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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Chorando Palhaços Tristes 3 #Panda Vermelho


Volta seus olhos para a Mansão de Suboshi:  a pequena jovem GG, ela vai nas costas de Máquina-Bagre que, enquanto se transforma em uma forma metálica, abre turbinas nos pés. Eles voam juntos para o alto da montanha...
 Enquanto isto, apenas a cabeça do Panda está para fora do feitiço de selos que o prendeu em madeira petrificada.  Ele lançara algo com os olhos, que dera uma onda de choque, porém, Miboshi nada sofreu e se levantando, depois de um tempo desacordado:
 -O que fez, Mago? – Pegunta o ainda tonto filho do clã Suboshi.
 -Existem coisas que um filho de um Mundo Só não sabe meu caro...
 -Ora, o que, Mago?
 -Que existem outros mundo... E que amigos são importantes as vezes, mesmo que longe...
 -Estranho, - diz com tom mais sério Miboshi – na hora de morrer um assassino falar isto!
 E, logo, as turbinas são escutadas, explode uma parede da muralha o enorme Peixe: a Máquina-Bagre! Ele atinge o inimigo e o carrega para fora da cena; nisto, GG salta e se encontra em frente ao Mago:
 -Olá! Lembra-se de mim, Senhor?
 -Ora, minha última discípula... A pequena máquina humana criada por Númeno, aquela que só conheço por GG... O que faz aqui? – Sorri o ser, sendo irônico.
 -Mas, foi o Senhor que me chamou... Eu fui trazida por uma fumaça vermelha, apareci numa caverna e, quando saio, vejo o Sr. Peixe lutando com uma monstra... Ela tá morta, já ajudei ele! –Sorri a garota.
 -GG, sei disto... –Estranhamente, o Panda sorri ao ver a inocência da máquina – Bem, me tire daqui, precisamos tentar me libertar!
 -Sim, Senhor!
 Só que o tempo não está com eles, pois, explode uma parede a mais e aparece o Bagre metralhando e Miboshi desviando. GG leva o Panda para dentro de um puxandinho que guardava um jardim belo. Diz para o Panda:
 -Calma, Mestre! Não permitirei que você morra!
 -GG... Eu estou morrendo, quando ficar preso nesta casca nada haverá... Você deve ouvir bem! Escute-me!
 A menina parecia sem o sorriso habitual, olhava para fora, entre tábuas de madeira, para ver se via o que ocorria na batalha.
 - ...Você deve contatar outros seres... Outros que são iguais a mim e...
 -Senhor, - Disse a máquina – se um dia puder, gostaria de ser uma pessoa de carne e ossos!
 -O quê?
- E, bem, acho que as máquinas não podem chorar, nem sorrir, nem beijar... E já vi muitos que eram de carne assim: máquinas... Bem, só gostaria de um dia ter sido de carne pra ver se ia acabar assim também, novamente dura como metal...
 E o Mestre Panda olhou com o que lhe restava de face para GG, uma simples máquina. Nada sabia o que falar sobre isto.
 - Hahahahah – Ria a moça – O senhor parece um palhaço, com estas manchas brancas e cara vermelha...
 Sem jeito, o Panda apenas sorri, algo que pouco fazia, desconcertado... Nisto, ouve-se uma explosão que começa a partir o puxadinho. É carregado por GG para fora do quarto e encontram o enorme Máquina-Bagre. Ele está com um papel retangular de selo, com o pé na sua cabeça, o último filho de Suboshi ri.
 A menina joga o Panda para trás e solta sua arma para combater o vilão, pula para cima dele tentando acertá-lo com a espada, Miboshi desvia e a acerta com um selo na testa. Ela olha vesta para o papel e o rasga. Continua a atacar.
 -O quê?!! – Diz o inimigo
-Ela é uma máquina, Miboshi... Apenas isto! –Diz com o restante das forças, o Panda.
 -ORAS! –Grita o filho de Suboshi, desviando dos ataques da menina com sua grande espada – Então, terei de acabar com isto de outro jeito!
 Com um golpe certeiro, Miboshi parte a espada da menina, com outro, perfura seu peito. Sua mão a atravessa:
 -Vê? Robô tolo! Eu sou o filho Amado de Suboshi! Nem você pode me deter e...
          ... Logo, os cabos que formavam GG vão se agarrando no braço de Miboshi. Ele vai tentando se libertar, não consegue, tenta acertar o braço na cabeça da robô, com o outra mão ela o segura... O desespero do ser vai aumentado, batendo com cabeçadas e chutes, mais e mais fios vão surgindo e agarrando o Mestre do Silêncio, que grita e grita.
 -Hey, Novo mestre... – Fala o resto de GG
 -Sim, menina...
 -Foi bom ter convivido com o senhor... É lenda...  Mesmo que apenas uma vez – E ela sorri, com o resto de cara... Sai correndo, levando o maldito Miboshi, que berra e berra. Uma luz pisca dos seus olhos vivos....
              Há um penhasco próximo, que dá para um deserto.
 Ela salta e se vai. Explodindo em uma luz amarela e roxa, como seus cabelos e tênis, fios e Miboshi. Uma jovem mecânica-robótica de dezessete pra dezoito, acho... Agora nada mais que: pedaços de máquina.


  Por um instante, lágrimas caem... Apenas um instante.
               “Lágrimas de um palhaço triste”
 A frase vem subindo pela cabeça do “Lendário Panda”, ao qual vai caminhando para uma sala no centro de todo o complexo. Os pedaços de madeira vão caindo enquanto anda e há fumaça ao longe. A frase ressoa em sua cabeça, sem parar, sem ir, sem ficar de vez, apenas, indo.
  Vê um jardim florido e uma árvore enorme, nela, um meio-homem velho se agarra à armadura e chora, chora e chora... Ele se liga a árvore e tem a pele dela.
 Mas, não são lágrimas de alguém que perdeu alguém, mas, algo. Ainda que as coisas pareçam as mesmas, algos não te deixam esperando num telefone a discar um número de alguém que nunca mais vai retornar a ligação. Uma ligação... Isto era algo que a pequena adolescente GG havia dispertado no Panda... No entanto, não aquela árvore velha, não o velho que ali estava enterrado-vivo, um metavivo... Ele era algo que daria poder, a qualquer custo... Talvez.
 -Suboshi.
-Hã? Hã! – A coisa apenas gruni. E no meio de sua testa abriu-se um olho fantasmagórigo, com um círculo cinzento dentro de pálpebras vermelhas.
-Vi... –Gruniu a coisa – Vi a tua chegada... O Olho de Warana vê tudo!
 -Um “olho previsor”? –Olhou com cara de descrédito para a coisa o Panda, ela apenas gruniu mais uma vez  - Você mudou teus filhos para monstros, você deu isto a eles confiando no tal “Olho-de-Warana” ao qual você viu o futuro e... E não pôde saber que não havia futuro? Não para você?!
 O Panda se aproximou e tentou pegar a armadura em que a árvore-Suboshi se agarrava, esmagou seus galhos que expeliam sangue, mas, mesmo assim não largava. Então, o Panda vira-se e com a mão na boca faz uma corneta, ao qual expeliu fogo que se misturara com as lágrimas do velho e sua madeira. Queimou então, carregada com outras lágrimas, de um palhaço, um guerreiro triste... E o fogo consumiu a velha árvore, mas, não a Armadura do Clã, não o tesouro... Este, permanecia vivo, ainda em pé.
 O Panda vai até o altar em que estava a coisa e coloca-a no corpo, pois ainda estava apenas com o short preto e branco – suas roupas de baixo. A Armadura de Suboshi é dele, ele agora começa a ler seus segredos... Vê tudo que o velho Suboshi viu e aprendeu: o Panda mais uma vez destruiu e obteve o poder do derrotado...
         Mas, há o vazio. Algo que ele fora derrotado. Ele narra:
 No deserto, no fundo do precipício nas proximidades da Mansão Suboshi é que isto acaba... Ando pelas areias e lá, perdido em cheio de algum cheiro de óleo e carne queimada. No sóis escaldantes, depois de um monte de pedras, é lá que encontro uma cabeça robótica, cercada de destroços... Uma lembrança que não pode morrer neste palhaço...
 Com um feitiço, evoca em sua barriga uma criatura: Goobo, o Devorador, este, só é uma enorme boca no ventre do Panda e que o deixa com olhos inteiramente verdes... As mãos do mago jogam a cabeça robô para dentro e se fecha o feitiço... O Panda digere a pequena GG, como uma lembrança, algo de bom que talvez ainda houvesse nele. Talvez, crescendo de novo, talvez, não só lembrança.

