo,
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lâmina,
mirrorverse,
new retro wave,
poema,
quimera,
sala,
se acabe logo,
suicídio,
Turbo Knight
sábado, 14 de outubro de 2017
Abismo
Se está na beira dum abismo, pula ou não pular
Ato ou infinitivo, como este pensamento, nestes dias de sombra
Me escondi entre nós mesmos
Mostro cada vez mais, minha face monstruosa a
Quem amo.
Mas, ela é, parece, a única amiga que tenho
Aquele rosto que já não mais se reconhece em nada, não pensa mais em nada
Pro futuro
És o mais perigoso.
O navio partiu e há muito pouco o que se ver
Além do mar aberto
Do oceano profundo
Das lágrimas que estão lá, perdidas no meio dele
Menos salgadas por que sei que outros sofrem?
Já não sei mais, é
A beira do abismo que fascina
O voo de Ícaro, protegido em seu salto por uma corda
Amarada no pescoço.
Ato ou infinitivo, como este pensamento, nestes dias de sombra
Me escondi entre nós mesmos
Mostro cada vez mais, minha face monstruosa a
Quem amo.
Mas, ela é, parece, a única amiga que tenho
Aquele rosto que já não mais se reconhece em nada, não pensa mais em nada
Pro futuro
És o mais perigoso.
O navio partiu e há muito pouco o que se ver
Além do mar aberto
Do oceano profundo
Das lágrimas que estão lá, perdidas no meio dele
Menos salgadas por que sei que outros sofrem?
Já não sei mais, é
A beira do abismo que fascina
O voo de Ícaro, protegido em seu salto por uma corda
Amarada no pescoço.
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
Veneno
Veneno
Aquela coruja das pradarias, me visita noite
Aqueles olhos de vidro refletidos em uma brilhante Rua XV
Aquele momento no show do Noel, stand by me
Don’t Look Back In Anger
Aquela coruja das pradarias, me visita noite
Aqueles olhos de vidro refletidos em uma brilhante Rua XV
Aquele momento no show do Noel, stand by me
Don’t Look Back In Anger
Pingo por pingo
Caem aquelas memórias e me matam
Coisas preciosas, diamantes, estrelas voadoras, passos que já
não escutamos
Fora de minha lembrança
Fora dela, apenas o Esquecer, a morte do ser
Mas, parece que elas eu não esqueço
Entre quem vejo sempre, quem falo as vezes
Quem jamais vi outra vez, desde que saiu do bus
Escuto sempre que posso seu piado na noite, coruja
Lembrarei sempre dos seus olhos brilhantes naquela avenida de gente
Da aventura paulista
O mundo é enorme e vasto,
Império dos Esquecimentos
Mas, ainda estou aqui, com vocês
Nas memórias que valem a pena
Veneno que não mata
Vive.
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domingo, 24 de setembro de 2017
Tristeza abraço
Tristeza.
Uma vez você disse pra mim
Que viria me encontrar numa tarde
Pra irmos ao Parque das Rosas Azuis
Você veio na calada da noite, eu já estava em casa
Não estava com fome
Não estava cansado
Não tinha problemas sérios na vida
Você só veio, colocou a cabeça no meu peito e disse:
Meu amor, você sempre terá alguém comigo...
Uma vez você disse pra mim
Que viria me encontrar numa tarde
Pra irmos ao Parque das Rosas Azuis
Você veio na calada da noite, eu já estava em casa
Não estava com fome
Não estava cansado
Não tinha problemas sérios na vida
Você só veio, colocou a cabeça no meu peito e disse:
Meu amor, você sempre terá alguém comigo...
Então, sempre esteve
Em algum momento, em alguma hora, desde o ônibus
Até o dia nublado, do mais belo tempo ensolarado
Nunca deixou de cumprir sua promessa
É uma pena, que você não tenha um corpo
Me casaria com você, sua fidelidade é impecável
Tristeza,
Não é o que nos joga no lago, nos afoga em nós mesmos
Ela só permanece
É o permanecer da mortalidade
É o desejo de incontáveis coisas desistidas
É uma força da natureza.
Não se escapa de ficar triste
O dia tem sempre o crepúsculo
Não cabe aqui a defesa da mortalidade,
Não termina com boa mensagem
Não existe caminho fácil
Viver é difícil
Mas, sua companhia em algumas horas é o que tenho
E precisamos, apenas precisamos
De um abraço.
E do seu cadavérico beijo, Tristeza
Me despeço, me dispo de mim mesmo
Aquilo é ainda um feche de luz, ou o fino do último raio?
