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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Argonaútico – O último anjo #Agentes do Caos

Esta é a estória de uma coisa que ouvi antes de ir embora, antes de começar a viajar por aí e pelos outros. Sou o Panda Vermelho, o ser que recebeu a pela de djin e que a cada vez que matava alguém ou algo, tomava a coisa para si... Porém, eu sempre – desde que me tornei humano – me perguntei se isto era bom ou ruim... Quando era um ser racional, ou quando era criança, eu não tinha isto, porém, agora tenho... Mas, me perguntava se, eu fosse uma ”coisa ruim”, eu deveria ser a pior, não? Afinal, aprendo com a destruição, eu Sou a Destruição...
 Só que um dia, eu o achei... Tinha sentido algo estranho entrando numa cidade em que passava com minha Kombi, era uma vibração fraca, estranha... Desci a rua daquela cidade mineira antiga e empoeirada... Era noite, era escuro e tenebroso era o ar, típico, mas, não assustador...
 As luzes do farol vão correndo pelas esquinas e meus olhos vão acompanhando até aonde posso ver... De repente, ele está lá, desço do carro
Corro
Entrando pelas vielas escuras vou seguindo aquela coisa assustada, vejo restos de sangue no chão, vou chegando perto, mais perto, ali está ele!
...
-Então, o que é você?
O ser me pergunta. Magro, seco, de terno azul, dentes horríveis, no entanto, parece ainda meio-humano; meio-ser que me perguntava quem eu era, ao qual não liguei e perguntei:
 -Quem é você? – Ele estranhou, tinha falado comigo um inglês mal-falado, pensava que não entenderia esta língua, que tolo, é uma língua fácil, ao menos, pra minha idade.
-Meu nome é Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, sou um Argonaútico, uma Nave de Guerra do Clã KLKLKLK
-... Seu nome é um assobio? – Eu fiquei surpreso, nunca havia visto aquilo... A quem não sabe, aquilo não era uma simples onomatopéia, é toda uma língua antiga, uma coisa mais velha, que nem eu poderia supor o que queria dizer, o que, por consequência, quebra a coisa da minha idade que disse ali em cima.
-Sim, criatura. – Eu não estava na forma de humano, mas, de semi-humano, com minha cabeça de Panda Vermelho e pelos, mas, talvez ele estivesse mais assustado pela catana que estava a segurar embainhada ainda na mão direita.
-Meu Mestre disse que isto é língua de Anjo ou Demônio, o que você é? Pensei que estavam extintos... Desde que os Invasores tentaram dominar a Terra pela primeira vez e usaram as Máquinas Angélicas para matar a todos vocês...
-Sabes muito, muito mesmo... Quem é teu mestre? –Me perguntou a criatura-anjo.
-O Dragão Branco... Sei que você sabe que ele é um dos antigos donos das Máquinas... – O anjo, no alto de sua feiura, me olhou e comprimiu os olhos secos, ele era realmente horrível...
-Sim, eu sei.
Ficamos em silêncio, ele estava encostado numa parede, havia uma luz num poste. Tudo era frio, estava um dia frio naquelas bandas, entrava na minha pele, mesmo peluda, o que era estranho.
-O que há? Não irá tentar me matar? –Perguntei finalmente.
-Você quem está com a espada. Eu não sou idiota... Qualquer um que saiba e tenha tido os mestres que você teve, merece algum respeito...
-Mas, o que faz aqui, anjo? –Falei sorrindo para ele. Algo que sempre tinha desde que me tornei humano era metidez, um tipo de soberba ao ser obedecido deste jeito que ele fez, porém, como não fui criado com leis para reprimir isto através de caretas ou frases de auto-flagelação, era um ser metido “ao natural”.
-Eu? Bem, eu estou aqui... Na verdade – o anjo sentou num paralelepípedo na rua – eu vim para morrer...
-Como? Vocês morrem... De velhos?
-Acredite, meu caro, acredite... Poucos anjos morrem de velhos, assim como os demônios... Acho que só conheci um que havia conseguido isto, um amigo meu... Enfim, eu voltei aqui para pegar isto
Ele me mostrou um pequeno cordão, ao qual se prendia um pequeno boneco.
-Isto foi de um humano ao qual chamei de filha, uma vez... Eu tinha um problema dos anjos... Eu tenho uma síndrome, um tipo de doença que se chama: “Acorde”. Fico algumas décadas ou séculos dormindo, depois, acordo e vou ficando cada vez mais velho, mais doente... Era um tipo de defesa da espécie em alguns de nós... Pena que isto fazia com que eu perdesse meus amigos, perdesse contatos... Inclusive, acabei aqui em Varginha uma vez e fui confundido... Foi engraçado... Enfim...
-Tudo bem... – Fiquei calado, pois, a Morte era algo que não entendia muito, ao menos, nesta minha fase mais humana; virei-me, caminhando para a kombi – Vou deixar que um velho morrar em paz...
-Hey! Garoto... – Me berrou o velho.
-O que há?
-Você já ouviu uma história de alguém que esteve nos campos de batalha contra as Máquinas Angélicas? – Me disse o senhor, com esperanças... Percebi que ele tinha bigodes, era estranho, a pele seca, com bigodes...
-Ouvi do meu Mestre... Como já disse, o Dragão Branco...
-Sim, sei quem é seu mestre... Porém, o Aluno já sou o que era seu Mestre?
-Ele veio das Estrelas... Isto estaria bom, não?
-Hahahahaha – riu o velho anjo – Mas, então, você me parece um ser poderoso, porém, alguém poderoso sem curiosidade, como já vi muitas vezes na minha longa vida, não vale nada.
Fiquei um pouco com raiva, mas, ouvi ele. Falou-me o senhor que tinha ajudado, durante a Guerra há milênios atrás, um certo ser de pele muito branca... Ele não era nada mais nada menos que um dos colegas de meu mestre, ao qual morava na Índia e se chamava Vedas. Ele havia contado, como o anjo fazia para mim, sobre a história de seu povo, do por quê estava ali... Disse que, quando estivesse para morrer, que o anjo contasse também aquilo; em troca, o Vedas disse que o anjo iria sobreviver aquela guerra e até oito milênios depois, e assim, o velho ganhou a sua doença:
-Sim, foi uma idiotice... Mas, já me arrependi, viver com arrependimentos é mais difícil e tolo que aceitar o erro e continuar, mesmo que isto – lá dentro da gente – seja uma mentira... – Me disse ele, quando em contou isto.
-Então, quem é Vedas? Quem é o Mestre Dragão Branco?
-O que conto para ti, meu caro, é algo sobre muita coisa... Porém, não cabe num único dia, numa única fala... O nome da história que contarei para ti, é sobre: Wille - o Povo Azul