Chorando palhaços tristes 2 #Panda Vermelho


 Ainda desmaiado, minha pele esta coberta de fios e catéteres... Sinto que alguém tenta roubar meu sangue...
 Ele ri, então, ri e ri... Criatura azul e de olhos amarelados, seu nome é Nakagobo, o Bebedor de Sangue Ruim.
 -Você é um tipo de ser divino? –Diz o ser azulado. – Pois, nunca vi alguém com tanto sangue assim!! É divino!
 A voz dele é insuportável, mas, não tanto quanto a dor dos cartéteres que vejo levarem meu sangue para dois tonéis quase cheios... Olho bem para a cara do demônio e digo:
 -Você vai morrer antes de provar meu sangue! Demônio!
 -Ora, prove você o meu! – Ele se corta com uma faca e leva os pingos até a boca de um outro prisioneiro, que forçado por ele, engole as gotas de líquido escarlate. O homem começa a espumar pela boca quase que instanteneamente, sua face se cobre de bolhas e ele vai vomitando líquido amarelo até parar... As convulsões param, em menos de dois minutos, se foi.
 -Olha, - diz Nakagobo – sou uma entidade imortal! Se tocar em mim com teus golpes, logo sangro e tu se infecta, bicho esquisito! – E a gargalhada dele se faz absurda de estranha...
 -Ainda não! – E me movo duas vezes: quebro as correntes, percebo que estava sem meu manto, apenas com as vestes de baixo. Nakagobo me vê e se assusta, mas, rapidamente, corta sua língua e quase me acerta com o veneno que lhe dá vida.
 Olhando para seus olhos amarelos e aquele lugar fétido, vejo que meu manto está ao seu lado, existe apenas uma chance! Cuspo-lhe fogo e ele salta, voando em um leque para amortecer a queda ao qual vai preparando um enorme cuspe sanguíneo.
 Meu manto é pego, mas, ele cospe: toda a minha roupa está coberta de veneno, mas, antes de largá-la, eu cuspo um pequeno monte d’água. Encarro o Sangue Ruim, ele canta:
 -E agora, Mago? O que tem pra mim?
 Uma sombra surge atrás dele e chutá-lhe a perna, que quebra. A coisa pula e me engole...
 -Eu tenho isto! Conheça meu servo e amigo: Máquina Bagre, o guardião do 7º Mar terrestre! – Sai uma pequena bolha de vidro da cabeça do enorme bagre humanóide, coberto de uma armadura azul, que logo, revela duas metralhadoras Gatling.
 -Eu, eu tenho sangue ruim! – Grune o mostro, ainda com a dor lastimável...
 -Sim, e este ser tem uma couraça formada de sete peles... Logo, seu veneno demorará... Agora, maldito Nakagobo... – As metralhadoras destroçam o ser, espalhando por todo o lugar seus restos e veneno.
 O Bagre lança um enorme turbilhão de água que limpa tudo. Posso sair e pegar meu sangue de volta: abrindo um do barris, toco minha cauda e ele volta ao vermelho de minha pele. O outro, porém, não coloco em mim, mas, tiro um chumaço de pelo ao qual uso meu sangue para escrever um texto na parede da caverna em que estava preso, “Viagem da Memória dos Amigos”, escrevo em língua baltânica [ de Baltos, antigo lugar de treinamento do Panda Vermelho na Terra, N. A]; afinal, sinto que precisarei de ajuda...
 -Mak sokir altur, je necessité d’um bagne! – Ouço o Bagre dizer, ele pede para tomar um banho para tirar o veneno antes que ele entre em seu corpo, eu permito. Nós partimos para a luz e logo vemos um lago e uma montanha com escadaria.
 Então, ali está... A Mansão vazia dos antes glorioso Suboshi. Lá reside Miboshi, o Silencioso.
 Cada passo meu é como se um assobio frio corresse meu corpo... É estranho. Apenas a minha espada é minha roupa, ando e ninguém impede a minha passagem: as muralhas estão vazias, os moinhos, secos, as flores, não mais dadas a ninguém. Por um momento, sinto o silêncio correr pela minha mente, que nunca para – nunca  -, só que agora ficou quieta, estranhamente.
 No topo da escada, o castelo de Suboshi e em sua porta, ali, o último filho legítimo: Miboshi. Com pele estranhamente cheia de pó de arroz, ele me vê e nada diz, com as mãos dentro do quimongo dourado, apenas observa... O vento corre, de um lado para o outro, porém, nada escuto, nem uma palavra. Se nada escuto, corro e ataco: ele escapa. Tento de novo, mais uma vez, só que o filho de Suboshi salta para longe do alcance da minha espada katana.
 -Homem-Animal, - diz ele com uma voz calma e lenta – eu sei de todos os selos de meu pai, foi o seu legado para o Mais Amado Filho... Se você lutar comigo, não mais viverá!
 -Oras! – Jogo minha espada nele, ele desvia e toca o cabo da arma. Com três pulos já estou com ela próxima de minha mão, ele já está longe. Quando toco minha arma que está presa numa rocha, ela queima minha mão...
 -Desgraçado! – Grito-lhe, sabendo que ele selara minha arma. Cuspo-lhe fogo e com papéis ele evita que eu o queime, pois eles apagam antes que meu hálito o toque...
 -Maldito! – Grito e me transformo em craquém, lançando dois tentáculos nele, o qual toca dois selos neles, viram um tipo de madeira... Madeira petrificada!
 -Todo... –Diz Miboshi – Todo o poder...
 Me destransformo e metade da minha mão está petrificada.
 -Droga! Então, é assim? – Digo-lhe
-Como?
-O Silêncio... É assim que você ganhou este apelido e por isto não sinti nada quando te enfrentei?
 -Ora, meu caro, estes selos são antigos demais para que você possa evitá-los: são divinais, sagrados! – Ele anda em minha direção.
 Faço uma posição com os dedos cruzados e tento evocar as Torres de Pedra, ele joga seus panos como tentáculos no chão e sela com figuras antes que eu possa completar...
 -E agora, mago? – Diz ele de frente para mim.
 Abro minha boca em um ângulo gigante e o engulo.
 ...  ...   ...
 Os olhos de Miboshi abrem e ele está em um lugar apenas branco e listrado de preto, ao olha tudo aquilo, escuta:
 -Agora acabou, filho de Suboshi...
 -Sim, diz ele, acabou para você, Mago! – E as mãos de Miboshi trazem uma faca ao qual ele corta o ar que é listrado branco e preto, o corte revela uma luz ao qual o ser esquálido salta...
  O Panda, cai segurando sua barriga, a sua frente, o filho Mais Amado o olha, diz:
 -Você tentou me selar dentro de você para tentar me matar, um erro, pois, agora, eu te matei... – Sorri – Veja o que fiz com sua barriga.
 O Panda olha e há um enorme selo em sua barriga. Logo, vai crescendo um enorme vazio e silêncio em seu corpo, ele vai virando madeira, não viva, mas, de pedra... E vai crescendo o frio como é aquele do medo, e vai crescendo o momento da morte do Mago...
 -Não! –Diz o Panda. Nisto, de seus olhos se lança uma brilho vermelho que ilumina tudo, uma onda de choque joga Miboshi para trás... Só que nada acontece, ao menos, ali: o Panda continua se trasnformando em árvore morta enquanto seu atacante apenas desmaiou.
 Na caverna do morto Nakagobo, ouvem-se barulhos e passos...


 Cuidando de seus ferimentos, a Máquina Bagre passa sua esponga mágica nos cortes e machucados provocados por Nakagobo ao lançar seu sangue venenoso, banhando-se no lago abaixo de toda a batalha lá de cima...
 Porém, ele puxa rapidamente uma metralhadora de um coldre em suas costas... Não é rápido o bastante e é acertado por uma coisa áspera... Ele choca-se em uma rocha que faz uma cachoeira. Olha para a fumaça e vê uma criatura enorme, qual uma metade é mulher e outra peixe, ou serpente – pelo tamanho da cauda... Há uma placa em seu peito, nela está escrito Ashita. Ela, segundo o documento que o Panda lera, era uma filha bastarda da Família Imperial daquele mundo  - reconhecida no final da vida por Suboshi -, ao qual tinha uma gêmea perdida Soiboshi.
 Máquina-Bagre preparou-se para o combate, retirando uma enorme faca e já ia pegar balas para a sua metralhadora quando, de repente, a fumaça do lago de água quente vai discipando e, aos pés da monstra - para a surpresa dos dois -, uma jovem se encontra. Ela tem um cabelo meio roxo e de um lado cortado, undercut, seus tênis de tecido e borracha de cor amarela e seus grandes olhos não combinam com o que carrega: uma espada-bastarda; enorme lâmina, que, no metal, está com a inscrição “Helter Skelter” – sim, o aprendiz do Panda, o que surpreende o Máquina-Bagre tanto quanto eu. Ela olha o monstro peixe e lhe diz:
 -Você irá morrer, me chamaram pra isto...
 E cai para cima da mostra que grita e desvia, batendo com a cauda e jogando a menina numa pedra. M – Bagre assustado e temendo pela garota, fica irrado e se joga com a faca presa nos dentes, dando socos na monstra que foge, afundando no lago.
 O grande peixe vê a menina que estava com a cabeça chocada na pedra... Ele estranha a falta de sangue e, quando a leva entre seus braços, percebe que ela tem engrenagenagens misturadas a um cérebro esbranquiçado... Ela é uma robô! Uma boneca! Alivia o Máquina...
 Só que, abrindo os olhos rapidamente, a menina grita:
 -Cuidado, Sr. Peixe! – O Bagre pula e vira-se, escapando de uma investida da mulher-peixe, que afunda novamente. Há um silêncio no lago... Máquina-Bagre está sobre as águas e escuta, a menina está em seu ombro, ela diz:
 -Eu sei como derrotar esta coisa... Sr. Bagre, fui chamada pelo Mestre, confia em mim?
 -Senti o cheiro do sangue do Mestre, - escuta a jovem em sua cabeça, sendo uma telepatia do peixe – se ele confia em tu, confio também!
 -Ora, um peixe precisa de uma isca, não? – E com uma piscadela, ela salta para o meio do lago. Nisto, salta a monstra e tenta acertá-la: o Máquina-Bagre carregou sua arma e atira, mas, a monstra é rápida!
 A menina salta e salta, pelas pedras e desviando da monstra que também desvia dos tiros do outro peixe. Porém, quando o lago acaba e ela tenta se virar para afundar de novo nas águas a pequena pega sua espada que tinha caído ali e fica-lhe na cauda,
      Ashita, presa, ainda vê de relance o Bagre mirar e descaregar uma carga nela, que explode em vapor... Lá se vai mais um membro dos Suboshi.
 A fumaça se dispersa enquanto a menina adolescente que nem é uma menina de verdade, talvez só uma máquina, cumprimenta o Máquina-Bagre dizendo:
- Olá, me chamo GG!
-Olá, me chamo Bagre!
 E os dois, por um momento, breve, veem que poderão ser amigos: amizade natural?

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Chorando palhaços tristes #Panda Vermelho



Depois da batalha contra Olhos-de-Espelho, o Panda vê que não está forte o bastante e resolve ir atrás da Armadura do Clã Suboshi, a antiga Arma do Senhor do Leste. Nos confins do Lugar-Nenhum, perto da Casa do Último Mandarim, lá estava esta armadura, guardada pelos quatro filhos do patriarca Suboshi:
 Kang, aquele ao qual o Panda encontrou quando chegou na erma terra de Lugar-Nenhum... Uma terra que um dia fora uma enorme primavera, que possuía moinhos de trigo, cevada e infinitas criações de mel, hoje, nem parada de naves para reabastecimento é... Uma terra triste, uma terra que chora. Este lamentar era acompanhado pela fúria de Kang, ditador maldito das poucas povoações que lá haviam, ele era um enorme centauro, armado de espadas e arcos, ele limpava todos aquelas e aqueles que não aceitavam suas ordens.
 E então, abrindo uma pequena porta de um taberna, aonde os ventos carregavam os ventos e folhagens, saiu o Panda, ele estava com seu chapéu e portava apenas uma espada – sua forma era de um homem, sua face, animalesca. O ditador Kang não temeu a besta-maga, estava a cobrar impostos dos moradores, era representante do Poder, do Estado, da Igualdade de todos forçada, logo, tinha as proteções dos governantes e antigos deuses do Leste. Parte para o golpe com seus capangas armadurados de samurais e armados de carabinas.
 Em um movimento de sorriso, o Panda corta as faces do comparsas e fica de frente para o enorme animal que se tornara o Centauro Kang. Ele branda sua espada, o outro a combate e... E... Por um momento, o sol demarca a forma de um homem lutando contra um cavalo, mesmo que os dois não fossem nem uma coisa nem outra. E, logo, a arma brande novamente e seu som é molhado, um pé de Kang cai... Mas, ele corre, ele corre e as pessoas saem de suas casas, assustadas, pois, não se imagina que o Ditador um dia cai, que um dia haja algum tipo de Justiça...
 -Você já imaginou o medo, Kang, filho de Suboshi? – Grita, o Panda.
 -Não!!!! – Corre o centauro, mancando...
 Uma das carabinas é mirada, disparada, o animal cai. Feirdo, Kang clama por sua vida. Ao qual o Panda propõe, em palavras calmas, que ele seja poupado por ele:
 -Diga, Kang, aonde morram seus irmãos?
-... Eu, eu não posso! – Grita de dor – Eles são bons... Me deram esta gente pra que eu cuidasse, não posso traí-los!
 -Não digo traição, digo que você me diz aonde estão e pronto...  – Mira o Panda na cabeça do animal...
 -Tudo bem! Tudo bem! Eles estão no Vale da Última Primavera, é um lugar fácil... É o único aonde há flores...
 -Obrigado! Agora, vou indo... – Nisto, as pessoas que estavam na pequena aldeia trazem anchinhos, facas, panelas... Vêm se aproximando...
 -Por favor! Me salva! –Diz Kang.
-Já te salvei... De mim. – O Panda parte, pegando uma das antas que os capangas montavam; porém, antes, deixa a carabina para Kang, descarregada.