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domingo, 13 de agosto de 2017
Sobre Poetizas
"O amor romântico é, ao que parecem, uma criação masculina. Observo isto na poesia: é muito difícil encontrar uma poetiza ou força artística que se devote eminentemente a ideia de amor romântico, trata-se mais de formas de enxergar o relacionamento; aonde o lugar comum enxerga a mulher como sentimental, talvez ela seja a verdadeira potência racional, fria e calculadamente do amores. As poetizas, focadas em sua maioria no existencialismo, política ou poema-concretos apenas me dão algumas provas disto. Não trata-se do "macho com superior no amor", trata-se de visões diferentes, talvez os poetas tenham apenas uma idealização do amor para o seu gênero mais antiga ou com profundas diferenças daquela feminina, talvez os príncipes tenham sido criados pelos sapos."
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sábado, 12 de agosto de 2017
Outros
Outros
São a porta entre o eu e o você, entre aquele
E nós, entre tudo e tudo um pouco
É a visão do outro que tentamos, em vão
Encaixar em nossas cabeças
Entretanto, os olhos são dos outros
O inferno são eles
E eu, por ora, inferno sou
Outro de você mesmo
Olho no espelho e vejo você
Mas, já é outra
Coisa, inferno
Apagado, escrevo na soleira da porta
Esperando que anjo não venha a noite
Levar m'alma
Porém, já não preciso mais olhar no olho d'outro
E se aquele vier me buscar
Pelos de peito aberto poderia, uma pouca e última vez
Imaginar o que teria sido
Ver a mim mesmo
Como outro que nunca fui
As vezes, precisamos ser
O espelho de nós mesmos
São a porta entre o eu e o você, entre aquele
E nós, entre tudo e tudo um pouco
É a visão do outro que tentamos, em vão
Encaixar em nossas cabeças
Entretanto, os olhos são dos outros
O inferno são eles
E eu, por ora, inferno sou
Outro de você mesmo
Olho no espelho e vejo você
Mas, já é outra
Coisa, inferno
Apagado, escrevo na soleira da porta
Esperando que anjo não venha a noite
Levar m'alma
Porém, já não preciso mais olhar no olho d'outro
E se aquele vier me buscar
Pelos de peito aberto poderia, uma pouca e última vez
Imaginar o que teria sido
Ver a mim mesmo
Como outro que nunca fui
As vezes, precisamos ser
O espelho de nós mesmos
terça-feira, 8 de agosto de 2017
Ami
Caçando moinhos gigantes
Você apenas pode contar com uma
Foto de Dorotéia
E ter sorte de ter um amigo Sancho
Se fosse Dom teria de amigo até o Príncipe
Quixote, somos todos detentores de uns poucos amigos
Tesouros da ilha perdida de Crusoé
Se todos querem ser Pernalonga
Apenas nós, Patolinos de fato, podemos contar com
Este sonho
Em nossos parcos amigos
Amizade é uma ciência da escassez
E as vezes da escolha
Você apenas pode contar com uma
Foto de Dorotéia
E ter sorte de ter um amigo Sancho
Se fosse Dom teria de amigo até o Príncipe
Quixote, somos todos detentores de uns poucos amigos
Tesouros da ilha perdida de Crusoé
Se todos querem ser Pernalonga
Apenas nós, Patolinos de fato, podemos contar com
Este sonho
Em nossos parcos amigos
Amizade é uma ciência da escassez
E as vezes da escolha
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segunda-feira, 7 de agosto de 2017
Fernanda
Fernanda olhou a borboleta
Viu ela voar
Viu ela levar embora com ela
O sonho de Fernanda
A lágrima seca, a esperança pateta, aquela última viagem
"Vem pra casa, filha!" Gritou a voz masculina
A menina olhou a pequenina planar
Planar e voar
Até sumir
Escondida entre os planetas
Que o céu azul esconde de nós
Éter inebriante das borboletas sumidouras de sonhares
De Fernanda
Viu ela voar
Viu ela levar embora com ela
O sonho de Fernanda
A lágrima seca, a esperança pateta, aquela última viagem
"Vem pra casa, filha!" Gritou a voz masculina
A menina olhou a pequenina planar
Planar e voar
Até sumir
Escondida entre os planetas
Que o céu azul esconde de nós
Éter inebriante das borboletas sumidouras de sonhares
De Fernanda
quinta-feira, 20 de julho de 2017
Bandeira
Bandeira
Faz o ideólogo marchar, faz
Bandeira