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O conto que diz quem Nós Éramos... #Agentes do Caos

 MUSIQUETA DA POSTAGEM



O conto que diz quem Nós éramos, nós, os que hoje chamam de Agentes do Caos.
 Minha mais longínqua lembrança que escrevo neste diário, enquanto sou professor nesta escola de bairro – ou seja, me disfarço -, é quando olhava minha irmã colocar seus prendedores de cabelo feito de osso. Ela se olhava num poço, numa água que era coisa rara naquela terra... Lugar seco e áspero, duro e cheio de seres estranhos... Nós éramos estranhos pr’aquela terra, talvez continuássemos a ser, ainda agora, ainda hoje, quando já nos chamamos Agentes do Caos.
 Meus pais morreram nas mãos de nômades, nós, morávamos ali, num pequeno vilarejo no meio da terra seca. Ficamos por alguns poucos anos até que ela colocasse aqueles prendedores de ossos nos cabelos e fosse conversar com um ser estranho, tinha túnica e a voz nunca me foi certa... Não lembro de sua face, nem o que era; sei que viajava, sei que viajou muito e já estava na casa dos quarenta, talvez, pois uma vez me contou que por quarenta luas percorreu de uma ponta a outra do Grande Deserto, vendo pedras, demônios, gênios e anjos.
 Estava convencido de algo aquele ser, e ele convenceu minha irmã e a mim... Prometida pra alguém ela estava, um simples carpinteiro imigrante das terras do sul, seu nome era Órgenes, um homem silencioso, quieto, pensativo... E que sempre desconfiei... Enfim, ele era forte e também se juntou a nós, éramos em quatro agora. Porém, eu ainda não sabia os mistérios que aquele ser sempre encapuzado dizia a minha irmã e seu noivo, só sabia que começamos a caminhar, andávamos e corríamos o mundo, buscávamos mais alguém que em nós acreditasse. Recebidos com paus e pedras, retribuíamos destruindo templos e virando ídolos de cabeça para baixo.
 Porém, houve um tempo em que chegamos muito ao sul e depois seguimos à Leste. Foi neste momento que vimos pela primeira vez o mar. Meus olhos, mesmo depois de séculos e até alguns milênios nunca mais se esqueceram daqui, daquele azul... Daquela imensidão, era semelhante o mar ao que eu sentia ali, estava feliz, eu era feliz... Talvez o mais próximo do que alguém poderia estar. Um garoto de doze anos que sorria...
           Mas, por que eu sorria? O que eu fazia ali?
 Éramos uns poucos, talvez uns dez, no entanto, ninguém via muito o chefe, ao qual chamávamos de Mestre, ao menos, durante a noite e momentos de descanso. Eu o vi uma vez indo dormir perto de algumas pedras, ao sopé de uma montanha... Lembro de tê-lo visto tirar a túnica e cobrir-se, porém, não lembro de seu corpo e se era mulher ou homem, isto nunca me importou, gostava dele, era bom comigo, não me fazia arriscar nas missões e não permitia que ninguém me batesse... Mas, ainda assim, Órgenes me batia as vezes, ele me treinava, junto com a minha irmã, nas artes de portas uma espada, de conversar com as coisas vivas, de ver o invisível e não acreditar nele...
 Finalmente, um dia perguntei ao Mestre:
 -Por que estamos aqui? – Ele respondeu:
 -Nenhum destes homens e seres acredita, eles desconfiam... É isto e nisto que acreditamos, cada um destes seres têm uma coisa pra se guardar, um pequeno segredo, uma coisa pra amar... Outra pra odiar... Não há deuses nem forças, nós temos dentro de nós mesmos o que precisamos, talvez seja isto que buscamos aqui... Entende, jovem Ulle?
 Meu nome não era Ulle, mas, agora era... Não sei, simplesmente entendi o que ele queria... Então, comentou comigo:
 -Amanhã, quando o sol estiver reto sobre nossas cabeças, fundaremos algo, faremos algo que ninguém fez ainda, que não vi em nenhuma de minhas viagens...
 Foi no horário e tempo que ele disse. Chamamos a todos, éramos em uns quinze naquele tempo...
 -Hoje, eu fundo com você uma coisa, os crentes nos mistérios invisíveis também o fazem, nós faremos igualmente... Fundamos a nossa Tribo, o Nosso Grupo...
 Todos se olhavam, havia tensão no ar...
 -Sei que nós estamos sendo perseguidos, que à Oeste os Povos do Olimpo soltam seus tentáculos e matam nosso irmãos próximo ao mar... Também sei que à Leste, as mãos dos Vedas caminhas e definham alguns de nossos amigos, ficamos entre eles nesta guerra contra os Demônios e aquele povo, fora os Anjos que no deserto nos cobram pedágio, a cada fonte de água... Ao sul o Reino dos Djins nos oprime a seguir suas leis de caravanas milenares, mesmo nos dando passagem, porém, eu sei de tudo isto e estamos prestes a dar um passo importante...
 -Senhor, deixe-me falar... –Comentou um homem das terras do Leste, seu nome era Kalla e era o mais poderoso de nossos arqueiros – Como iremos sobreviver? Não há aqui forças suficientes para competir com tais casas e clãs, estes seres são em número infinitamente superior a nós... O que faremos? Temos nossas forças, mas apenas dois braços, duas pernas e dez dedos...