 Chego numa ponte aonde não posso atravessar. Desco da minha montaria – uma anta enorme e caminho para a frágil estrutura de madeira... Parece que chegue no Vale da Última Primavera, pois, nesta terra seca e árida ao qual chamam de Mansão da Família Suboshi, localizada em Lugar-Nenhum, um confim da Galáxia conhecida, vi uma enorme cerejeira – a primeira, em quilometros.
 Meus pés tocam as finas madeiras e ouço um click, pulo, pois, pode ser uma bomba...
 -BEEEEEEEEEEEEEEhhhh – Grita a corneta. É um alarme, ao qual, do outro lado da ponte, surgem diversos soldados com baionetas. Porém, deles sai um maior, um alto, com a cara deformada por parafusos...
 -Sou Tomobo.
-Olá, Tomobo, é um dos filhos de Suboshi? –Lembro dele, do documento que li contando a história desta família, a Suboshi: o pai, patriarca e poderoso membro da Corporação Seyriuu, se viu envolvido em uma guerra enorme, ao qual lhe deu o poder sobre esta terra. Nos confins da Galáxia conhecida, Suboshi trouxe muitos colonos para escravizar sem precisar se preocupar com as leis e outros planetas invasores... Então, com escravas, ele tem 4 filhos conhecidos e mais alguns bastardos. A toda a revolta, a morte, que ele dá através de um poder misterioso, que conduz a madeira – podendo transformar até os inimigos em árvore!
 Logo, eu precisava daquele poder!
 -Sou Tomobo! Você é morto! – Tira a camisa o ser de cara deformada,  e metade dele é de robô, de metal e braço de garras, outra, humana, fraca perante a máquina, ao que parece, pelo nível de burrice deste ser...
 Mira suas garras em mim, desviarei e cravarei minhas espadas nele, claro... Corro, desviando das garras e... Elas voltam! Elas se mexem como cobras!
 Amarrado pela criatura que se diz humana, sou trazido para perto para um tipo de pistola com um feixe de luz vermelha. Tomobo ri, atira para o lado e explode uma árvore, para mostrar sua poderosa arma. Mas, armas poderosas não indicam que há um bom portador delas... Meu corpo derrete-se em uma forma plástica, rotorno a forma normal e atigo ele com um soco, ao qual, decaindo no grunido dado como um bicho, pulo em suas costas e finco minha espada...
 Ele grita, pulo para o canto da ponte, ele não está morto, nem os soldados que apontam suas armas para mim. De repente, sou amarrado pelas garras novamente e ele atirará seu raio em mim... Não há outra chance a não ser pular de encontro ao precipício – raio disparado, soldados explodem, eu giro com as garras amarradas como cordas e fecho meu punho, minha mão conduz fogo e cravo-lhe o peito... Tomobo não tinha sentimentos, mas, vi uma lágrima escorrer-lhe enquanto tirava a lâmina de minha espada de uma forma ao contrário, segurando não pelo cabo...
 Ajeito-a, e corro para um ataque final... Ele é duas partes agora... Porém, seu rosto me sorri, um riso de dentes sádicos que terminam em uma enorme explosão...
 A partir daí, apenas sombras...

 Ainda desmaiado, minha pele esta coberta de fios e catéteres... Sinto que alguém tenta roubar meu sangue...
 Ele ri, então, ri e ri... Criatura azul e de olhos amarelados, seu nome é Nakagobo, o Bebedor de Sangue Ruim.
                                                    ...       ...               ... 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Argonaútico – O último anjo #Agentes do Caos

Esta é a estória de uma coisa que ouvi antes de ir embora, antes de começar a viajar por aí e pelos outros. Sou o Panda Vermelho, o ser que recebeu a pela de djin e que a cada vez que matava alguém ou algo, tomava a coisa para si... Porém, eu sempre – desde que me tornei humano – me perguntei se isto era bom ou ruim... Quando era um ser racional, ou quando era criança, eu não tinha isto, porém, agora tenho... Mas, me perguntava se, eu fosse uma ”coisa ruim”, eu deveria ser a pior, não? Afinal, aprendo com a destruição, eu Sou a Destruição...
 Só que um dia, eu o achei... Tinha sentido algo estranho entrando numa cidade em que passava com minha Kombi, era uma vibração fraca, estranha... Desci a rua daquela cidade mineira antiga e empoeirada... Era noite, era escuro e tenebroso era o ar, típico, mas, não assustador...
 As luzes do farol vão correndo pelas esquinas e meus olhos vão acompanhando até aonde posso ver... De repente, ele está lá, desço do carro
Corro
Entrando pelas vielas escuras vou seguindo aquela coisa assustada, vejo restos de sangue no chão, vou chegando perto, mais perto, ali está ele!
...
-Então, o que é você?
O ser me pergunta. Magro, seco, de terno azul, dentes horríveis, no entanto, parece ainda meio-humano; meio-ser que me perguntava quem eu era, ao qual não liguei e perguntei:
 -Quem é você? – Ele estranhou, tinha falado comigo um inglês mal-falado, pensava que não entenderia esta língua, que tolo, é uma língua fácil, ao menos, pra minha idade.
-Meu nome é Fiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, sou um Argonaútico, uma Nave de Guerra do Clã KLKLKLK
-... Seu nome é um assobio? – Eu fiquei surpreso, nunca havia visto aquilo... A quem não sabe, aquilo não era uma simples onomatopéia, é toda uma língua antiga, uma coisa mais velha, que nem eu poderia supor o que queria dizer, o que, por consequência, quebra a coisa da minha idade que disse ali em cima.
-Sim, criatura. – Eu não estava na forma de humano, mas, de semi-humano, com minha cabeça de Panda Vermelho e pelos, mas, talvez ele estivesse mais assustado pela catana que estava a segurar embainhada ainda na mão direita.
-Meu Mestre disse que isto é língua de Anjo ou Demônio, o que você é? Pensei que estavam extintos... Desde que os Invasores tentaram dominar a Terra pela primeira vez e usaram as Máquinas Angélicas para matar a todos vocês...
-Sabes muito, muito mesmo... Quem é teu mestre? –Me perguntou a criatura-anjo.
-O Dragão Branco... Sei que você sabe que ele é um dos antigos donos das Máquinas... – O anjo, no alto de sua feiura, me olhou e comprimiu os olhos secos, ele era realmente horrível...
-Sim, eu sei.
Ficamos em silêncio, ele estava encostado numa parede, havia uma luz num poste. Tudo era frio, estava um dia frio naquelas bandas, entrava na minha pele, mesmo peluda, o que era estranho.
-O que há? Não irá tentar me matar? –Perguntei finalmente.
-Você quem está com a espada. Eu não sou idiota... Qualquer um que saiba e tenha tido os mestres que você teve, merece algum respeito...
-Mas, o que faz aqui, anjo? –Falei sorrindo para ele. Algo que sempre tinha desde que me tornei humano era metidez, um tipo de soberba ao ser obedecido deste jeito que ele fez, porém, como não fui criado com leis para reprimir isto através de caretas ou frases de auto-flagelação, era um ser metido “ao natural”.
-Eu? Bem, eu estou aqui... Na verdade – o anjo sentou num paralelepípedo na rua – eu vim para morrer...
-Como? Vocês morrem... De velhos?
-Acredite, meu caro, acredite... Poucos anjos morrem de velhos, assim como os demônios... Acho que só conheci um que havia conseguido isto, um amigo meu... Enfim, eu voltei aqui para pegar isto
Ele me mostrou um pequeno cordão, ao qual se prendia um pequeno boneco.
-Isto foi de um humano ao qual chamei de filha, uma vez... Eu tinha um problema dos anjos... Eu tenho uma síndrome, um tipo de doença que se chama: “Acorde”. Fico algumas décadas ou séculos dormindo, depois, acordo e vou ficando cada vez mais velho, mais doente... Era um tipo de defesa da espécie em alguns de nós... Pena que isto fazia com que eu perdesse meus amigos, perdesse contatos... Inclusive, acabei aqui em Varginha uma vez e fui confundido... Foi engraçado... Enfim...
-Tudo bem... – Fiquei calado, pois, a Morte era algo que não entendia muito, ao menos, nesta minha fase mais humana; virei-me, caminhando para a kombi – Vou deixar que um velho morrar em paz...
-Hey! Garoto... – Me berrou o velho.
-O que há?
-Você já ouviu uma história de alguém que esteve nos campos de batalha contra as Máquinas Angélicas? – Me disse o senhor, com esperanças... Percebi que ele tinha bigodes, era estranho, a pele seca, com bigodes...
-Ouvi do meu Mestre... Como já disse, o Dragão Branco...
-Sim, sei quem é seu mestre... Porém, o Aluno já sou o que era seu Mestre?
-Ele veio das Estrelas... Isto estaria bom, não?
-Hahahahaha – riu o velho anjo – Mas, então, você me parece um ser poderoso, porém, alguém poderoso sem curiosidade, como já vi muitas vezes na minha longa vida, não vale nada.
Fiquei um pouco com raiva, mas, ouvi ele. Falou-me o senhor que tinha ajudado, durante a Guerra há milênios atrás, um certo ser de pele muito branca... Ele não era nada mais nada menos que um dos colegas de meu mestre, ao qual morava na Índia e se chamava Vedas. Ele havia contado, como o anjo fazia para mim, sobre a história de seu povo, do por quê estava ali... Disse que, quando estivesse para morrer, que o anjo contasse também aquilo; em troca, o Vedas disse que o anjo iria sobreviver aquela guerra e até oito milênios depois, e assim, o velho ganhou a sua doença:
-Sim, foi uma idiotice... Mas, já me arrependi, viver com arrependimentos é mais difícil e tolo que aceitar o erro e continuar, mesmo que isto – lá dentro da gente – seja uma mentira... – Me disse ele, quando em contou isto.
-Então, quem é Vedas? Quem é o Mestre Dragão Branco?
-O que conto para ti, meu caro, é algo sobre muita coisa... Porém, não cabe num único dia, numa única fala... O nome da história que contarei para ti, é sobre: Wille - o Povo Azul

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Nos mares de Kumasi #Panda Vermelho

MUSIQUETA DA POSTAGEM



Enquanto olhava as ondas cintilantes do mar prateado pela poluição, meu amigo surgiu.

