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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Vento


Eduarodo, nunca vai poder falar à ninguém
Vivemos no silêncio
Tumular de nossos sentimentos
Alguns apenas sentem demasiado
Isto é errado
O que não indica se é profano ou sagrado
Ora o que se sente transcende o habitual
É arte
Ora converte em espúrio, o banal
É grotesco
Porém, é silêncio que todos temos
Para com todo o outro
Não para com Ele, que tudo conhece
Se crê nisto
Em débeis frases congelamos o pouco
Do sentido que compreendemos
Alguns, com sua estrada, buscam
Fazer uma escada para o sol
Iluminar a tudo consigo
Outros, cavam a terra, em busca de dureza
E de pedra, erguer castelos e famílias
Outro erra, viaja como a água
Espalha continente, de sentimento
Eu, Eduarodo, apenas sou o vento
A brisa que traz algum alento
Alguma primavera
Mas, sou ar, so'vento
O vazio em que me atormento
Pura tempestade tumular
Daquilo que todos não podemos dizer
Daquele que não pôde mais amar.


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Suicidou-se
No copo de água que era sua alma
O inútil perdido na terra do tempo

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segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Se chorar e Escrever atormenta

Se chorar, canta um tiquinho
Se sorrir, guarda no espacinho
Em que brilhe seu coração
Uma lembrança boa
Uma nota bela


Anda, aguenta firme
Existe sol na janela
A esperar que te conquiste
Um pouco de sossego nesta vida
Um pouco,claro, de momento triste
Uma paz com você
Que insiste
Em ver eu
Como eu
Não sei ver

Anda, aguenta
Que o coração não arrebenta
Se durar mais um dia
Se mantém a sonhar
A fazer
À tentar
Canta a música da sua alma
Pela janela, o universo
Sorri meu abraço

---
Escrever, uma atormentação
Seja dos diabos
Seja a firmeza divina que me sustenta
Sejam estas palavras entrecruzadas
Escrevo mal, pois não quero ser lido
Tenho medo da descoberta deste produto
Deste pó, deste egoísmo que é meu estilo
Meu pedestal de artista é mínimo
Poucos amigos, poucos sorrisos desperto
Nada tendo para criar, repito
Repito o que encontro no meu peito
É lá que acho minhas palavras
E em alguns poucos livros
E em muitas conversas
E em caros amigos
Não espero mais nada desta vida escrita
Não escrevo nada que não circule
Entre a amargura
Ela entra, se instala e me diz sempre:
-Você fracassou, garoto... Olha os outros
Olho, vejo sorrisos, vejo a vida
Mas, não há, duvido, não a vejo em mim
Escrevo palavras mortas, não para gente só viva
Mas, para quem está um pouco morto
Tento aluminar uma laterna, acender um cigarro, lhe dar um café
E cortando as linhas como estrofes, busco lhes dar um fundo, mínimo, é verdade
De que é possível, mesmo para um inútil como eu
Dar esperança:
Voem, cresçam
Esta é a palavra dos mortos, daqueles
Que fundam e firmam a terra sob seus pés
Vá, escreva
Vá, voe
São as linhas de um moço que no fracasso, ainda escuta o som do infinito.

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-Deita teu ouvido no chão, pequenino, ascuta... A voz daqueles que firmam teus pés, aqueles por quem trilha seus passos. Honra os mortos com as linhas que escreve, bastião, na tua estrofe no livro da vida (Eduardo Ricieri, Os 9 Castelos, 2025)

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Os contos de Dalton e os haikai de Leminski combinam com nosso calar de poucas palavras curitibanas. São parte de nossa paisagem Geográfica Literária...

