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domingo, 12 de agosto de 2018

Sobre os ombros



Sobre seus ombros
Estive cuidando seus passos
Mas, nunca recebi um nome
Nunca recebi nada mais, que um obrigado
Estive sempre aqui
Estive sempre lá, mesmo naqueles momentos difíceis
Naqueles secretos
Naqueles em que tudo desconheço
Pois, apenas te conheço, pequeno
Não mais, não menos que um pequeno grão de areia
Imerso em um mundo em que as pessoas
Parecem amar as trevas
Cultivar ranço
Adorar a fofoca
Mas, naquele oceano, pequeno
Veja, veja que estou em seus ombros
E você, você sempre poderá estar sobre os meus
Agora, meu filho
Agora escuta e escuta bem
Nunca te cobrei nada
Mas, o preço que tive
Foi sempre ver a lágrima tua como a última
O sorriso seu como o primeiro de muitos
E um abraço de vez em quando


Então, aquele pássaro voou
Aos altos céus
Na rapina de toda a presa de meus pesos
E lá, do Céu
Escuto aquela pequena voz, fraca
Em alguma doença manca
Alguma briga boba
Alguma piada ou trejeito engraçado
Hey
Piá
Acorda!

Sobre seus ombros


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Um abraço



O corpo de um abraço
mal-acabado, daquilo talvez que dá sobrando
Um abraço, terminado
Parece carregar o mundo consigo
enquanto dura, carrega tudo consigo
terminou o abraço, o sentido do corpo
a lembrança daquela pessoa
indo, caminhando no horizonte
de alguma luz


"Um abraço", saudação misteriosa
Mais forte que o beijo, mais quente que apenas rosas
Mais dura que a mensagem de adeus no celular
Ou aquela palavra não dita
"Um abraço", traduzido quando bem dado
Quando mesmo que restante, acumulado
A memória das boas coisas ou momentos

Sinto sua falta
Abraço
Com todos os problemas
Abraço
Com alegrias
Abraço
Mesmo não vendo a face daqueles que os damos
Cuide bem daquilo que você dá
E pra quem você dá
Pois, cultivar uma lembrança
Carrega a vida



domingo, 15 de outubro de 2017

Guerreiros Galáticos

Eu nunca vejo esta luz
Que tanto falam, que eu tive uma vez

Uma Armadura de Soldado, dos Guerreiros Galáticos
Contém um segredo, seu ponto de vida ou não
É uma pequena lamparina
Pequena fagulha acesa
Eu nunca vi a minha
Apenas vi da Elfa Felícia, da Tenente Lupina
Do Sábio dos Mil Jogos, da Irmã Perdida
E mesmo lá, agora descansando, do Coruja Insone e do Seu João
Me dizem que eu a tinha
Pequena luzinha
No espelho eu só via oceano
Soturno, profundo
Apenas isto
Jamais mais

Apenas via, não verei mais.
A última Guerra Sideral desta última lágrima jamais
Tida, em qualquer que fosse a partida
Aqui não existe lâmpada, não existe luz
Nenhuma
Assim que este Guerreiro caça pelas Galáxias
Em sua alva armadura, nada existe além
Da Luz Negra de suas próprias falácias
Memórias daqueles que tombaram
Vilão por vilão, monstro por monstro
Império por Império, dentro ou fora de sua cabeça
E da total Fraqueza de Espírito

Voa o Serafim Vico, em direção ao fogo
Na batalha contra si, já perdida.


quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Ao Capitão Emilio Limão

"Quanto viajei para estar aqui
Entre os braços do fim
Nas últimas portas do mundo

Encontrei, achei o meu próprio eu
Navegando entre o desespero
Acumulei tesouros que não precisava
Meu filho, pequeno desastre
Pareço nunca entender
Apenas o silêncio, porém, nos explica"

Meu pai, saúdo as treva que lhe guardam agora
Saúdo como aquele saúda a Tristeza
Como ela me vê de canto de olho
em cada espelho, em cada mísero espelho
Melancolia de nossas escolhas jamais feitas
Das palavras não ditas
De lágrimas que são feridas

Jamais navegando por águas que ainda estou
Jamais encontrei amigo como você
Sua barca atravessou com o guardião
Lhe deixei moedinhas
Espero que pague a conta direito
Nos braços do espírito da Curiosidade
Da História e da Arte me deixou
No respeito por cada problema que tive
Com a atitude franca e possível
De ir.

Se vire, me viro
Ainda estou tentando
Navegamos entre nós, entre nossa humanidade perdida
Nos oceanos das palavras, memórias e perdas
Adeus, meu pai
Até, capitão de sua vida!
Cuide-se, eu me cuido com algumas pessoas aqui
Descobrir cada tesouro em cada uma delas
Ensinar os caminhos da Geografia de si mesmos
Ler meus mapas está difícil sem gente como você

Navegue, permanece navegante
Que os mares jamais deixarão de te lembrar



terça-feira, 26 de setembro de 2017

Lágrima pesada

Acabei encontrando esta
Fotografia numa pasta
A madrugada, ouvindo Cartola e Nelson, 
Traz algumas coisas que pesam o coração
O coração pesado, derrama a lágrima
Que não sai mais dos meus olhos
É seco o que já não se tem mais, se
Perdeu em algum caminho de lá
Pra cá.
Até, amigo, até a próxima lembrança

Permanece enquanto eu permaneço, numa estrada de mil dias


segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Não é dia dos pais.
Sinto sua falta, sinto falta da compreensão
De ter o jeito arredio da fúria da tormenta
Que nele, os anos apaziguaram
Sinto sua falta, mas, sei que isto é fraqueza
Devo ser montanha
Pena, sou oceano
Aquilo que ensinou dos museus, do amor pela História
Da delicadeza do silêncio
Para responder as piores questões
Do tempo de um dia
Para acalmar os piores espíritos
"Só se dá valor naquilo que perde"
"Se vire"
"Ihhhhh"
Três pequenas frases das várias
Que não lembraria neste dia
Que não é dia dos pais
Aonde antes eu dava alguma calça, cinto ou gibi do Tex
Agora só dou uma certa saudade, nostalgia da velocidade
Agora só existe a tormenta
Dos céus silenciosos
Do pensamento daquele que já não é mais filho
Nem pai
O nada reside no Absurdo de alguns momentos
Que hora são o mínimo do que você precisa saber
Pra saber o que é ter seu pai
Adeus. Nunca você diz o suficiente para alguém que partiu
E nunca se deve
A vida é uma série de passos incertos
De uma dança silenciosa
De anos, momentos
E saudades