 -Há muita luz aqui... Não?
 -Realmente, nunca tinha visto isto... Como aconteceu toda, a luz?
 -Não sei, não me importo... Não sou como você, velho Vermelho, não ligo pra história e o Por Quê das coisas, acho mais interessante aonde elas estão... Sabe disto, meu Império não surgiria se não fosse por isto
 Vi com uma face de certo espanto, mas, tenho que me acostumar. Derrubando todo um reino, e depois vários, criando máquinas de pedra e pó, canais que davam ao deserto alguma plantação, um verde absurdo para a normal visão, meu amigo Coelho Caolho se tornara o Maior líder deste mundo; um Império sem nome, apenas uma marca semelhante com um risco branco de cima para baixo - uma marca que me lembrava assustadoramente de outro imperador, um ser que eu derrotei há séculos... Em outro mundo... Um Panda como eu, só que nunca teve uma vida –animal ou de pessoa- a não ser seu Ideal, seu Objetivo. Esta porção de terras e cabeças eram lideradas por um igual a mim, nós, que tínhamos por sorte recebido nossos poderes, estávamos perdidos, caçando cada um seu aprimoramento, sua Vontade; vestidos com nossos mantos que davam ao mesmo tempo o Poder e esta Busca.
 -E os Democráticos? Como está lidando com eles? -Perguntei à ele, não via sua face pelo sol que queimava minha face, da minha forma real, mesmo que o real varie conforme à íris que é queimada, principalmente neste mundo que nem é o nosso... Eu era um panda vermelho e ele um homem de trinta anos e caolho, estas eram nossas formas, este era o nosso real.
 -Ora, sabe que meus canhões de monólitos estão dando conta disto... Aqui, sou um Príncipe, um deus pra eles... Mesmo que os greco-românicos não aceitem ainda, com suas ideias de Voto à todos os seus cidadãos, logo, cairão -O Coelho moveu sua mão, conforme mexia-se em um movimento semelhante ao reger de uma orquestra começou, lentamente e aumentando a velocidade, a brotar uma série de pontas de rocha, roxa, aumentavam as ondas e mais luz batia em meu rosto... Cerrando os olhos, percebia como aquela porção de terra que foi inundada na guerra deste mundo se assemelhava a meu amigo, denso, escondendo muito, explicando apenas o necessário... Ele é muito direto, porém, sendo isto ele guarda mais consigo que alguns que contavam muitas histórias, como se estes, se lhes fosse entregues um teclado e um papel, voltasse apenas com um parágrafo ou um poema, mas, claro, nunca generalizo nada, sobre minha contemplação da terra, disse:
 -Você sabe que sou direto, vamos parar de falar de mim... Temos que completar seu treinamento aqui...
 -Okay...
 As pontas se levantaram até que se mostrassem como entrelaçadas, uma sequência de pontes de pedra rocha entrelaçada, com algas e uma placa de metal enorme, as letras eram um antigo dialeto Ashanti, lá dizia...... Algo como ironia: "Messias", achei interessante, mas deixei de lado, pois sabia que o Caolho não explicaria nada. Entrando na enorme estrutura de pedra, em cada passo, ia me transformando, a pele de pelo ia virando armadura de aço, o tronco ia crescendo e ficando reto, uma capa vermelha saiu desta pesada couraça que crescia, retirei de um bolso no tecido meu elmo, mas antes de colocá-lo, deste capacete de metal tirei - como uma cartola - uma espada; estava pronto, pesado, mas pronto.
 De repente, uma sombra pula pelas pontes de pedra, ela pula e eu não a vejo, suo. O salto me golpeia e eu quase caio, mantenho-me em pé... Não posso me mover muito, tenho que me mover precisamente. Ele vem de novo
            Um golpe, meu elmo cai
            Outro, a capa é destruída... Porém, a minha
            Num último voo, viro a espada em um golpe horizontal, o último...
            Talvez não houve tempo, talvez seja o final
 ...Um flash do sol batendo no meu corpo que cai, eu vejo uma menina jovem, bela de olhos azuis, quase como os mares daqui de Kumasi, os de antes... Seu cabelo é ruivo, ondulado com uma grande franja, reta, mal comportada por ser diferente do resto... O barulho da pesada couraça cai no chão e lembro das danças da tribo dela, do Norte, sua pele branca dá contraste à pele de urso-texugo que eles usam... Foi numa andança que fiz para além dos Gregos-românticos... Agora que sou humano, posso sentir isto, gostava dela...
                 Mas, não era hora. O combate chamava, minha última prova neste mundo
 Levantei com um único movimento que também foi golpe dado na sombra que me atacava, ela chocou em poeira numa rocha. Vi meu amigo com duas enormes facas de obsidiana ao invés de mãos.
 -Você resistiu a isto, amigo velho... -Sorriu e abriu sua capa, moveu de novo para o mesmo lugar e, do misterioso gesto, surge um espelho grande, ao qual ele trás minha Alicia, Alicia das Brumas... Atravessa como água aquele reflexo que pra mim é muito real...
 Seu chapéu é do urso-texugo, seu cabelo escorre pela face, o sol bate em sua pele e reflete mais que no espelho... É estranho o brilho vermelho que seu pescoço tem, é feio aos meus olhos, eu não sei... Não vejo a feiura daquele ato há muito tempo, vejo seus olhos, vejo eles ficarem vermelhos... A boca roxa, como a rocha que cobre todo o lugar, seus lábios parecem que beijaram este chão...
              É lindo, realmente... É mórbido... Ele cresce, ele me fez crescer algo que experimentei poucas vezes...
 Houve um movimento dele, outro e mais um
 Meus pés armados começaram a pisar na poça de líquido vermelho pastoso
 A espada corre seca, lâmina vesga de fúria corta o ar com minha paixonite, já não há mais nada... Ela beija o solo e por tudo sujo meus pés com algo quente, vermelho como era o seu cabelo ao sol
 Meu amigo se move para trás, só há o espelho, ele começa a atravessá-lo, sinto o fogo queimar minhas mãos, meus olhos parecem que lançam raios mesmo apenas estando cheios de lágrimas; ele não irá fugir, lanço a espada, como uma bala ela parte o espelho, há poucos centímetros, o Coelho Caolho tem olhos fixos em mim, esbugalhados... Ele está preso na roxa rocha, como se eu tivesse lhe partido a fuga, como realmente o fiz. Porém, mais quero partir, a sensação de ardor se acalma no peito, me pesa as mãos, me pesa as costas – você sente como se o mundo estivesse sobre seus ombros, no entanto, o mundo inteiro não liga pra o que carrega, pra você.
 Agarro o pescoço de Meu Amigo e retiro a espada da rocha, não há mais suor, apenas uma gota corre por minha testa, uma testa humana.
                 A arma laminada parte a ponta de rocha em que ele está, corta ao meio...
                -Acabou!
               ...Em silêncio, sinto de novo o calor deste sol... A maresia faz com que a armadura se comporte de jeito estranho, parece até que enferruja mais rápido... Ela engasga... Eu engasgo... Meu joelho cai no chão, pareço com falta de ar...
 -Acabou!
 -Eu já ouvi!! –Respondo, ainda não acreditando... Começo a me levantar, estou tremendo e a espada mais ainda
 Olho para aonde está o corpo de meu amigo... A fumaça vai saindo dos poros, até que ele inteiro evapora em uma nuvem negra... A nuvem vai subindo pro céu...
 Olho pra cima, vejo meu amigo se tornar uma tempestade. Da tempestade de nuvens negras, cai a água que lava tudo, vai pouco a pouco, com suas gotas me lavando, me recuperando um pouco...
 Para trás, mais uma vez olho, mesmo com a dificuldade de uma couraça rapidamente afetada, vejo meu amigo, na forma de um Coelho Caolho, com seu tapa-olho, sentado numa pedra...
 -Então, acabou? Só isto?... –Meu sorriso irônico é falso pra o que sinto, que agora sinto...
 -Você tinha que aprender isto, sabe muito bem...
 -...... –Olhei pra a Alicia... Parecia que o engasgo voltava...
 -Escute, a morte é o fim, porém, posso trazê-la de volta, sabe muito bem disto, ainda o corpo esta fresco...
 Com pequenos saltos ele chegou perto dela, tocou no pescoço e cauterizou o ferimento... Ele me olhou depois disto e disse:
 -Seu treinamento ainda tem mais duas lições...
 -Quais? –Lhe pergunto
 -Traga a vida dela de volta, você é o mais poderoso... Ou melhor, será... Quando jogamos os dados para decidir entre nós 7, não concordei com isto, mas, agora, sei que pode...
 A água já empoçava o sangue, eu movia-me com dificuldade... Tirei a couraça, cobri seu rosto com a capa... E, por uma questão estranha, senti algo, carinho, esperança, eu era ela e sorri... Eu nunca sorrira por aquilo...
            Beijei sua testa, seu nariz e sua boca,
           Com o manto na face
           Suas funções cardíacas foram acordadas com um choque, cauterizando cada parte danificada pela falta de oxigenação, talvez apenas perdesse os movimentos de um braço, ou da fala... Tudo muito fácil... Tudo parecia tão fácil...
 -Mas, não é, não é mesmo, meu amigo?
 -Sim, não é Coelho... Tratará ela bem?
 -Claro, você não só conseguiu aprender Vingança, algumas coisas a mais como isto do Carinho e Despedida só se aprende com Paixão...
 -Despedir? –Sorri para ele... Estava pensando nisto, enquanto a chuva acabava...
 “-Pelo Desfiladeiro do Crepúsculo, quando chegar lá, haverá uma grande nave, pegue-a e puxe a alavanca de pedra única que existe no cais, será levado pro outro mundo”, falou meu amigo. Estava em frente pra estranha forma de rocha em forma de ponta que mirava para o céu, com enormes velas de metal... Entrei e fui subindo, como uma aranha até a alavanca...
                  Antes de puxar, lebrei do nome dela... Por dentro de minhas brumas ela ainda ficaria, talvez sim ou não. Fora bom ter sentido aquilo... E segui com as instruções...
                  Puxada a alavanca, tudo é luz, sigo na direção da luz de Kumasi, por uma janela lateral, sua mar me beija, com seus olhos, em seus fechar, me despeço.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Nome da Bolha #Agentes do Caos