 -Sim, eu te compreendo Kalla... Você é sábio em sua precisão, como tua flecha... No entanto, ainda não esta convencido da força que temos... É certo, não teríamos tamanha força se não fosse pelo que estou prestes a mostrar a vocês...
 O Mestre abriu a tenda, todos ficaram assustados. Era um homem-lagarto, pele esverdeada e olhos amarelados.
 -Que aberração é esta, meu Senhor? –Perguntou minha irmã, me colocando junto dela.
 -Este, a quem chamam de aberração, é Jaya... – Então, o ser lagarto puxou alguém de traz de sua túnica, uma menina, creio que da minha idade, talvez... Era linda, a pele era doce, só que os olhos amarelados tinham medo, estava assustada... – Ah, sim! Esta é Sinnix, uma companheira de nosso mundo de Jaya...
 -Nosso mundo? Como assim? – Perguntou o medroso Órgenes.
 -Eu, - falou a criatura, com voz rouca e parca – sou Jaya... Sou um viajante que estava perdido, caí neste mundo enquanto viajava em busca de água e comida... Sou de um povo das estrelas, um povo guerreiro e poderoso... Seu mestre me ajudou e com isto, ajudou toda a minha raça...
 -Nós, - disse meu Mestre – temos agora a chance de sobreviver... Jaya dará um aviso para seus companheiros de batalha virem para o nosso mundo... Eles chegarão aqui e nos auxiliarão na batalha contra as diversas casas, quando o caos e a descrença estiverem instalados, finalmente, teremos nossa Missão completa... O Caos vencerá...
 -Mas, senhor... – Disse Kalla – Confiar nestes seres? Como podemos fazer isto? Não temos força suficiente para aguentar ao poder dos outros povos e...
 -Continuar sobrevivendo? Kalla, tu sabes melhor que eu, as vezes não podemos apenas sobreviver... As vezes temos que ter um sonho... E persegui-lo, pois talvez seja a única coisa que nos reste...
 -Sim, um sonho... –Minha irmã e Kalla se entre-olharam, sentia nos dois algo, assim como Órgenes, que puxou com força o braço de minha irmã, ninguém além de nós viu aqueles movimentos, aqueles gestos... Eu não sabia que eles seriam tão importantes, não sabia que aquilo definiria tanta coisa...
 -Logo, para que seja dado o Aviso – disse meu Mestre -, três de vocês serão escolhidos para irem para o mais longínquo dos Nortes, atrás da fogueira que o sábio Zaratustra acendeu... Lá devem lançar este pó que  Jaya trouxe... Ele contém a centelha de mil estrelas... Quando aceso, os navios que caminha nas estrelas do povo de Jaya virão e nos auxiliarão... Porém, eu deixarei esta missão apenas para quem mais confio, não se sintam mal por isto, mas a missão é perigosa e terá de atravessar muitas terras desconhecidas, apenas estes que eu tocar o ombro serão aqueles que possuem o que estamos buscando, eu gostaria que todos fossemos, mas, será burrice da minha parte arriscar a todos...
 Então, meu Mestre fez com que eu me assustasse, ele me fez tremer nas bases, quando sua mão foi tocando os três escolhidos... Tocou primeiro em Kalla, disse:
 -Kalla, você veio de longe e conosco aprendeu a dar a suas flechas o tempo destruidor, a força de governar a juventude e a velhice, você, jovem de corpo e velho de coração, Kalla, eu te escolho...
 Foi, o Mestre e tocou o noivo queito e parado de minha irmã, Órgenes:
 -És o mais resistente, porém o mais vacilante de todos nós, Órgenes, agora tu vai se chamar Órion, o Forte, pois, com muita força você venceu todos os cansaços, agora é praticamente invunerável, tuas mãos carregam a potência de todo um exército, ainda que sua boca não profira mais do que duas palavras por dia...
 Todos riram, eu não. A pequena Sinnix via minha cara de medo e eu percebi que ela me fitava, curiosa; por um momento nós nos entendemos, nós nos comunicamos e disse a ela que estava com medo, apenas no olhar...
             Medo daquilo que o Mestre fez, o terceiro toque
 -Você, mulher de Órion, a mais brilhante de nós todos... Não poderia deixar de te escolher... – Então, ele tocou no ombro de minha irmã e fez meu chão desaparecer sobre meus pés – Você, se chamará agora Astar, minha menina, - beijou a testa de minha irmã como um pai, e talvez, ele fosse isto pra nós, órfãos que não criam no destino... – tu sabes como tecer o caminho dos outros, com magas antigas aprendeu a Tecelagem de Vidas e Caminhos, faça teu caminho e o nosso cheio de glórias e energia...
 Então, em silêncio, no outro dia, eles partiram... Havia apreensão entre nós, pois o Mestre se fora com eles, iria até uma parte do caminho, depois de aceso o Aviso, voltaria para nos falar... Eu, encarregado de Sinnix, deveria guardá-la com minha vida, pois, ela era o “Selo” do acordo de Jaya com meu Mestre, ele que não se chamava mais assim, agora ele, nas palavras de minha irmã, era o Fundador, havia fundado algo que nem nós e talvez ele próprio soubesse a extensão que tomaria...

