Ventrículo, de seu coração Pesa ao levar a água Que compõe o meu sangue Você que se esconde nas sombras de meu ser Busco imediatamente, como procuro Palavras para descrever que: O que é original é prisioneiro de si O honesto, é livre ao mundo Corre fluído, máximo possível expresso Nesta língua que escrevo Aviva do ventrículo ao poeta Que pelo poema, se fará o mais falante da mudez que existe na palavra Que diga tudo o quanto possível Naquele que pode não ser original Mas, honesto consigo.
--- O que faz andar é aquele passo ainda não dado.
--- Enforcado na beira-da-estrada Passei por ele, condenado Eu a cavalo, a galope Ele, porto de pássaros, pendurado Livre de meus passos, preso em meus pensamentos Já dele não obtinha respostas, era mudo Surdo estava seu peito Como eu cego do que tinha feito Pensei mesmo que ele era mais livre Pois eu, preso neste terreno de possibilidades Delas, só abraçava a angústia
Condenado, ele era eu Na beira de uma estrada Me achei cavaleiro viajante Como enforcado pedante Entre Quixote e Judas
Passou-se o tempo em meus passos Já nada mais ali havia pendurado naquele poste Nem eu, meu cavalo Não saberia dizer se sonho ou não Me ver enforcado cavaleiro, errante-pendurado Sabia daquela estrada Ela ainda estava lá Era minha vida A única mantida, contida Entre cavalos e cordas
três para meus pais quatro para meus amores dois para próximos amigos mas, um, aquele que esteve sempre comigo este eu perco sempre de vista este poema para mim é mister que me faz seguir meus próprios passos
--- Quis hoje acordar atrasado Mal dormido, cheguei cedo Me doeram as costas Do continente de uma alma qualquer Ao qual meu espírito banhava, com frases Soltas
Comprei um novo All Star Ele viera sem cadarço Eu, como ele sem par Quis hoje não me apressar Terminei meu livro do Pessoa Terminei-me com a vida, com o tênis All Star Sem o cadarço Sem o laço
Quis anteontem, me matar Quando o mar não tinha sentido E amarrado eu estava no navio Me doendo por sereias de voz morta Ontem dormi pouco Mas, estava sem laço Fui achá-lo num abraço Numa portuguesa de Pessoa N'qualquer bem-estar contigo Seguindo passos com amigo
Hoje, quis me atrasar Cheguei cedo Resisti, ao medo Em aqui neste mundo estar Estado oceânico de mim mesmo Banhei o espírito na alma Navego trêmulo, porém sonâmbulo Firme, porém em dúvida Fractal, porém eu. Eu?
Geógrafo dos mapas das linhas Circunavego, o poema Alma do mundo Ascuta Estou aqui No silêncio a buscar, navegar Navegar é preciso Quis atraso, acabei por navegar
--- Cante, que reúne a estrada, pequeno infante Que já não mais trará apenas glórias Serás em devaneio, cantante A própria musa da memória? Passarei por você, Nice Em minha vela aos mares da Terra Sagrada Portarei armas contra o infiel na caminhada Mas, já agora, agora ele n'alma minha vaga Pois, estamos sobre o mesmo Deus Porém, difere a palavra Em qual Verbo cantará? Estou aqui em minhas obras, deposto a espada Lutei, morri matando Pois, sobrevivi na espreita Mesmo te olho agora, Nice Nos olhos de cada alma Na boca de Mulher feita O corpo de minha força, assim se deita Cruzado como cruzei aquela rua Em que vi teus olhos, dita feita Venha comigo, cidade Nice Tome comigo um café desta empreita Cavaleiro das doze quadras Cantar apartilhada
Olho para gente ao meu redor Vejo montanhas e oceanos Mas, vejo apenas Não sinto Há apenas matéria nessa gente Essa modernidade evoluída Foi do fora, pra dentro e diz que dentro Não há nada Não mais motivos para ser você Apenas mais um Não apenas aceitar ser pequeno Mas, ficar sendo pequeno Mínimo, calado. Em seu lugar Aceitar o que te dizem e revoltar-se Do jeito correto, naquele ou outro Caminho Te chamam de burro, vagabundo Ou romântico E deve ficar quieto Não existe eu, não há fora e dentro é aparente Tudo um jogo de espelhos, prisão ou depressão E no vale de lágrimas, a maior parte Das mesmas coisas, do mais do mesmo Você se aquieta, você apaga. Morre No deserto do que os outros dizem ser correto Errado, injusto ou até mesmo... Real Mas, o real te bate as tripas Te aparece nos momentos chave Em que heróis do cotidiano Dos feitos de pequena escala, mas de profundo toque Dependerão de você Então, o mundo cala Ele não ajuda, envergonha. O nada não serve a nada Apenas a si mesmo O falatório do meio, dos doutores, televisores Alguns amores Nada te ajudará quando o Real te demandar: -Seja agora, ou cale-se para sempre!
Pois, quanto falatório seu espírito aguenta Antes de virar um calado Pó de sapato De alguma montanha agorenta?
"A sorte favorece os audazes", li uma vez Enquanto atravessava de navio, um canal Perdido no tempo dos meus pensamentos.