 hoje é segunda feira e estou sem muita coisa pra fazer no escritório
 há nove mil anos, os bárbaros tentavam sobreviver em suas cavernas e primeiras cidades, hoje, nós tentamos nos proteger de nós mesmos... Nunca vou entender como cheguei neste ponto... Um ser sensível demais com a própria vida e intolerante com a dos outros...
 Sentado em um banco de praça, minha cabeça de bolha não coça... Literalmente, a fina faixa de água esta sobre um pescoço vazio, o terno completa o traje. Você, o leitor, não tem como imaginar... Gosta de histórias que falem a sua língua, que mantenham você aquecido na fogueira de um dia escuro de inverno... Infelizmente, todo o dia e toda a hora que corre até que a minha bolha na cabeça exploda e eu desapareça -desmaiando no meio da rua, enquanto vou para o trabalho - será exercida para ir contra isto...
 Meu nome, bem, é ninguém... Na metade de nosso século, com as Crises Sociais, houve uma série de rebeliões e guerras biológicas e atômicas nas enormes favelas e cidades de aço e bronze, o mundo foi pintado de cinza e vermelho, o pó verde matou meus filhos e meu pai, eu fiquei vivo, depois que minha baioneta calou muitos de seus netos e filhos... Então, entrei para o Programa K.A.O.S, do senhor  Reiza-Fu, um milionário oriental... Congelaram uma imagem de minha mente, agora não sofro mais, fui reanimado numa bolha, meu corpo é uma sombra, minha língua não existe... Não falo, não me expresso... Apenas o trabalho me define, o pensamento de Classes esta ao extremo... Não preciso mais nada que o meu trabalho, o Homem com Valor é aquele com o Trabalho dentro de Sua Classe, só isto... Todo o resto, fora apagado, o mundo é agora igual e bom, pois não conhecemos o que é o mal.
 Parece filosófico, mas, não há nada o que fazer quando não se pode expressar além de pensar - e filosofar. É hora de ficar calado, pois o horário de almoço acabou, vou para o elevador no prédio à frente do parque, minha bolha treme, subindo para o 6º andar, na sala 66, ali esta a Repartição de Assuntos do Ciberespaço número 333, mas, não fazemos nada além de escrever dados...
 Uma cidade inteira nisto, corpos mortos, apenas bolhas nas cabeças... Nossa materialidade esta em escrever e repetir o que o Povo do Passado, vocês, fizeram, nossas ideias, permanecem conosco, presas em nossas bolhas, guardadas para nós, pois estamos tão inseridos no Sistema, na Classe das Bolhas, que não conseguimos falar sobre nada além de algum "ploc, ploc!".
 Minha vida fora boa antes, agora, ela é normal... Nada de mais... Olho para o computador com uma tela fundida a um teclado de touch screen, parece uma vírgula, nunca erro uma digitação, pois a máquina me corrige sempre. Nunca errar, pois nunca se tenta fazer nada além do normal, aí está a humanidade desta bolha que vos fala...
 Leio e digito algo... É uma palavra estranha, não é nem Amor, Liberdade ou Fraternidade; assim como não tem nada haver com divindade ou razão... Apenas um pequeno trecho de um livro antigo, da metade 1500 da Era Cristã... Sobre um cavaleiro, seja lá o que isto for...
                  Escrevo, falo a pequena palavra...
 Todas as outras bolhas me olham, eu sei disto. Quando começo a ditar a frase, o pequeno conjunto de caracteres vai tomando o ar de silêncio sepulcral e, de repente, vai tomando conta um medo coletivo, levantam-se os outros e cada um, muito trêmulo, segura um material de escritório...
 Um gordo, ao qual almoço sempre, me acerta no braço... Quase sou furado, mas com meu susto e o ataque dele, todos em mim se aglutinam... Correm para cima de mim e eu corro -como bom humano-, na direção contrária...
 Sigo pelas vielas escuras e mofadas, por becos feitos pelos biombos em que trabalhamos... Minha corrida é cega... Pois, nunca correra de algo, nunca tivera por que correr e temer, estava em um mundo perfeito, sem medo e dor, era uma bolha
                   Bem, eu era...  Na corrida pelas escadas e para pegar o elevador no outro andar, encontro mais atacantes, o aviso fora dado, via as telas que todos olham
 Estou sendo caçado, pelo quê? Por ser diferente...
 Correndo contra o tempo e contra todos... Sem fé e com medo, começo a sentir a minha cabeça de bolha flamejar... Nada faz sentido, pois nada esta em um Sistema... Tudo esta... Esta na minha cabeça, cabeça de bolha!
 Pela praça em frente ao prédio, uma multidão de seres bolha caçam a minha cabeça... As novas ideias fervem em minha mente... Não posso aguentar!!
 Vejo alguém na minha frente... Seria uma alegoria desta história maluca? Um Panda Vermelho, de terno, e meio humanoide, ele talvez sempre estivesse ali, eu que nunca o vira... Ele sorri para mim e diz;
 -Não posso te salvar, mas, sou o teu alter-ego... Uma pequena máscara que te protege deste sol... Você tem um nome agora, chama-se Soad, ou, na minha língua, sabão... Limpe esta sua cara e derrote-os, você é apenas uma frágil bolha, é um mortal, tão fraco e tão simples de abater que apenas dentro de sua bolha considerou-se imortal... Mesmo sem emoção alguma, sem palavra alguma, o seu pensar, se achar importante em algum Sistema ou algo do gênero o fez pensar que sua vida não teria fim, pois tinha que vencer algo ou alguém... Ela tem, é agora... E o que fez antes da bolha explodir?
 ... ... ... ... ...
 -Soad...
                Ploc!
 A bolha tremeu e explodiu... A pressão fora muito grande, era algo demais para qualquer um...
 O corpo caiu e a multidão atrás do "revoltoso" parou, estavam portando todo o tipo de coisa, mas nada tentaram fazer para o corpo que cai... Pararam e voltaram para suas vidas, para o seu escrever eterno...
 O sol batia face do Panda Vermelho, seus grandes dentes a mostra em uma cabeça desproporcional ao corpo humanoide brilharam com o pôr do sol - ele ficara por horas ali, observando a "capa" morta do antigo ser bolha. Disse;
 -Escolheu bem até, escolheu ter um nome... -E desapareceu na sombra da Cidade
 Da Cidade das Bolhas, a mais frágil e mais poderosa de um Sistema de Classes de bolhas
 Apenas uma Bolha que teve um nome.



MUSIQUETA DA POSTAGEM

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

O monstro dentro/embaixo da xícara de café #Agentes do Caos

cotidiano de citadinos e rurais, sempre há uma boa peça de trigo cozido e bebida quente
não que você ligue, nem que eu ligue
porém, eis que o vapor doce que subiu no meu café hoje de manhã me dera uma ideia
-Olhar por baixo da xícara! -Exclamei, nada minha mãe entendeu... Ela não sabia...
 Sob a peça de louça plástica, encontrei um mundo estranho, cheio de cores e formas; nada uso de alucinógeno e o que conto é verdade, a Verdade
 Veramente que dentro do café que bebi poderiam estar algumas  moscas e alguma formiga, dado minha pouca prática na lavagem de louças e outras nobrezas de utensílios de cozinha;
 Dentro da xícara nada havia, como eu; só bebi o café e por baixo dela se abriu um pequeno orifício ao qual arrombei -minha mãe saíra para o banho, pois logo iria trabalhar, assim, tive a Oportunidade, nada viu!
 Dentro daquele buraco vi um mundo em uma casa de paredes amarelas, cheias de graça e beleza, se velho você fosse assim acharia, porém, não "era" velho, era um patife novo e ainda não criado sobre "as leis"
entrando pelos corredores iluminados da casa, cheios de um cheiro que parecia muito com meu café -não riam!. Na porta lateral, saindo para um campo de mato azul, lá havia, saltitante e interessante coelho branco, uma linda loira de franja que com pequena sainha me olhava... Corri à ela... Corri muito, ela era rápida e logo me vi em uma floresta de louça, como se fosse aquela que lavara muito mal sempre...
                       Perceber que se está sonhando é sempre muito chato, no entanto, não estava sonhando, estava calmo e olhando fixamente para ela quando , mais que de repente, sou acertado por um ogro cinza e feio... Um dos meus colegas Caóticos, ao qual retribuí com um soco...
 Sem esperança de vencê-lo: ele era um gigante! Ora! Torci por acordar logo... Mas, a mulher logo me cortou no braço com uma navalha, a dor e depois as cordas retardaram minha ação de fuga pelo despertar
 -O que fazer agora? -Era a grande questão... Numa fortaleza de louça, frágil e fina, lá estava um homem quebrado e caído, tentando vencer um enorme monstro e a lembrança de uma lebre que fugira e deixara-o ali, para os lobos!
 O Caos é algo estranho, principalmente quando você aceita ele... Olhei para o lado e vi o maldito Panda Vermelho, ele me olhou e perguntou:
 -Você sabe que posso ajudá-lo, deixe que eu derrube o grandalhão e você poderá resolver com a coelha...
 -...Qual a garantia?
 -Nenhuma, nunca teve com nada na vida a não ser a esperança e fé, precisa de algo mais? Homem?
 -......Sim, quero que isto não seja uma sonho, terminar com meus assuntos com eles! Terminar isto em mim!
 Foi na manhã chuvosa, o casal estava num mar amarelo, parecia mijo... E deveria ser mesmo. Perto, um barco para alguma ida para algum lugar. Enfim, lá fui eu, liberto pelo Panda, levei ele até onde o ogro cinza trocava uma pedra negra com a Coelhinha...
 -Então, aqui esta o quero?! -Disse a vadia
 -Sim, é o que quer... A Cura -respondeu o traidor-, dentro da pedra há uma inscrição, aqueça ela e leia, é aonde há ajuda para...
                                  O vento assobiava, um tiro de escopeta se ouviu;
 A batalha de balas fez com que ela se escondesse, o ogro atirava com uma espingarda de dois canos serrada, poderosa, mas não pegou o Panda. Um humano era ele agora, com a máscara apenas do urso vermelho, ele se escondia e atirava -das árvores de louça, só se ouvia seus quebrares e estalares pelas balas dos gladiadores, não importo-me com isto
 Corri no encontro dela, louco, poderia tomar um tiro! Levei um na perna. Havia três ali, três Agentes: um com um no alto de um monte, outro pulou na água e o ogro traíra; maldita desvantagem! Nunca fui bom em atirar! O 38 de nada me serviu a não ser olhar na cara da cadela e dizer: "-Por quê?! Por que eu não podia viver o resto da vida com você?!!!" SÓ NÓS DOIS
 Na fúria, o dedo no gatilho, fora atrás da marquise, enquanto os três brigavam...
 Um único disparo, fora certeiro e com a certeza da cólera de um homem em SUA mulher!
 ...
 Desde então, só de flashes me lembro aquele dia... Meu nariz sangrava, como sangrou várias vezes e me sentia zonzo, como zonzo fiquei várias vezes ...
 Ela, morrendo, disse:
 -Você não poderia viver comigo... Me entreguei a um monstro...
 Seu sangue era negro, assim como do ogro cinza, que vi depois; sua maldade... Não?! Era prova da traição...
 -Teu nariz... -Ela vomitava, eu olhei- Uma Cura, eu era tua cura!
 A pedra que estava na minha mão, derretera ela depois, lá estava escrito meu nome e o de minha doença... O nome do Curador lá estava... E, em segredo dentro dela, poderia finar a minha zonzeira e sangria
 ...
 Não lembro mais de nada naquele dia
 ...
 Nem pra onde foram os lutadores, se minha perna ao qual a bala atravessara estava boa, nada
 Na xícara de café eu olhei de novo, estava em casa
 sem minha Cura, sem Ela.
 O papel com a resolução do problema físico que me fazia sangrar, bem, este joguei no lixo, junto com a borra, tudo na lata de lixo... Junto comigo