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Quando o chapéu se viu no espelho #Agentes do Caos

MUSIQUETA DA POSTAGEM

 -Olá? …É você?
 Ela toca com seus dedos brancos no espelho, ele reaje e tremula, como um líquido, como uma onda
 -... ... –Nenhuma resposta
 -Você é a Batida?
 O som não existe naquele lugar, tudo parece um sonho. Um bad dream em que tudo é sombrio e escuro e, justamente por tudo estar escondido, não-descoberto, sua mente ferve... Nem meditações, nem amigas ou amigos, garotos numa balada, conseguem tirá-la daquele fosso... 
 Porém, nenhuma ajuda adiantaria, ninguém a auxilia de verdade. Todos fingem não ver e ela finge que não esta sendo vista... Assim como este sombrio sonho, percebe que não é nunca a luz de uma lanterna que ilumina seu caminho para que cada manhã acorde, mas sim, que tudo não passa da luz da lua refletida em sua pele... Seus olhos...
 -... Sim! Sou. -Respondo após momentos de silêncio. Virando para mim, Lúcia me fita, assustada... No entanto, não demonstra, só com suas grandes pálpebras me cega, pelo que dentro delas guarda. Lembro até hoje, de nossa primeira vez, do primeiro olhar.
 As primeiras décadas do novo milênio ditam nosso vestir, o que nós pensamos ser uma expressão de nós mesmos, nossa moda, nada mais é do que vemos no mundo, engolimos, soltamos dos dentes e colocamos no corpo. Ela tinha um grande cabelo loiríssimo, curto, mas armado, algo que me lembro dos anos 80... Mas, nunca liguei pra isto, nunca pra este tipo de coisa, veja só, agora ligo, depois de tudo...
 -Você... É a Batida... Do peito?
 -Sim... O que sempre estive aí, em você... -Uma mentira, eu era um Agente, não qualquer um Deles, sou o Homem do Chapéu, meu mestre é o Próprio Fundador; porém, com ela, não tinha vontade de lhe falar nada, não agora, aquilo me impelia.
 -Tem um grande chapéu, gostei dele... -Sorrindo, tocou neste tecido que enorme, parecia com os antigos "protetores de cabeça" do século XVII, das guerras entre os espanhóis e holandeses, das quais participei, como mercenário... No entanto, isto não é importante, só deve-se saber que era um grande chapéu que tinha três pontas...
                   Pontos de luz, acho que eram isto. Dois belos olhos sem cor alguma estavam na face de Lúcia; ela percebia quando os notavam:
 -Você também os viu? Bem, só não acho mais estranhos do que você... Por que está com uma máscara de gás e este chapéu enorme?
 Olhei para ela, eram como dois faróis, não me cegavam, porém, pareciam que me chamavam para algo que há muito tempo não conhecia a minha língua em falar: a verdade, não a dos poetas ou sábios, a minha, a que realmente importa, no fim das contas...
 -Não sei... Eu realmente poderia estar ela, a máscara, mas, sou parte do chapéu, ele sou eu... E sou igualmente com ele a Vingan... -Me contive, aquilo era muito estranho, então aquilo que procurei era verdade, olhos que me dizem o Escondido, o sombrio, que próximo aquela torre de água parecia tão enorme, apesar da cidade estar tão próxima... Com suas luzes, no entanto, não eram luzes como dos olhos dela, eram, apenas, lâmpadas, que em seus raios liberados, velavam leituras, tevês e pc's ligados, olhares vidrados, corpos entrelaçados e alguém chorando... Fazia tempo que não me dava a ser sentimental...
 Tirei a máscara e revelei uma das minhas faces, a do carrancudo pistoleiro, porém, mais jovem e sem seu poncho, que usei em tempos e estórias passadas.
 -Qual o seu nome?
 -Não precisa saber, Lúcia...
 -Então, você me manda um bilhete depois daquilo... ... Eu não sou palhaça! Não posso ficar aqui, neste escuro e...
 De repente, mesmo tendo o 38 na cintura, lhe fiz o que deveria se fazer: um abraço.
 Nunca fiz isto, não... Faz muito tempo que abracei alguém... Antes mesmo de que eu fosse a Vingança...
 Assim, começou... Antes disto, ainda com lágrimas nos olhos, me perguntou:
 -O que você quer?! O que quis dizer naquele bilhete: "Você tem outra chance, basta treinar, pra ser?"... -Continuou o ataque histérico, eu a ouvi, mas, deixei-me ouvir por seu olhar as tristezas de nascer com aquilo... Diziam que ela tinha "olhos de espelho", que cada vez que falava com alguém, fazia-o falar a verdade, já fora espancada por isto, estava sendo no momento em que recebeu o bilhete por Extremistas-feministas que tinha feito parte, "- Não podiam ter aceitado alguém como ela", me disse a jovem de cabelos amarelos. Os seus intermináveis casos de bullying na escola e ainda quando adulta, mesmo sempre tentando pelas ruas desta cidade fria e úmida, que chamam de Curitiba -antiga Gran Pinus -, fazer seu caminho de cavaleiro errante que depois de pensar ter derrotado o moinho-gigante, torna-se trinfante, sempre com a realidade dava de cara, seca, áspera, real...
                 Falava comigo e depois dizia que da ponte se jogaria. Que eu deveria lhe dar um "tchau"
 Deixei isto tudo quieto em mim, lembrando de tempos passados, de cidades muito distantes e já esquecidas, em momentos que eu era daquele jeito, só que sem pontes como aquela... 
 Consegui salvá-la como salvei muitos outros desta ideia suicida: convidei-a para ir à um parque no outro dia, se não fosse, não saberia - nunca- o por quê de ter vindo me ver... A curiosidade, é algo que nos move, mesmo que, já no fundo, ou talvez seja a vontade de viver de nós, homens animais, mas, não me importo, pois, não sou bom com as palavras mesmo... Porém, sobreviver sei, tanto que me mantive aqui, para cumprir o que tenho de fazer
 No outro dia, em frente a um portal, vi alguém chegar... Com a garrafa de vodca, mas lá
 *           *          *
 Ventilador...
 Suas pás giram e libertam os corpos do calor infernal que aqui faz... 
 Era num verão. Sentado num muro, perto de um ponto de ônibus deserto, um ser de estatura humana, de sapatos pretos e meias listradas coloridas, não posso ver seu rosto. Eu paro e converso com ele... Com roupas normais, de motoqueiro, seguro meu capacete - na verdade, meu chapéu que agora era aquela forma protetora de cabeças
 -Olá!
 -Olá, mestre! -Lhe respondo, virado pro outro lado, pra fingir que ninguém está ali, pois ninguém poderia vê-lo...
 -Você está feliz, "1º Aluno"? -As vezes não me acostumava com sua voz, ela estava dupla, como de um homem e uma mulher, algo estranho, mas, é compreensível.
 -Sim... Eu estou, Mestre...
 -Me conte, então...
 -Eu não sou mais a Vingança, meu senhor... Desde que há muito tempo, tudo aquilo aconteceu... Desde que minha irmã morreu e...
 -Eu sei, eu estava lá... Mas, e esta moça, esta Lúcia?
 -Ela... Bem, ela tinha uma missão... Eu estive treinando ela por todos estes meses, como segurar uma espada, atirar, saltar como o vento e bailar como as folhas...
 -... Além de beijar como as fúrias dos mares? Veja só... Conheço este poema também, o autor foi nosso amigo, há muito tempo... -Falou meu mestre. Eu fiquei calado, olhando para baixo, eu não podia lhe responder que não para com a última parte do verso
 -Ela sabe o quê ela deveria fazer? Acha que ainda pode cumprir com isto?
 -...Sam não vai existir mais... Ele foi longe quando quis apenas nos usar... Ela já sabe quem e o que ele fez... Ela será a Nossa Mão sobre ele
 -Ele é forte, você o treinou
 -Sim, mas apenas um aluno do mestre pode derrotar outro que aprendeu com o mesmo a sobreviver...
 Ele, o Fundador, olhou para o longe, dava para ver um parque ali... Era o Parque de Chien, que eu levara Lúcia - isto fazia alguns meses... De repente, ele sentiu algo, viu algo... Desceu do muro, começou a seguir a direção contrária da rua
 -Aluno, você está livre...
 -O quê? Senhor?!
-Você agora tem escolha, 1º Aluno... Você mereceu isto... -Virou-se para trás, vi com espanto, enquanto -como chegou- ele se foi... Virou uma folha verde e plainou com o vento, para outro lugar
 Apertei um comando num controle, um sinal de som saiu e localizei minha moto: modelo antigo. Subi, estranhando tudo... Tinha de vê-la em um Jardim na frente do Quartel Central. Pus o capacete, fui...
 Talvez nunca precisasse ter visto o que vi lá, a Vingança renasceu
 Cresceu
 E dois quarteirões daquela cidade desaparecem