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Quarta silenciosa

A desculpa que cala a alma
Caldo do espírito, despeja a boca
Quase em vício
Quase em doença
Não admitindo que você é este si mesmo
Que erra
Mas, não sempre
Não sempre, pequeno ser
Há momentos para ser desculpados
Há aqueles em que você merece desculpa
Outros, apenas um abraço resolve
Apenas um pequeno gesto de si
Mas, aquele que falto no outro, no todo
Talvez doa mais
E a atenção dispendida para você
Machuca
Doendo a dor que causa no outro
Por simplesmente você existir
Ser irritante, esquisito, arrogante
Isto é um motivo pra se voar pela janela


Mas, não hoje
Me desculpo de novo, por estas linhas
Você que lê
Desculpe minha companhia, ela é apenas
Humana
Buscando ser livre
Mesmo sendo miserável, bloqueada e pequena
Humana
Viva
Errada
Ao qual, as vezes, acaba acertada

Desculpe o incômodo

---
No aro do óculos
Pia
Andorinha das ideias, gralha que foge aos braços
Seu contorno que me dá abraços
Salva-vida com palavras

---

Nesse arremedo de gente solitário
Não se concerta o que não tem peça
Felicidade, não acredita
Amores, já deixaram todos de lado
A guerra, já perdida
Sobrou eu, o pensar e a morte.
O corpo é um túmulo, amarrado
Dentro de si mesmo
Por uma inócua sede de ficar vivo
De ver como tudo fica
De resto, não acredito nas pessoas
Não acredito que existam
Não posso mais vê-las
A atualização foi feita com sucesso
Um homem moderno
Vendo discursos prontos, vendo palavras belas
Vendo ideais
Apenas imagens, sem coisas
Formas mal feitas
Para cabeças sem essência
Para povo sem gente
Humanos sem pessoas
Nesse arremedo de gente,
A peça se perdeu, pra se concertar
Os atores são péssimos, a harmonia não existe
Pego-me em Deus, no silêncio
De algum olho amigo
Mas, ao leitor que lê
Espero, sei na verdade, que não vês nada disto
Que és real e ambicioso pra ti mesmo
Que sou um fraco, tratável nas pílulas
Apenas um vagabundo
Apenas um gato vagabundo
Miando poeminhas
Apenas um homem moderno
Remendado
Finamente
De gente
A peça não se fabrica mais
E os atores são péssimos


Diálogos de um cego em si



sábado, 7 de abril de 2018

Seis poetas de sábado

Estava andando pela rua cheia de matos, quando
Súbito ouvi seus passos
Cantava sobre o vento
Riscava sobre a estrada se seu olhar
Eu a vi, mas já não havia vida mais lá
E pelo encanto, por magia tremida da terra
Fui varrido para dentro dela
E já não havia mais nada ali
Já não havia mais eu
Apenas ela
Apenas tudo, mas apenas no passado de seus passos
Que eu caminhava e existia
Não era uma sombra, mas a inflexão
Entre seus lábios a cada palavra a te ouvir
Entre seus cantos de olho, lá eu estava
No pequeno assobio do vento
Estava em todo o lugar com ela, mas
Já não estava
Não mais


Meu nome era Tobias,
Um grande gato amarelo e gatuno
Que pelas pradarias te via e encontrara
Escondida em uma brisa de passos


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Rute olhava o Céu
Era o seu maior crime, em um mundo feito de pedras
Ela foi presa numa torre, mas de lá ainda olhava o infinito
Buscando respostas
Buscando a si
Rute era mal vista, ninguém gostava de Rute
Mas, ela andava por ruas vazias
E se sentia presa por forças invisíveis
Rute, uma alma que viajou
Estava nas estrelas
Mas, também estava ali
Enquanto caia
Rute voava pela janela, já não era mais
Rute
Já não existiam mais sombras de ninguém
Quando viram Rute desaparecer
Ela já não mais olhava
o Céu




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Foi a última vez que vi Tomé
Me falava de sua última viajem de ácido, ou pra Barcelona
Já não me lembro, já não lembro o que havia no meu copo
Ele entrou num ônibus
E as portas se fecharam fazendo um som estranho
Tomé estava dentro de uma enorme serpente metálica

De toda a tua técnica empregada
De toda a força que lhe torceu o metal
De toda a matéria morta para fazer seus motores gritarem pela cidade
Apenas via meu amigo ir embora
Apenas senti um pequeno bater de asas de borboleta

E quando vi, estava no furacão
Estava no olho daquela cama, que me puxava
A gravidade do sono dos justos
E eu nem era tanto assim
Cansado, caí, tombei
E nunca mais vi Tomé
Ele agora estava lá
Eu ali
Em algum lugar
Todos nós estamos
Mas, você escuta o bater das asas?