 MUSIQUETA DA POSTAGEM

http://www.youtube.com/watch?v=XtsmMCIfZzI&feature=youtube_gdata_player

terça-feira, 26 de julho de 2011

Num Labirinto de Cubículos em uma terça-feira #Agentes do Caos

 Estou nos meu labirinto de cubículos, nada passa
 Lá estou a escrever coisas sobre minha história
 E o Tempo não muda nos ponteiros de meu relógio digital
 Ele nos engana enquanto passamos o dia na Rotina
 Saio quieto e agachado pelos biombos
 Ouvir a chuva de "tec tecs" que fazem meus "colegas"; lá, por dentro dos ponteiros que teimam em não mudar no meu computador, corro sem que o Grande Irmão me veja, ele se chama Jonas, tem uma máscara de baleia na cara, um cassetete na mão... Tenho que me esconder dele, lá vou eu, por dentro dos biombos, embaixo das pernas de meus colegas -até das suas, você que lê isto, estou aí!-, olho pra dentro das saias de algumas moças, não me enforquem! Sou normal em minha loucura e nas lágrimas
 ...
 Ele me viu! Jonas me vê, enquanto uma ruivinha berra... Ela se chamava Beatrix, acho que poderíamos ter saído... Droga!
 Correndo pelos corredores dos biombos, cães surgem para ajudar Jonas, a Baleia; eram dobermans que sempre me assustaram, mas, fazer o quê? Vivemos pra trabalhar. Indo e indo, vou pelas ruelas e acho a Sala do Café -a Copa-, entro e me deparo com um homem de terno estranho, ele tem a máscara de uma raposa... Ah, não, lembrei, de um Panda Vermelho...
 -Você tem duas escolhas, -Fala ele enquanto bebe o horrível café da máquina -ou você é devorado pelos cães que fiscalizam o seu trabalho nesta Companhia, ou...
 Ele tira uma arma enorme, uma pistola prateada, do terno e pergunta:
 -Sabe usar uma dessas?
 -...
 Não houve tempo, um dos cães entra na sala e agarra ele pelo pescoço, eu corro, confesso: minha coragem é igual ao meu instinto de sobrevivência, não sou herói, sou normal, e quero tentar ir pro meu compromisso... Droga!
 "Acho que ele foi estraçalhado... x(", penso e penso, me arrependo,. porém, corro ainda para as escadas, por dentro do segundo conjunto de biombos que tratam... Bem, não sei do que esta equipe trata, sei que eu nunca vi o que fazíamos... Podem me chamar de alienado, mas, como vou ser alienado se tenho que trabalhar para viver? O que é lazer senão planejar um "trabalho pra você"? Nunca entendi o por quê... Nem agora entendo...
 Cheguei na porta pras escadas, os elevadores são muito perigosos... Sobem e descem e estragam... A Companhia pode controlar eles -eles estão por todas as partes! A Grande Empresa domina tudo!
 A porta esta trancada, vejo que o pessoal me olha dos cubículos, meu amigo Tim poem a cara para fora do seu, me olha com preocupação, antes que eu consiga abrir, um dos cães acerta a cabeça dele e o vejo ali... Caído, preciso chamar uma ambulância!
 -Não, você não vai... -É o homem de terno, sentado na parede do biombo, ele pergunta:
 -Você não pode salvar a si mesmo, como acha que vai salvar alguém, pensando que tudo esta ligado a uma só causa, que tudo é ligado em alguma "força"?
 O cão pula, ele vai morrer, D'NOVO; não, o cara com máscara tira a mesma arma prateada e estoura a cabeça do cão
 -Nunca caia na mesma coisa amigo, isto é uma Ciência!
 Ele dá um chute na porta e fala:
 -Suba! Vá para o alto e avante... Tem uma amiga minha lá... Ela vai fazer uma pergunta e se você responder errado, bem, ela é uma mulher de peso...
 Subi, ou vi estrondos, um grito de baleia... Será? Só pensava que ainda não entendi o que ele quis dizer com a tal da "força"
 Dez andares, minha batata frita de cada dia fez efeito, estava quase morto... Abri a porta e dei de cara com uma gigantes gorda verde e estranha criatura...
 -Olá verme! -Me disse ela... Estava com tanto medo que nem pude lhe perguntar mais nada
 -...
 -Vou te comer idiota! Fale algo!
 Engoli seco... "-Deixe ele Gioconda!", ouvi uma voz doce, olhei e era um anjo... Não, eu não acredito em nada fora do chão, nem sobre o céu, porém, era uma garota de uns vinte e poucos anos, pequena e bochechuda, cabelos pretos e roupas brancas, e tinha asas... Asas de metal, por isto, era um anjo... UM ANJO!
 -Pergunte logo... -Disse ela
 -Você quer ajuda para sair daí?
 Minha face de incompreensão fez ela se irritar... Ela olhou para a pequena na sacada e repetiu:
 -Da sua vida, você pode ter coragem de mudar sua rotina e criar uma para si... Parando de ser um verme que culpa os outros?
 -.........
           Eu não sabia o que falar...
 Como não culpar alguém? Como admitir que minha vida pode ser ruim porque eu deixei ela assim e não uma "Força Externa", não, foi a Companhia... Isto deve ser coisa deles!
  Tomei coragem, olhei para a bela moça... Pra gorda lagartona... Suava e minha camisa tinha manchas de café e suor...
 Fiz o que qualquer um faria:
 -Não, eu não posso e...
 -Leve-o! -Disse a mulher grande
 Sorri, a anja me levaria... Eu não tive coragem, talvez eu possa voltar a minha vidinha, ou viver uma aventura, ou...
 Ela me agarra pelos braços e logo começo a ser levado pro alto, estou voando, estou indo em algo ótimo, sinto o vento na minha face
 -Pra onde vamos? -Pergunto sorrindo, imaginando motéis e explosões de champanhe Supernova...
 -Eu sou sua Morte, tolinho
 ...
 O ar em minha face, vou mergulhando, mergulhando, o vento da Queda seca minhas roupas, estou indo, indo...
 Mergulho no mar, como um caixão de madeira caindo faço o mesmo som
                                 *
 -Ele não quis?
 -Não, não quis agora... -Responde o monstro verde, Gioconda, ao amigo Panda Vermelho, que estava com o terno cheio de sangue e um cassete na mão...
 -Achei que ele aceitaria... -Diz a anja, de nome Karmem; os três observam a ambulância chegar do alto do prédio da Companhia de Lâmpadas Ideia.
 -Talvez, ele tenha que dormir por uns mil anos... Ao menos, ele era um Agente do Caos engraçado...
 -Hm, seu humor sempre me surpreende Panda -Diz Gioconda, em sorriso com dentes amarelos
 -Sabe, as vezes queria ter uma rotina como eles...
 -Como assim Karmem?
 -Bem, em que rotina você pode correr de lobos em um prédio e cair de vinte e quatro andares quebrando apenas o pé?
 Os três riram, na morbidade de uma rotina irônica



MUSIQUETA DA POSTAGEM

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Chamando um Substituto do Panda #Agentes do Caos