sábado, 4 de junho de 2011

Pastor de minha própria sina #Agentes do Caos

 -Hey, garoto! Pegue minha bebida! -Este era a frase de maior carinho que recebi de meu pai.
 Sou um pastor, meu rebanho é de homens, meu nome Johan Bournie, sou um ex-escravo, tenho quase cem anos... Ou mais, não sei mais... Tenho um 38 e uma bíblia, com páginas pretas, ela tem demônios em cada uma de suas sagradas páginas, e isto não é metáfora pra suas crises existenciais, não, eu mato estas coisas, e há muito tempo... Desde que sua avó ainda estava nas coisas do pai dela! Sou aquele que é a espada flamejante do Senhor!
 ...
 Enfim, hoje estou no norte das Américas, lugar perto do mar de gelo... Porém, ainda vejo pedras e um mar gelado se abre a minha frente; inukshuk, o monumento indígena, parece um portal... Lá estou, parece que sempre estive -nesta paz, neste silêncio frio -, desde que recebi meu livro, com o qual capturei 102 demônios. Lembro que um índio velho me disse pra ir pra lá: "O Norte Do Mundo"; aqui estou, cumpri minha missão, e nada há mais a dizer.
 No mar gelado, vejo sombras, pego meu 38 no coldre, de repente, uma maça gigantesca vestida de negro tenta me acertar, desvio, me aparece outra coisa, atiro... A bala atravessa, viro e me levanto, pra ver o que há na situação, levo uma bordoada. Durmo.
 Sombras estranhas, visão "enubleada", levanto...
 -Bom dia!
 -Aqui não há dia! -Respondo, sei quem é, são eles, Eles...
 Três seres de negro que vejo, o primeiro é um gigante -quase três metros-, cara feia e rosto estranho, meio cinza, um outro é magro, muito magro e branco, cabelo escorrido, horrível, o do meio, um cara de estatura normal, só que com uma máscara de corvo e um grande chapéu;
 -Seus demônios! -Tenho que me impor a eles... Tento isto
 O do meio tira o a máscara, é um homem branco, de cara quadradona, nariz meio arrebitado e olhos azuis... Seu chapéu amarelado, estranho... Parece ter mudado de cor, com alguma diabrura... Só sei que ele parece um cowboy, um pistoleiro...
 -Somos todos iguais... Sou homem também...
 Meus Inimigos são estranhos, se acham iguais a mim; não tem rei, lei ou Deus, como serão iguais a mim? Ridículo!
 -O que quer? Eu não tenho nada pra vocês!
 -Nããão? -Falou o cara de cabelo escorrido, com uma voz estranha.
 -Não, demônio! -Berrei, ele se assustou, foi me atacar, moveu seu corpo como uma serpente, preparei minha arma, ela não estava lá, puxei minha faca -que numa bainha nas costas estava, não era fácil de se ver. O branco segurou o outro, empurrou-o pra trás. O gigante, ao ver a cena, reprovou a situação com um movimento de cabeça.
 -O Livro, negro, querrrremos o livrrro! -Falou o escorrido, que deveria ser a Serpente de Satã!
 -Vocês nem sabem nada sobre isto! Ele é Meu Destino! Aquele que está nos Céus me deu ele por um motivo! -Respondi-o com minha fé.
 -O motivo será de você ser morto por ele, dê logo este livro! -Falou o gigante, que parecia perder a paciência.
 O branco, até agora quieto, sentou-se num banco de rocha e, de frente para outra que se assemelhava a uma mesa -inclusive, parecia-me uma mesa de xadrez- pediu para que eu me acomoda-se. Sentei numa pedra de frente para ele, tenho meus motivos pra aceitar seu pedido: não converso com demônios, mas, ele colocara a arma, minha arma! Ali, ali estava ela, em cima da mesa de pedra.
 -Bem, poderia jogar algum jogo com você, algum xadrez, não? Seria um Xadrez com a Morte! -Riu, por pouco tempo o demônio.
 -Não faço jogos ou gracejos com seres maus, o que querem, quais são os seus negócios com este meu Livro Sagrado?
 -Tu sabes que este livro não é uma bíblia, ou seja, que não é o chamado Livro Vermelho, não é mesmo? Ele vem de longe... -Começou o Mal a tentar me ludibriar- ...De recuados tempos e espaços... Não era livro, e sim pergaminho, não era de um Padre espanhol, como tu já deves saber, nem fora escrito por ele em 1521... Mas, bem antes; ele era parte de um grupo de escritos: os Sutras de Borel, um Visitante das Estrelas, que há muitos anos, antes dos romanos e gregos, caíra na Bacia do Rio Ganges, no Oriente... Lá, ele governou diversas batalhas e lutas contra as forças místicas que causavam as belicidades no mundo deles, chamavam, como tu chamas, estas forças de demônios, nestes pergaminhos guardaram vários deles... Porém, eles se perderam, o seu detentor, morto pelas tropas renegadas de um ocidental chamado Alexandre, o Grande, não pôde esconde-los e a maioria se desfez, sobrando apenas um, ao qual foi guardado na cidade de Damasco, no Líbano, porta dos dois mundos: o Ocidental e Oriental... Porém, este pergaminho foi, com os Cruzados, a quem achais santos homens, para a Europa, para um Monastério na Itália e, pelas mãos do monge ladrão Callabre, para Espanha e depois para estas terras, o Novo Mundo, América ou Iracema, como quiseres chamar... Por séculos Tentamos pegar este pergaminho, transformado em livro... Mas, ele era protegido de nossos olhos e ouvidos... Porém, quando você, caro Johan Bournie, foi para o Velho Mundo, nós, pudemos ver... Pro teu azar, Estamos aqui também, e viemos pedir que nos dê isto...