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JAMAIS FUGIRÁ DO MEU JULGO
FARISEU DOS INFERNOS
Gritou o homem nos montes nos primeiros anos de nosso calendário
JAMAIS FUGIRÁ DE MINHA JUSTIÇA
Ó INFIEL
Disse algum europeu no medievo
JAMAIS FUGIRÁ DE MEUS GRITOS DO QUE É VERDADE
Ó IGNORANTE
Me disse aquele pequeno homem com suas estatísticas e ferramentas de medição
JAMAIS FUGIRÁ
DE TODO O MEU APARELHO
Me disse o censor, antes de cortar minha cabeça,
Botá-la numa caixa
Deixá-la "bonita, formal e justa"
Fazer com que eu clamasse palavras que não reclamara
Que não entendia
Apenas em um grito uníssono
Apenas um grito
Apenas mais um na história humana
Dos enormes pesos dos olhos dos outros
Sobre sua fronte
Sobre seus olhos, apenas a tormenta


Não poderás fugir de nós
Oh, jovem das trilhas
Nós temos agora o Aparelho
E você, apenas a sua consciência


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Estava mascando chiclete
Andando de bicicleta
Na praia mais linda dos teus olhos
Perdidos no mar de abril


Quando se ama,
Não se perde
Se acha tudo
Até o erro é doce
Até o amargo é apenas uma pedrinha
Só vejo pontes quando amo
Jamais muros
Jamais as muralhas se elevam

Estarei amando?

Estava
Não

E daquele chiclete grudado embaixo da mesa
Daquele café que te fiz
Daquela luz da praia que agora
É o pôr do Sol numa montanha qualquer
Vi um pequeno túnel
Uma pequena trilha de pedras
De mãos dadas
Abraços
E amigos

O amor não é misterioso
Só se vive sendo muito mais no corpo d'outro
As vezes, por fortuna, aquele também responde
O sinal do farol
Senão, a vida se vive
No mar persegue
Meu tesouro
A minha pérola de seu olhar
O seu sorriso que apaga toda a chama do peito
Toda aquele turbilhão que sai,
Que te sente
Sente ao ver, ao tocar, sentir com cada parte
Está ali, naquela trilha
Já não vejo apenas pontes, construo o que quiser
Já consigo firmar meus passos no horizonte
E nós, dois equilibristas da Vontade
Afastamos e voltamos
Como a maré que nunca te deixa
O mar
De meus olhos
Meus desejos

Imensidão de oceanos
Profundidade de carícias
Universo de mim em nós
Me compra um chiclete?

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A palavra que escrevo
É de um desocupado
Escrevendo nas paredes, tentando gritar
Naquela cela dentro de si
Que para outros é tão macia, quanto qualquer
Outro navio
Partem para aventuras, escrevem para mim
Apenas os vejo
Não estou com eles
Apenas os vejo contando sobre o resto de suas vidas
O desprezo do desocupado
Daquele que apenas nunca verá nada de belo
Pois, apenas está sobre as feias
Tripas do desassossego


Aquele homem magro, chamado Eduardo
Estava entre os últimos que embarcaram no trem
Ele olhava para mim com olhos fundos de polaco
Azedo entre as palavras
De um desocupado
Não via nada mais que uma prisão
Aonde eu via uma estrada
Aonde eu estava?
Estava ali, a olha Eduardo com tons sérios
Enquanto seus olhos fechavam
Cintilantes de uma noite de 20 horas acordado
Eu o olhava fixamente naquele trem
Em cada palavra
Do desocupado
De si mesmo
Negava ocupação

E, no espaço vago, desocupado
Eu estava olhando Eduardo
No reflexo do espelho
Às 6 horas da manhã
No lugar vazio, o Eduardo
Sentando
Não-existindo
Entre alguma perdida manhã de sábado

terça-feira, 20 de março de 2018

Autoembuste

Autoembuste
Caminhando na estrada dum véu da noite sai do meu peito, caça
Minha sombra
cai sobre mim
A espada das não-realizações, não necessárias de serem grandes
Apenas aquelas pequenas, apenas aquele pequeno abraço
Não, sem mais abraços, sem mais constelações
A sombra cai sobre mim
Com seu peso não gélido, sem dos fogos do inferno
Não, não sinto esta cacofonia
Sinto apenas a liberdade do tédio que vem de vocês
De você, homem-palavra,
Verbo-incompleto, você é apenas uma ideia
Não, ainda que a fosse seria melhor