 Era 13 de julho de 1932
 Haviam cabeludos pela rua, outros com as escarificações, alguns com camisas coloridas xadrez, tudo muito estranho, tudo muito esquisito
 As bombas das nações se preparavam e Londres estava chamando à guerra e fazia seus moradores se esconderem em armários -em busca de outros mundos, mais mágicos, talvez-, assim como Berlin, que desejava uma Sociedade Alternativa, de Ferro e Cuspe no diferente, e Moscovo, que vingava seu Domingo Sangrento com mais sangue. Eu, com meu carro pesado e cinzento, ia para a casa da irmã Eleanor...
                       Via os jovens comemoram a Juventude, enquanto, lentamente, perdiam a capacidade de crítica, não só a comum da idade, mas também a Vontade, tudo por uma vida mais estável, mais rotineira, que construísse e não só desejasse mudança... Mas, na Utopia deles, a De Viver Para Sempre, a sua Música ao menos traria de volta a Nostalgia, quando, velho -assim como eu sou-, olharem para trás e não lembrarem de mais nada a não ser uma letra de 3 a 10 minutos, tocada na vitrola em discos de goma-laca...
 A casa era amarela e cheirava naftalina, porém, móveis conservados estavam nela, lá fui eu para dentro da sala, não haviam mordomos e estava com minha Luger na mão direita.
 -Olá, Senhor Vermelho! -Falou a senhora que fumava um grande cachimbo, 70 anos deveria ter, de robe azul, achei estranho, pois não seguia o padrão de vestimento de apresentação da época, mas, relevei isto.
 -Gostaria de pedir uma ajuda, sei quem a senhora é irmã...
 -Como assim senhor, não entendo o que diz...
 -Sei que a senhora conhece um distinto Cavaleiro Antigo, a senhora cuida dele enquanto Eles não acharam uma cura... Gostaria de ter uma conversa com ele. -Falei com ela este pequeno diálogo, logo a senhora ficou pálida e silenciosa.
                               Alguns minutos depois, disse ela:
 -Você viu? Hoje é uma festa muito interessante... Sou de um tempo de brilhantina na cabeça e vestidos floridos... Isto foi antes da Guerra, em uma época engraçada, mas, que esta longe... Em minha memória mais antiga...
 -Você... A senhora, gostaria de retornar a esta época? Se me der a chave de bronze que vi ali, sobre um prego na lareira, posso levá-la
 Uma face silenciosa, entretanto, vi a esperança
 Canos de borracha e um vidrinho verde, seringas no pequeno tubo e o líquido ia correndo para dentro da velha, logo, seus olhos ficaram verdes, ela babou, nas mãos, as chaves caíram e eu peguei
                              Subi as escadas da casa, ouvia músicas lá fora, cada casa de apresentações, cada teatro e clube, assim como "bailes de sociedade", cada segmentado e ouvindo seu som; olhei um pouco pela janela, mas, não sinto nada disto...
 Abro a porta e a luz azul do quarto me revela um senhor de barba negra sobre cobertas; tiro minha pele, revelo minha forma a ele.
 -Olá, Senhor Vermelho! -Diz o Cavaleiro Antigo -Não sabia que você era um rato, senão, teria pedido que a irmã trouxesse um pouco de queijo hoje no café, guardaria com gosto... Inclusive, aonde...
 -Ela esta bem, dormiu em sua Nostalgia, não a matei, não se preocupe, no entanto, penso que ela não voltará. - O homem olhou para a janela, percebi como estava pálido e fraco - Sobre sua colocação para comigo, não sou rato, sou um panda vermelho, evidente que não posso usar minha forma "verdadeira" nas ruas... Mesmo com os jovens bêbados de hoje.
 -Sei que você não tem Coração, Senhor Vermelho... -Disse o fraco ser ainda olhando para a janela
 -Sim, e?
 -Eu sinto isto... Por muito dominei o Coração de tudo o que é vivo e tem sangue... -Ele olhou fixamente para mim- Você não tem nada... Enquanto não tiver isto, não pode considerar Nos vencer...
 -Você é um Agente, não é senhor? Sabe o por quê vim aqui?
 -Sei que você esta procurando alguém para substituí-lo, evidente, que eu não poderia fazer isto, minha doença no sangue e meu desejo por ser um dos Agentes não me deixa em condições... Porém, ainda estou curioso do por quê de sua visita...
 -Você possui uma Pedra, com ela, posso extrair uma fórmula que ajudaria a escolher meu substituto...
 -A Turmalina Negra? Você ainda tem que encon...
 -Já fiz isto, - A face do Cavaleiro Antigo se espanta - porém, para que ela abra, necessito de um som, estas antigas trancas sonoras criadas por Da Vinci necessitam de uma palavra, creio que, seria a única que não descobri de sua vida...
 -Hahahaha! Você não é tão bom assim!
 Logo, ouvi outros vindo, coloquei pequenos sinos na rua, que só disparariam quando mais Deles chegassem. O velho guerreiro percebeu minha agitação e disse:
 -Você tem um pouco daquele líquido verde? O da nostalgia?
 -O nome...
 -A Nostalgia...
 Coloquei em seu café, que por sinal cheirava como azedo, ele bebeu e disse:
 -Obrigado, acho que as vezes precisamos de um pouco disto...
 Não havia tempo, não poderia arrumar confusão ali, não era lógico, no meio de tantas pessoas, que poderiam ser aliados, ou inimigos...
 O velho escreve em um papel, era grego, mas pude entender. Três armados sobem as escadas e eu abro a janela.
 -Até breve, Senhor Vermelho!
 -Adeus, Senhor Sallazar!
 Disse me despedindo e pulei da janela para o telhado, abriram a porta e tentaram me atirar, corri.
 ...
 Corri até me cansar, estava próximo a Estação Norte, peguei o trem, no bolso do paletó -já vestido de humano- vi se a Pedra não tinha caído
 E pela Nostalgia, consegui seguir com a procura de um Substituto; "Continuei pelo que vivemos", interessante preposição que tive sobre este trabalho



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domingo, 15 de maio de 2011

O Panda Vermelho: Vermelho Sangue

 "Monte Kailash, quatro lados, orientados pela bússola, lá deve encontrar o que procura!"
 Segui as pistas, fui subindo as vielas mortas entre as montanhas tibetanas, a cadeia se ergue por muitos quilômetros, porém é ali, neste monte, que devo encontrar o "eixo do mundo"... Minha razão de existir é descobrir sobre um antigo mestre meu, um Panda Vermelho... Lá, no topo da morada de deus, escalei, me escondendo dos crentes que ficariam ofendidos por eu tentar realizar minha crença; é normal, defendemos o que cremos.
 Em um entroncamento, próximo a nascente de um dos quatro rios que saem desta montanha... Lá esta, numa simples caixa de madeira, na vista de todos, a história de Panda Vermelho... Abri, esta em língua antiga da China, posso lê-la... Conta que:
 "Nos tempos em que os grandes generais pereciam nas mãos dos khans, um dos seus generais, um dos mais lembrados, forte e poderoso, existia ali, seu nome era Pahãra [a Montanha em hindu], mortal e vil, suas mãos trouxeram a morte para muitos dos nossos, ele vinha do Sul, do Ganges, seu nome e sua fama eram de lá, assim como de seu rival, Lãla [o Vermelho], diferiam como água se difere em essência da terra, porém, trabalhavam juntos por uma coexistência do mundo, assim como os elementos, eles eram o do Exército do Khan, o Primeiro, nele estavam desde a morte deste e da vida do filho, o Segundo, que vencera as Muralhas que colocamos ao Norte, estavam em nossas portas a Cidade Sagrada cairia sobre as mãos deles, eu vi isto quase acontecer, por jogo do destino, nada houve
 Toda esta graça nos foi dada por um antigo erro que muitos destes ditos "novos senhores" se dão a fazer, eles presumiram que venceriam o Grande Panda da Montanha, aquele que vive na Cordilheira do Céu, guardado por uma montanha de bambus, dais quais forja espadas que vertem em mil direções!
 Mas, antes de prosseguir, com o relato da derrota dos generais Khans, parto para contar nossa humilhante derrota na cidade de Baotou, nas margens do rio Amarelo, lá, onde a água brilha ao lodo, as espadas soaram e os combates começaram. Dois dias de batalha e nossas tropas não caíram, sobre as mãos do imortal Léi Bì [Braço de Trovão] nós resistimos! Ele invocara as forças de duas montanhas, desviou rios, suas espada cantante cortava até o espírito de nossos atacantes, fazendo deles, descarnados do ciclo de vida e morte!
 Mas, eis que da neblina do terceiro dia, cai sobre as tropas as forças de ninguém menos que Lãla, todos os nossos se assustam, nunca viram tal demônio! Em sua face, um urso vermelho residia, coberto de pelos e com espada ecoante, barrou o avanço de nossos dois mil de infantaria apenas com quinhentos cavaleiros! Usou terreno e trincheiras, assustou vários de nossos comandantes -menos Léi Bì-, pois fez disto boa coisa para suas montarias, corriam eles pelos vãos e cortavam todos os nossos, pulavam por rampas e começavam massacres: perdemos mil e quinhentos nisto, eles, pouco mais de cem!
 Depois, vieram muitos mais, o próprio Khan vinha para aquelas paragens, com ele, o segundo general, A Montanha Pahãra, muitos soldados vinham para lá... Apenas Léi Bì acreditou na vitória depois daquele dia! Como foi com vontade! Derrubaram, num combate até o meio dia, quase todas as forças do general Lãla, o momento e a força dos dois era tão grande, que apenas os dois, de um grupo de centenas, ficara, num círculo do corpos, os dois desembainharam as espadas por uma ultima vez, combateram como deuses, uma lenda contra o mal, Léi Bì cortou Lãla, ele caiu, numa trincheira
 Era último golpe, respiração do vento respirava com nosso mestre! Ele pulou, e de sua espada raios saíram! Golpeou o demônio na face! Qual foi a surpresa, este se levantou, segurando pelas presas a arma, jogou o Imortal na água do rio Amarelo, moveu a mão e, com diabrura, subjulgou rocha enorme e lançou!
 Nosso herói, moveu também e, com as Forças do Bem e Virtude, da Terra tirou o equilíbrio: jato d'água lançou e feriu o ataque, destruindo-o!
 O Monstro caiu por cima dele, deferiu ataque com o peso de sua pata, o imortal desvia e dá-lhe um chute, fica em posição e abre seus braços, conjura a força do Universo, uma mão toca a outra e faixas de pano de suas mãos se soltam, elas estão com escritos sagrados, antigos e belos!
 Na luz o raio de sol que desviam, feixe azul é produzido, o demônio se vê sendo queimado pela luz, ele então conjura, já com seu corpo quase em cinza, uma luz vermelha, a conjuração equilibra as forças de Léi Bì, com feixe supremo, supera o nosso imortal
 A terra chora, os céus se fundem em lágrimas, o demônio Lãla, poderosíssimo, agarra um dos sutras, ele o aprende, numa energia descomunal, brilha e golpeia o Mestre, ele cai, e derrotado, sem forças, aceita morte honrosa
 Nosso coração chora com ele, pois a espada do demônio Lãla corta sua cabeça, não há mais esperança..."
 ...
 Encontrei esta parte da história, a parte da fúria, agora é só achar o resto. Sim, ao que parece meu Mestre nunca teve um nome, Lãla... Assim o chamavam, Vermelho, o Panda Vermelho, no caso, Vermelho Sangue.
 Agora, é ir pro outro lado, no outro rio... Ouço sirenes, talvez me descobriram, não sei se poderei contar mais!