 -Venham pegar, oras!
 -Não sejas idiota! Sei que se o portador do livro não der ele de gesto de bom grado, o livro protegerá ele e só obedecerá a ele... Sendo para o seu gestor ladrão um simples monte de papel preto... Agora, dê-me o livro!
 Sabia que não poderia escapar... Via em duas escarpas próximas, mais dois deles, com mantos pretos e cara escondida... Meu coração palpitava, eu rezava... Minha Missão não poderia ter acabado ali, não, não poderia... Tinha que fazer algo!
 Então... Pedi algo a eles:
 -Poderei entregar o Livro a vocês, se seguirem a música que ouvi na minha terra, as longínquas pradarias do sul... Ouvia quando criança, e esta será minha resposta a vocês : "Que me enterrem numa cruz funda, se minha boca comer formiga..."
 ...
 Movimentos rápidos, o pastor escreve seu destino, cata a arma na mesa de pedra e atira... Porém, ele apenas tentou pegar a arma, pois o outro, o cowboy carrancudo, de seu poncho atira no ombro do outro, o pastor ainda pega o 38, mas atira errado... O homem que fala e age como serpente pula em cima do atirador, rápido, Johan acerta a faca nas costelas e o ser sai berrando... É a hora da morte...
 Mais tiros, mais confusão
 Eis que surgem, da escarpa atrás do pastor Bournie, pessoas com lenços azuis, atiram violentamente, acertam muitos tiros na serpente, mas não no cowboy, nem no gigante, este pula e começa a escalar a escarpa, na direção dos novos atacantes, o outro se esconde, por trás de pedras. O pastor sorri.
 "Anjos do Senhor!" -Pensou
 ..."Lâminas Azuis?!" -Reconheceu o cowboy, também conhecido como o Homem do Chapéu, ou o Aluno do Fundador; ele revida os tiros furiosamente, acerta muitos e nunca é acertado.
 Os outros dois, que estava nas pontas de rocha por cima do mar, também atiram com suas escopetas e acertam alguns...
 -Dê-nos o livro, homem de deus! Dê-nos o livro e o protegeremos! -Disse um dos atacantes
 Um dos com lenço azul consegue descer a encosta e pede a mesma coisa ao santo homem sangrando e que neste momento apenas tem em sua mente um desapontamento... "-Vamos, podemos guardá-lo bem, nos dê!"
 ...
 Eu, que agora falo, digo meu testamento... Sou Johan Bournie e vejo que apenas homens de bom coração poderiam guardar este meu prêmio... Porém, nem quem pensei que iria me ajudar, queria me salvar, mas sim, a este meu livro... "Nada pode ser mais importante do que a vida de um homem, ou sua dignidade", já dizia o meu professor na liturgia, pastor Enrie, ainda há 50 anos atrás... Está na hora.
 Atirei no homem que veio falar comigo, corri para o centro do tiroteio, comecei a sentir as balas entrando em minha perna e em minha barriga... Ouvi o branco berrar: "-Não façam isto, idiotas!"
 Não liguei... Só clamei e, por uma última vez, usei os poderes do livro: invoquei Baar, o demônio da Fome, minha boca ficou alargada e engoli o Livro Sagradado... Me perdoem o sacrilégio... Será por uma boa causa... Pois, com isto, meu corpo em estado de morte usa as forças do Livro, as Forças do Senhor... E então, morro... "Ahk du sarre! Mitriartes Mulankê! [Use minhas forças! Potente ação, "desviamento"!]  
 -"Então, o Mal caminhou pela Terra e nossas mãos estavam atadas, pois os homens eram cegos que não queriam ver" -Berro, meu último suspiro, Livro Vermelho cap 22, vers1.
                                                      *
 Então, lá estou eu, o Homem do Chapéu... Acerto um dois, o gigante Bararock, subindo na escarpa, acerta com sua clava e seu handgun diversos atacantes... Até que vejo o pastor... Oh não! Droga!!
 -Não façam isto, idiotas! -Berrei, mas não adiantou... Ele foi alvejado, tentei ainda correr para ele, mas o safado usou um feitiço do Livro, primeiro o engoliu, depois explodiu, numa enorme massa negra, sumiu das nossas vistas...
 ...Ele consegui, havia fugido... Morto, mas salvou seu Livro...
 Um dos nossos, nas pedras do mar, controla águas... Foi dele o golpe final nos atacantes: com movimentos de mão, fez uma onda matar todos eles... Os que não morreram, matamos depois, não antes de saber que as ordens para tal ataque vieram de um tal Frances Nerro havia mandado eles... Salazar [o homem cobra] havia morrido neste ataque, o pastor conseguiu esconder o Livro... Era hora da vingança, aos malditos Lâminas Azuis, minha arma!
 Partimos pelo deserto até a cidade mais próxima... Querendo ou não, o pastor mereceu, ainda colocamos uma cruz lá naquela praia fria e gélida, escrito, na madeira, o versinho:
                                                 