Autoembusteiro que sou
Saboto-me naquele precipício, naquela faca que corta minha veia, naquela corda que me suspende no ar
Naquilo tudo, ainda não escapo
Desejo a Morte, da solidão, de meus inimigos e de minhas não-realizações
Armado dos arrependimentos
Guardado algum sorriso, não, ele é falso agora
Saboto-me entre os campos de trigo
Sou o joio
Precipito o filho pródigo, mas apenas sinto que dei
Pérolas aos porcos
"Sou eu o suíno", diz minha própria sombra

E a noite cai, meu guarda-chuva faz de sua ponta
Som rítmico na noite
Jamais fria, jamais quente, não mais tediosa
Apenas, nada, o nada de nada
E a Fúria
Apenas ela, me segura nas bases das pernas
Precipício da Terra

Desejo a morte e a cumpro
A morte da poesia
Das estrofes
Dos versos
Mortificação da poesia
Abraço o autoembuste
Limpo o cuspe dos gentis da face
E fingo que escrevo estas linhas que você lê
Saboto-me naquele precipício que são as palavras
E a sombra sorri

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Coração de Lídia


O coração de Lídia se viu na encruzilhada
Dos meios das infinitas pontas
Dos cantos dos olhos das pessoas
Lídia via entre as diversas pontes
Entre as diversas fagulhas de espírito
A vida entre cada uma delas
A voz temida da morte, em Lídia já não mais cantava
Naquele voo ela caminharia para as estrelas
Libertaria o seu coração
E, foi, indo
Foi, indo
E
O braço forte de Ribeiro a segurou
Soldado de várias tomadas e batalhas, o bombeiro
A olhou, nos olhos azuis de seu céu
Naquela tarde de fevereiro
Naquele momento, no penhasco
E o abismo falou de volta
E a calda dos corações raivosos, cantou
Pela fraternidade daqueles dois
E, no passo
E, no pé
Em falso
Ambos despencando, ambos deixando o meu olho vidrado
Na tv; vendo Ribeiro e Lídia
Vendo a igualdade de minhas vidas, de minhas mortes
De tudo o que persegui, por aquele momento
Do suspiro trancado
Do beijo esquecido
Do motivo abarcado nos inúmeros esforços inúteis
Na inutilidade, naquela melancolia
Naquele sorriso, naquele abraço
Voaram
Por um momento voaram
Mas, a vida lhes trouxe de volta
E num abraço dentro da janela se foram
Sem jamais eu soube
Quais eram seus verdadeiros nomes
Qual era o verdadeiro eu
Só apenas sabia, sabia apenas
Que eu me segurei aquele dia
E
E me segurei naquele impulso
Da vida diária dos pulsos
Daquele ar flutuante que voa
Pelas janelas do céu


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Inseto no café

Eu vi o pequeno inseto cair no café
Lembro quando salvava, desde as formigas
As coisas pequeninas
Vi ele e deixei se afogar, lentamente, no café
Eu queria beber aquilo, tava quente no ponto certo e com pouco açúcar
Mesmo que salvasse aquele bicho, já se fora o café...
Seus movimentos foram terminando, pouco a pouco
Até que a cinética da vida
Abandonou, com espasmos de sua pequena carcaça
Já não estava mais vivo
No meu café


Me surpreendi quando acordei
Eu era o inseto, já não voava
E rodeado de cafeína líquida
Se mover estava cada vez mais difícil

domingo, 15 de outubro de 2017

El Bravo

O Bravo entrou naquela sala, nele já não havia mais nada
Apenas a vontade de luta armada
Jamais pensada, cogito logo existo
Precisava existir ao menos numa última noite
Mesmo que fosse naquela data
Após aquela bela tarde de jovens brilhantes e cinéfilas saltitantes
Suas garras tocavam as coisas, delas ficava o breu.
O Bravo já não era o mesmo, nem aos seus
Escondido entre versos e poemas podres
Sua lâmina espada tinha endereço fixo, o próprio
Peito
Não a outro, mas, ao próprio Bravo tinha-se desfeito