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sábado, 16 de abril de 2011

Um dia no banco #Agentes do Caos

 Estávamos eu e Ricardo no carro, modelo antigo, eu de tênis de pano preto, ele seduzindo... Muito amor corria por aquela cena... Como suor, lágrimas e risos. Dirigia, eu, com a metralhadora... Sempre me lembrou um "T", a forma desta arma, não sei, talvez seja o ácido. A festa, a paixão.
 *Isto foi às 9 da manhã, perto do centro.*
 Lá estou eu... Sentado no banco do banco, trinta anos de serviço hoje, segurança respeitável, de bigode branco e três netos, estou feliz, mesmo minha velha com tossinha e eu com esta dor nas costas desgramada! Arma 38 pesando, estranho, acho que é a idade... Tanto tempo de trabalho, nenhum tiro... Bom.
 *Isto foi às 10 da manhã, no Banco Rapina SA*
 Ai minha Nossa Senhora! Tenho que comprar as roupas dos meninos! Num sábado quente, chato e mormaço por tudo; eu aqui, sapato de salto, vestido vermelho, ai como esta horrível! Por que não o de bolinha! Lá vou eu, tirar meu dinheirinho do trabalho da madame, depois, calças boca de sino... Onde é que vamos parar? No meu tempo nossos bailes de formatura, quando tinha, eram com terninho e vestido e, as vezes um casaquinho! Este meu filho Ramiro! Só tá fazendo isto pra aquela safada da Ana!
 *Isto, às 10 e 15 da manhã, numa rua movimentada do centro, próximo a um banco*
 Enfim, estava eu lá: Banco Rapina SA, rua Cândido Anjo, centro, quase 10 e meia... Esperando encontrar certas pessoas que me levariam ao tal Mestre... Era minha missão, deveria cumpri-lá, encontrar o tal Panda Vermelho, eliminá-lo! Sei que era difícil, mas tinha que tentar!
 Minha barba coçava e pensei em ir embora, já há duas horas esperando, o velho guarda já me olhava estranhamente... Na pasta, nada de mais, só uma pistola e uma granada, eu era do Maio Vermelho, mas, era mais dos Agentes, deveria cumprir minha própria missão -quero liberdade destas coisas!
 De súbito, entraram dentro do banco dois caras, um maior, mal encarado, outro, menor, mais frágil... Este segundo tinha uma maleta grande, o outro, era mal educado, empurrou uma velha de vestido vermelho...
 A velha esbravejava...
 De repente, o grito: "-Isto é um assalto!", muitos gritos se seguiram, o velho pegou sua arma, o mal encarado colocara sua mão no bolso interno, tirou a pistola e liquidou o senhor... Eu abaixado e perto do antes vivo guarda, vi em sua face com grande bigode branco as manchas de sangue espalhadas... Triste...
 Pensei na arma na pasta
 O mal encarado pegara a velha que antes falava aos montes de refém, o mais frágil, sacou uma metralhadora da bolsa, gritavam por dinheiro, a atendente respondera ao pedido... A ordem, na verdade. Colocava as notas e os dois mais irritados, eu, com a pistola da pasta na cabeça: e se...
 Alarme toca, o gerente acionara, os dois bandidos são amadores, porém, viram o gerente fazer o sinal, o botão embaixo duma mesa. O frágil pula o guichê e, com olhos brilhantes, descarrega nele e em outra funcionária... Pânico.
 O seu amante mal encarado berra em reprovação: "Temos que ir! Chamamos a atenção!!!"; o outro, ainda meio desnorteado de sua chacina, demora entender, mais pega um monte de pacotes de dinheiro, o outro, também, começam a ir pra porta... Vão passar por mim, eu...
 *Cheiro de incenso no ar*
 -Olá! -Me diz com sotaque francês. Viro pra trás, pras cadeiras e me espanto: um homem com cabeça de gato preto! Terno e coletes pretos, cara de gato preto, só os olhos, isto sim, mudavam de cor... Eram cinzas.
 -Meu nome é Neuf, e sou seu contato. -Me diz o ser.
 -O quê?
 -Seu trabalho, lembra? Deveria ficar quieto... Só isto... Este é o jeito, este é o recado.
 Percebi erros.. Comecei a lembrar que há coisa no mundo que não controlamos, tudo, na verdade, não há controle, não há ninguém por aí... Há Caos? É isto? Devo me ater ao que então?
 Fiz esta pergunta a ele: "-Devo me ater ao que então?"
 Já tinha saído...
 Eu ouvi tiros, sirenes haviam tocado... Levantei calmamente, vi a cena tranquilamente, como a um filme: o frágil corria pra dentro de novo, ele chorava, a metralhadora zuniu perto da porta, ele correu mais um pouco, vi ele lateralmente... Pápápá!
 Tiros fizeram ele se contorcer, ele derrubou a arma, caía... Andou metros, até mim, caiu em meus braços, chorava... Vi o medo, vi seu erro, vi sua paixão... "-Amo Ricardo...", ouvi ele dizer... Guardas entravam, militares e civis, com suas metrancas, pedindo para sairmos...
 ...
 Engraçado, levantei, deixei ele lá, minha roupa ensanguentada... Só pensei na Mariazinha, lembrei que amei ela uma vez... Deixei minha pasta lá, com a arma, granada e papéis do grupo... Possivelmente, achariam aquilo e diriam: "Terroristas", meu amigos estavam ferrados... Eu seria perseguidos pelos dois lados... Mas, e daí, estava aéreo naquele instante, estava muito estranho... Acho que descobrira algo, e não era a roda...
 A liberdade, enquanto passava pelos corpos da velha e do mal encarado, era estranha, cada um tem uma história e cada um se perde nela, como uma ópera trágica e estúpida, uma comédia pros outros... Caminhamos por ali e acolá, sem muito o que fazer a não ser caminhar...
 Eu segui a rua, caminhando, triste pelas perdas, na verdade, feliz, por não me perder... Ao menos, não perder o meu corpo...
 "E as metralhadoras cantaram", como ouvi uma vez.


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sábado, 5 de fevereiro de 2011

"In hoc signo vinces" #Agentes do Caos

"IN HOC SIGNO VINCES"
 O repórter Francis escreveu em suas palavras da 140, uma famosa rede social cibernética dos anos 70. Era menção a frase de Mílvia, quando ela derrotou seu irmão na Ponte D'Constante no séc.IV, ela significa: "Sobre esta marca vencerás", pois nos escudos da general estavam as marcas da Forca, símbolo duma fé esquecida de nosso mundo; a fé move montanhas, mas quem as move sempre serão mãos humanas.
 Algo que não parava de pensar enquanto era arrastado pelo corredor da Casa Real, sede do governo de Dom Afonso; como era um membro ligado à Corte, deveria ser morto pelo próprio rei ou o seu Juiz-Mor, com o uso de uma espada montante, aquelas gigantes que os antigos cavaleiros utilizavam, mesmo sendo um mero barbeiro... Teria esta honra...¬¬'' Tsctsc. 
 Fato é que minha pena de morte só existe nas dependências desta casa, isto porque a pena de morte foi abolida na Lusitânia, desde que o povo vota em primeiro-ministros e legisladores... Mas, eu estava em outro território, era a Casa Real, um lugar que mantinha independência das "leis do mundo mortal" -como falavam. Estava ferrado; ah, meu nome é Helter Skelter.
 Frio, chovia, era agosto. As luzes fracas nos vitrais me deprimiam ainda mais, na verdade, depressão foi algo que sempre me acompanhou pela vida, como não acreditava em nada pós-morte, então sabia que lá ela não me acompanharia... Que coisa feliz!
 Ouvi um zumbido fino, sabia o que era; o guarda do lado caiu, o outro, assustado, ainda viu seu peito estourar com o tiro de fuzil, droga, o sangue dele sujou minha cara. Só pra constar, estava paraplégico neste tempo, por isto me arrastaram até o Salão Real. Estourou o vidro, entrou um velho amigo: São Denis, um corpo de velho, na cabeça um escafandro, nas costas, um fuzil ainda com fumaça saindo pela ponta; levantou-me e disse um: "-Salut!", meu francês foi sempre ruim, mas consegui retribuir o "oi" e logo saímos dali. Ah, sim! Claro que outros guardas apareceram, mas Denis acertava-os com uma faca, ou usava a pistola com silenciador.
 9 agosto de 1988: Jornal O Pisão -um dos maiores concorrentes do The Wall Floyd bretão, também tinha o nome de Le Pesata, The Stomp e Quebra Tu Cara, se alguém se interessar em comprar.
 Bem, algumas notícias sobre a União Sovieta saindo da crise, mas com uma estranha Peste nas terras do Oeste (plano 122 dos Agentes do Caos, quem cuidava dele era o Desmorto e seus amigos), time da Bulgária ganha a Copa de Futebol (plano 899, uns caras da Confederação de Futebol trapassearam, logo cairiam e levariam um caos a confiança nos jogos oficiais), homem de 45anos, desempregado, encontra 5milhões em libras de Bretan em ouro numa arca no quintal de casa (plano 456, "Roda da Fortuna"), Dom Afonso e sua Guarda Real caçam o conspirador Helter Skelter depois de uma ousada fuga ontem, da Casa Real... Olha, sou eu!!
 ...Bem, ao que tudo indica para vocês eu sou um Agente do Caos que queria matar D. Afonso... Não.
 Sei dos planos porque a muito tempo investigo os Agentes, sou um tipo de discípulo dum tal Panda Vermelho. Não sou justiceiro nem herói, fui envolvido nisto e preferi fazer alguma coisa na vida para ser lembrado... Ou, ao menos, pra me livrar do tédio. Não queria matar ninguém, eu era o barbeiro real, se quisesse, poderia ter cortado a jugular do rei ou de seu filho, ou na depilação da sua mulher, mas, não o fiz...
 -Tá aqui... -Falou São Denis em sua pronúncia horrível do meu idioma. Ele colocava algumas agulhas na minhas pernas mortas; "-O remédio vai fazer efeito durante sua viagem... Não se preocupe!", me disse, já em francês, fato é que o remédio doía pra cacete... E teria que aguentá-lo até chegar em Feist, ou seja, umas 12ou15horas!! Chegando em Feist, arranjaria novas pernas lá... Usaria magia de bruxa, da pesada, mas prefiro isto a ficar sem pernas, me desculpe prof.° Xavier!
 "IN HOC SIGNO VINCES"
 Continuava na minha cabeça... A frase. "Sobre esta marca vencerás", qual era minha marca? Qual o meu legado? Bem, acho que busco isto a vida inteira... Talvez, a busca seja a minha marca, ou isto seja mais um livro de auto-ajuda do que uma história steampunk...
 O trem ia e minha perna doía. Minha missão era descobrir o infiltrado na Corte de D.Afonso e matá-lo, silenciosamente, já desconfiava de um tal Capitão Manuel Moreira; mas, dois dias depois da minha viagem descobri que São Denis estava preso e fora deportado pra Bastilha... O rei idiota estava morto, ele e sua comitiva sofreram um atentado numa viagem que ele fizera à Lisboa, seu filho e mulher, mortos... Ainda bem que Helter Skelter era um nome comum em Feist, resolvi não trocá-lo, só cortaria a barba e pintaria o cabelo de loiro, falhei na missão, mas estava vivo, é o que importa no final: manter-se vivo no Caos. 


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