 "Que me enterrem numa cruz funda, se minha boca comer formiga..."



 MUSIQUETA DA POSTAGEM
http://www.youtube.com/watch?v=pv3GsATxABA

terça-feira, 22 de março de 2011

Começo #Agentes do Caos

 Nunca pensei que diria isto... Mas, sou um fraco... Sempre considerei-me superior, não em raça, ou nação, ou "classe social"... Eu era superior no intelecto... Me imaginava como um grande conquistador de mundos que a todos enganaria e que pensava ser livre...
 Lendo "Pulp", no ônibus cheio, virava a página com o queixo e tinha momentos de pensar em gargalhar no meio de dos estranhos
                                   Estranhos, quem não tem medo dos Outros?
 Você se diz forte, você vê as pessoas que pensam estar livres, mas nunca estão, algo te prende... Falta de alguém, meta a cumpri, pessoas a não desapontar, quando esta pessoa não é você mesmo... Tudo neste poesia que é a vida...
                                "A vida não é uma poesia", penso enquanto viro mais uma página...
 Sinto o escuro sentimento em mim... O Vazio... Por um momento vejo o que o "véu da magia", como me disse uma vez um filósofo francês... Mas, não sei... Estou confuso... Estou...
                                                                                                                   Eu estava.
 Senti o ônibus diminuir a velocidade, as coisas voavam, não senti muita coisa... Estranho, nunca me lembrei direito o que ocorreu, só lembro de querer proteger minha cabeça; devo ter visto na tv.
                                                        *                    *
 Dois dias depois, acordo, Hospital Clínico, centro; estava confuso, passei mais alguns dias até entender que meus pais estavam ali, e que eu era um dos sete que sobreviveu...
 Quatro dias depois... Ouvi uma voz na janela, era noite fria e chuvosa de março... Dia 22, talvez... Não sei...
 -Você quer algo?
 Ouvi. Minha mãe dormia perto, meu pai estava em casa, mas vinha todos os dias...
 -Alô? Quem tá aí?! -Meu corpo arrepiou e eu me preparei pra batalha; (Como ficamos idiotas quando nos borramos, não?)
 Abriu a janela, um homem... Ou algo assim... Uma sombra... Via só os seus sapatos, e que tinha meias xadrez (?!), uma e cada cor -vermelha e verde-(?!!!)... Silêncio; dois minutos... Foi como durante o acidente que me levara pra ali.
 -Você quer escrever uma coisa?
 -O que?! -Respondi surpreso, era uma situação complexa...
 -Você pode escrever sobre nós... Escrever desordenadamente, em códigos, faça com que só quem queria venha a entender...
 -... -Nada compreendi...
 -Sempre quis saber a o que se prendem os Outros, não? E se você pudesse não saber, mas escrever sobre aqueles que se libertaram?
 -...... -Não fiquei surpreso de como ele sabia que eu tinha pensado aquilo, não ficara surpreso mais com sua forma fantasmagórica e imponente... Estava calmo... Acho que era isto que ele buscava, ou o que eu busquei...
 -Minha "Liberdade" não vai existir, não? -Disse.
 -Não, dificilmente -Ele respondeu, não sabia se estava surpreso, ou orgulhoso de eu ter passado em algum "teste".
 -Faço
 Uma única palavra, Ele sumiu... Seu nome... Estranho, eu sabia agora -me senti com um verme de inspiração na cabeça... Junto com minha loucura filosófica habitual- , Seu nome era... Fundador.
                                                         *               *              *
 E agora, bem, agora estamos aqui. Escrevendo bobagens até lembrar delas