Desfaço em fita e laços que jamais tive, ou terei
Não confio mais em mim, quem dirá nos outros,
Quem dirá na própria lâmina
Disse o homem ao chegar na boca da caverna
Ao pé da montanha
Havia uma quimera lá, disse um aldeão vizinho
Entrou de pé-a-pé, quietinho
Noite fria do Sul, chuva fininha do Leste
O sol não nascera, apenas uma luz vermelha
Adentrando o Bravo olhou
Caixa de tesouro de um lado
Uma foto de uma bela dama n'outro
A poção da sempre-vida num canto
Aonde estava a criatura, questionava o Bravo?

A criatura era eu.
Quimera, fragmentado
Com o jornal lido embaixo do braço, xícara de café
A metade
Nenhuma visão do futuro que não fosse
A próxima meia hora perdida do relógio
Sua vida era desprezível, punível
Por não aproveitada
Mas, o Bravo ainda me olhava, com a lâmina guardada
Escondida
Nela havia meu nome
E eu escrevi o nome dela

Não podia fugir agora
Era escritor perseguido pelo texto
Pela memória ingrata
Das palavras que mesmo escritas
Perseguem
Matam
Acolhem no abraço
Sinfonia das palavras
Fúnebre dos combates jamais vencidos
Pois, jamais foram lutados

Era escritor rugido de seu próprio poema
Queria ser Bravo
Só fui Quimera.




quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sol que ilumina a tormenta

A paz de uma vida atormentada
É o silêncio da busca pelo último suspiro
Em cada momento não vivido
E lembrado como se fosse o único.
Não existe mais nada a não ser o silêncio
neste frio espaço sideral
Compreendo pouco o que meus olhos não vêem
No frio do escuro
Do espelho pétreo do nada
Daquele sol queimante lascivo
Naquele ônibus que parte do Centro pro
Bairro
Observo rostos vazios
Nada me contam, nada me dizem
Eu não digo nada também
pela janela nós vemos uns aos outros
Passarem seus dias, na iminência
De morrer de felicidade.
Vejo as bocas que nada mais falam
A não ser dos beijos que não deram, ou se arrependem
Juventude alongada, nada mais pensa que não seja
Dominar o mundo que nunca será seu
Não, a paz de uma vida atormentada
É o silêncio do barulho da cidade
Ouço apenas barulho, não escuto pessoas
Pois, elas já se foram
Seus corpos ali, suas mentes
Tomando o ônibus do Centro-bairro
Eu talvez, também
Minha vida atormentada
Meus passos cansados
Já não tenho mais pegadas
Que veja e reconheça como minhas
Somos todos um pouco dos outros agora
Atormentados
Num mundo de jovens bobos, velhos imbecis
Bocas que jamais beijam mais de uma vez
Olhares que se perdem nas janelas
E sol
O silencioso sol
Que ilumina a tormenta


sábado, 26 de agosto de 2017

Se a vida acabasse agora
Não seria uma boa
Ir embora?
Tédio. Apenas isto que vejo.
Não existe nada além do beijo, dos gracejos, dos saberes
E poucas coisas que escrevo
Nada mais que os pequenos detalhes
Sem nada pra se ver.
A melancolia é uma bela bebida
Pra quem acha isto juvenil, adolescente
Sempre aos adultos que suas contas, ao que parece ser a chave
De ser maduro
Pergunto se tens coragem de ver o espelho sua imagem
Sem temer que aquela pessoa esteja ali
Te olhando no canto.
Nada mais encontro nos mapas, a viagem
Acabou.
Paz não existe, apenas as guerras de todo dia
Rotina das leituras, das engrenagens ou dos pão-café-com-pão
Se a vida acabasse agora
Não seria uma boa?
Ir embora.
Vou.
Fico
Cada piscada de olho, mais próximo do penhasco fico
Maior a estrada percorro
Na minha visão.
Tediosa, melancólica, infantil-imapeável.