Faz o militante confrontar, faz
Bandeira
Faz o general bravejar, faz
Bandeira
Faz o intelectual teorizar, faz
Bandeira
Faz o artista contestar, faz
Bandeira
Faz o jornalista questionar, faz
Bandeira, interessado nela, fui atrás de entrevistá-la
Encontrei apenas um ente que tremula
Silencioso, retumbante em seu movimento
Balangando no vento, das tempestades até as brisas
Tentei tirar duas ou três palavras
Só encontrei o movimento
Só encontrei o movimento da bandeira
No vento
Ela mesmo, arrancada do pedestal, apenas um pedaço de pano
Apenas com xícaras de chá, capas de livros
Forjados sobre fuzis e sangue
Apenas isto, um pedaço de pano no tempo
Bandeira, pus ela novamente no pedestal
Vi o vento suave da tarde movê-la
Ouvi ao fundo eles vindo
Era meu fim, a última tarde de um homem
A bandeira valia uma vida, talvez não
Mas, com certeza ela vale a vida de milhares
Pois, ninguém liga pra números, só ligam pra cabeça e para os reis
Dizer o contrário e fingir não ver a Bandeira
Lá, tremulando, na brisa
Das batalhas que ainda não viu
Bandeira, finge
Ser, faz e finge
Que a bandeira faz
(EEmil Hadaward)
Faz o ideólogo marchar, faz
Bandeira
Faz o militante confrontar, faz
Bandeira
Faz o general bravejar, faz
Bandeira
Faz o intelectual teorizar, faz
Bandeira
Faz o artista contestar, faz
Bandeira
Faz o jornalista questionar, faz
Bandeira, interessado nela, fui atrás de entrevistá-la
Encontrei apenas um ente que tremula
Silencioso, retumbante em seu movimento
Balangando no vento, das tempestades até as brisas
Tentei tirar duas ou três palavras
Só encontrei o movimento
Só encontrei o movimento da bandeira
No vento
Ela mesmo, arrancada do pedestal, apenas um pedaço de pano
Apenas com xícaras de chá, capas de livros
Forjados sobre fuzis e sangue
Apenas isto, um pedaço de pano no tempo
Bandeira, pus ela novamente no pedestal
Vi o vento suave da tarde movê-la
Ouvi ao fundo eles vindo
Era meu fim, a última tarde de um homem
A bandeira valia uma vida, talvez não
Mas, com certeza ela vale a vida de milhares
Pois, ninguém liga pra números, só ligam pra cabeça e para os reis
Dizer o contrário e fingir não ver a Bandeira
Lá, tremulando, na brisa
Das batalhas que ainda não viu
Bandeira, finge
Ser, faz e finge
Que a bandeira faz
(EEmil Hadaward)
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segunda-feira, 17 de julho de 2017
Eu sou minha própria tempestade
"Eu sou minha própria tempestade"
Meus raios, minha chuva
A bonança que, quietinha, me faz sorrir naquela tardinha
Tudo isto rodando em uma espiral de fúria e frases jamais ditas
Pois, o silêncio do pensamento é uma benção
Que apenas a nossa voz espanta
Nunca te disse o que deveria dizer - pensa o gringo
Estrangeiro de si mesmo
Estamos todos numa viagem
Ora tempestuosa
Na maioria do tempo, o clima parece este
Temperado com sabores do vento
Jamais aquelas tardinhas parecem tão grandes quanto
O som dos trovões
Daquele beijo vazio, daquele tchau que eu dei
Para uma lembrança antiga
Não, não posso pensar apenas no perdido, ganha-se muito
Perde-se tudo
Na espiral da lembrança
Eu sou minha própria tempestade
E jamais escapo dela
Talvez você não esteja preparado para entrar
Porém, que chance tenho?
Se este visitante estrangeiro
Que sou eu
Só vai embora quando estiver morto?
(EE)
https://www.youtube.com/watch?v=_Y4VE8CJhlg
Ps.: Melhor disco do ano
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tempestade
quarta-feira, 28 de junho de 2017
Boa noite n1
As vezes você só consegue escrever
embrigado
Ou seja, é terrível quando se
É abstêmico
Embriaguez é de tédio
Ou é tediosa a embriaguez de escrever
Da escrita
Espada de dois gumes
As palavras cortam o teclado
Como cortam a sua cabeça
Pelo agir e mover dos teus olhos, moça
Moço
Calma na leitura, poesia é curta
Mas, é calma
Só funciona
Com lentidão da memória
E aí ela vem
E corta
Zup
Acabou a ideia
"-Boa noite, vou dormir"
Ela me disse
E fiquei sem ela
Minha poesia
Da palavra nunca dita
Naquela esquina
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