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Um Quixote sem escudeiro Um homem num deserto de gente Coberto de poeira, sua preguiça do mundo Seus mestres, apenas trouxe decepção ou ranger de dentes É poeta, porém ruim É artista, porém frustrado em outros caminhos Nada tem de muito valor Nada fez de muita coisa Nada fora do mundo do básico, do discreto e até fácil Serei nada? Talvez Mas, sua obra pode ser apenas estender a mão Apenas ouvir Apenas falar o que tem de ser dito E isto, meu caro, seus diplomas e fariseus não darão A paciência O silêncio respeitoso, numa modernidade que apenas Valoriza o grito, o militar e o reagir A ajuda é necessária e a estrutura se faz Resistindo Resistindo a si mesmo, ao maremoto do mundo A fúria de si mesmo Ao abraço que aquieta a dor do outro, mesmo que por segundos Um cavaleiro não se faz apenas de espadas Mas, em andar e errar Aceitar ser errante Lutar em combate quando mesmo o espírito se fragmenta Em lágrimas Em injúrias de si contra si Continue, continue a viver Segure mais um pouco Sustente mais alguém, levante mais um caído Caia, mas, ajude Do jeito que for Se apenas puder escutar, se apenas puder caminhar com outro Faço-o E seu existir, fará sentido pra ele "Abster-se de si, enxergar o outro" Li em um escudo uma vez, num campo de batalha Sempre vindouro ----
Se eu pudesse dar um pequeno conselho de escrita, diria: não mate o seu narrador interior. Não permita que coisas como a escola (universalizada, ou em raros casos, em grupos fechados), os amigos ou pseudo-amigos, os jornais e especialistas - falsos ídolos de idoneidade, destruam a sua capacidade de ler e escrever o próprio mundo, seja por imagens ou figurinhas, cantando com a família ou discutindo com humor numa mesa de domingo, nos causos intermináveis. Sua vida será sua, ela pode ser uma prisão ou um castelo, pode viajar ou lutar em cada minuto, mas, é sua e responsabilidade sua, ser capaz de narrar a si mesmo e não escapar e deixar-se levar pelo falatório, demoníaco, de quem não tem nada haver contigo, mas, pensa saber mais ou que tem o direito de ordenar a vida, não te dar conselhos, mas, ordens.
Escrever um texto decente ou minimamente comunicativo, algo que nunca fiz direito, ou que evito reler por sempre achar incompleto - a vida é incompleta, e é bom que seja assim -, passa por esta capacidade de criar o que existe em uma dimensão nova, diferente. Não é pensamento, nem crença ou fé, é transmissão, é palavra, imagem, é agir no papel passivo para criar um despertar em quem lê. É contar a história ou estória viva, lançar das palavras todo o sangue e ossos, arrasar pelas frases sua ideia, suas memórias contidas e trabalhadas. Lutar, escrever é uma épica aventura de si mesmo para o outro.
E se você não observa ou sente o outro, nunca poderá escrever algo decente ou, até mesmo, falar algo que preste. Poderá fazer outra coisa, várias coisas, o mundo é diverso e pleno de várias atividades, porém, narrar algo, não serás capaz de fazer, talvez em outro momento, quem sabe? Quando seus olhos abrem e você vê aquilo que está fora, poderá escrever sobre o que está dentro e narrar a mínima folha caindo entre o Céu de infinitos grãos de estrelas, como a mais fantástica coisa contida do abraço de seus pais até o tempo de abraçar seus filhos, da ida a escola até a ida para o túmulo, do ver aquela pessoa até beijá-la, naquele dia, na chuva.
Escrever é narrar outro, sabendo que é você, o responsável por aquele mundo, de frases, suspiros e, quem sabe, bocejos. Narração sua, guarde-a, lute-a, faça-a.
Seu vestido amarelo estava Bonito, como um mar De estrelas Na minha cabeça Entre suas pernas Entre seus passos Via o mundo Seu vestido estava amarelado Agora Já não mais ouvia o assobio no peito Toda a vez que nos víamos
Antes, eu era o marinheiro buscando o tesouro Agora Pirata entre os rochedos, Vasculhando Sete Mares, gastando meus Cinco Anéis e todo meu ouro Aonde está a bússola que me mostrava o Norte? Aonde está o Sul?
No firmamento, já não existe mais nada E eu Agora Fiscalizava a vida alheia, nestes inúmeros perfis Nesta inúmera alegria registrada Desconfio que ela nem existiu A imagem da beleza não é da alegria Felicidade não se captura Ela usa um vestido amarelo Sorri pra você Te pergunta as horas E sai Agora, não reconheço aonde termina a luz do sol E aonde começa o meu crepúsculo
Estou amarelado Pelo tempo, desbotado Por mim, minhas próprias horas
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em dois momentos era apenas um cruzado, vagando por terras insólitas galgando a minha Fé queria encontrar Deus, mas, ele não me achava! E pela ponta de minha espada, cruzava Entre os diversos pontos daquela árida emoção um ou dois momentos de Glória
"-Não, Eduardo, você não está lá... Nunca foi um cara destes!" Engraçado, pensei que pessoas mortas não falassem "-Minha morte é entre eu e você, jamais entenderá o que é ser vivo" Talvez, talvez eu apenas esteja esperando do Céu... Como um cavaleiro "-Cale a boca!" E jamais voltei a ver aquilo de volta joguei as chaves de minha consciência em algum canto Tranquei-a com duas fechaduras Irritei algumas pessoas e dei algumas aulas Já não esperava muita coisa Apenas em dois momentos era apenas Um falido, vagando por terras insólitas Galgando a minha Fé que já não existia firme Não encontrava Deus, pois ele sempre esteve lá. Só que apenas olhava E pela ponta de minha caneta, escrevia Entre os diversos pontos daquela perdida emoção um ou dois momentos com a Glória
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-Você é muito triste e depressivo! Talvez só esteja imitando o mundo. Alegria se acha em pouca gente, estupidez, vilania e fraqueza, o tempo todo. Admitir sua mortalidade é um caminho pra se libertar Pena que a liberdade seja dolorosa e responsável por si Não mais soldados, não mais fantasmas O fogo do dragão queima a sua carne e não mais do herói... Basta trilhar e voltar agora, se ainda consegue dar alguns Passos -... Cala a boca