segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Sixx Valentine, a Menina Obtusa parte 1 #Agentes do Caos

 MUSIQUETA DA POSTAGEM



 Era um ângulo desajustado aquele serzinho. Não variava de mim em estatura, mas a chamava de minha pequena. Seus cabelos, longos e negros, sua franja que cobria parte da testa, me faziam passear pelos seus vales ébano - com minha boca e nariz, tocava seus pelos da cabeça e do corpo nesta viagem inebriante e quente, porém, nunca achei direito o que queria, nunca tive tempo para isto.
No entanto, isto será contado apenas depois, bem depois. Primeiro, eu, Helter Skelter, preciso contar a História, enfadonha e triste como tudo neste livro, no entanto, cheia de um mistério em cada palavra que ainda faz seu autor –ou quem quer que esteja a copiar isto daqui- a ler e reler nas noites de uma sexta-feira, buscando uma referência ou segredo para presentear os leitores mais assíduos, ou seja, os que prestam e que se conta nos dedos do pé de uma serpente.
 Pois bem, no fim do século das Revoluções, aquele que foi cheio de guerras e sangue, ideologias e depressões, ao qual poderíamos chamar de qualquer um, pois sempre tendemos a pensar que a nossa era passada foi a com maiores mudanças, e que mesmo assim -com esta questão quase que filosófica que coloquei, ou seja, sem importância - defino como o século XX. Fora numa cidade que esqueci o nome, mesmo tendo amado loucamente aquela moça... Só que à sua sombra ao qual me apaixonei não importava muito de onde vinha, só que a amasse...
 Ela tinha problemas, sim, tinha.
 Sua frase mais bela da vida era dita todo o dia de manhã, e era apenas um "-Bom dia!"
 Deixou na adolescência o cabelo crescer, na infância, não mais sabia que brincar e pular... Até que um diz, lá pelos oito, uma sombra passou pelo quarto de sua mãe, ela entrou, silenciosa a menina sapeca viu uma cena que não entendeu
 Um ser com olhos vermelhos agarrava sua pobre mãe pelos longos cabelos, em cima dela, fazia estranhos movimentos repetitivos...
 Ele se assustou e se vestiu... A menina, pequena e ainda em silêncio, ouvia sua mãe gritar... O líquido vermelho que sai de suas pernas manchava seus pequenos pés... Era inocente a criança...
 -Olá! -Disse o ser que se revelava um enorme homem com uma toalha branca como roupa, além de uma barba ruiva estranha...
 ... -Silêncio foi a resposta da pequena Valentine. Ele elevou sua mão com garras, vermelhas pelo sangue das partes da mãe, um movimento, corte preciso... A pequena garota ainda tentou correr... Sua nuca acertada tomba o corpo de apenas um metro no chão do corredor, ele vai em direção a filha, a mãe o segura -ainda "pintando" o chão com o meio das pernas -, ele a joga para o lado e dá um golpe final
                        Luz, MUITA LUZ
 ...
 O ser vai andando para trás, ele está queimado da metade do corpo para cima, os olhos estão inflamados, sua cabeça é uma ferida com pus... A janela do quarto, cai o corpo do ser maligno...
 A mãe grita, a filha em silêncio.
 Três anos depois, a mãe também está em silêncio, a casa amarela em que eles vivem está toda em silêncio.
 Até que em uma segunda, ou terça, não me lembro como ela contou... Só lembro dela dizer: "-A mãe tentou voar...", meu amor continuou, "...Só que ela não conseguiu". Um suicídio e uma ida para um orfanato, aí o cabelo dela voltou a crescer, e ela também, espichou... 
 Duas coisas ainda tenho que comentar
 Primeira, é que o ser maligno era o pai de minha querida
 Segunda, ainda mais importante, é que do pai veio uma herança, que da mãe passou para a filha, e dela, bem, nela ficou o presente, um livro de páginas negras, que assobiava histórias assustadoras, canções que a pequena Valentine ia ouvindo aos poucos, escutava assim como toda a sua família desgraçada... Mas, nela houve algo diferente...
 Cada ponta do seu dedo tinha uma grande força que crescia, cada pequena extremidade que a menina, até o cabelo negro de morte, tinha como um conto de horror; nomes, pequenos sentimentos ruins -ou que fugimos na maioria das vezes - haviam ali
 Na mão esquerda, a falta de criatividade
 Direita, a fúria
 Seios, ou peito, suspiro da paixão
 Sob os pés, a preguiça, e a procrastinação no olhar
 E embaixo de cada fio de cabelo, um pequeno ser de chama escura, um pequeno pedaço de solidão, silenciosa como a fala da menina para o mundo, silenciosa como um túmulo, como era para o mundo ... Em odesso, língua da família da menina, Sixx, seu primeiro nome, quando lhe conheci melhor
 Assim se constitui-a os poderes de Sixx Valentine, a menina de cabelos negros. Mas, não só do que podem fazer se fazem os personagens daqui, e sim do que fizeram e nunca do são realmente.
(...)

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Há última tulipa #Agentes do Caos

MUSIQUETA DA POSTAGEM

 Eram tempos difíceis, havia alguma neve no chão da cidade, a pequena cidade no País dos Moinhos. Pequenos flocos que ao respirar queimavam... Eram cinzas, não neve, agora posso ver com clareza.
 O canto das metralhadoras saboreava o sangue dos guerreiros aos ventos... Os antigos soldados dos castelos murados caíam como goiabas podres aos meus pés... Castroland, antiga terra dos reis fugidos de Holanda agora estava seca e estéril naquela guerra, não mais haviam ali as tulipas, apenas ramos mortos na terra morta... Eu fora poeta na capital, agora era um cabo qualquer, que escapava pelas trincheiras da guerra da Junta. Minha família, a ruiva Miriam, a pequena e loira Melissa e o leãozinho Marcos tinham ficado presos em um trem nas Cavernas de Ponta Grossa... E meus pés me levavam para eles, de alguma forma...
 Minha tropa marchava para lá, nossos aviões bombardiaram tudo... Meu medo de minha esposa jovem e meus gêmeos, qua há três anos iluminaram a minha vida sombria de um casamento falido, estarem todos sobre as pedras em chamas impelia meu corpo na frente da Companhia, a 27ª Companhia Armada Volante –nome bonito pra quem era escolhido para morrer na linha de frente, a bucha de canhão que antes desta maldita guerra tinha um nome e uma casa, agora, apenas uma corrente de metal identificante para ajudar na hora da ida para a lápide.
 Durante a madrugada, lá pelas 3 da manhã, chegamos na cidade... A arquitetura holandesa em chamas, nada mais das fábricas de sapatos ou de baionetas... Eu visitara com meus filhos este lugar, quando eles nasceram, há alguns anos... Só reconheci –no breu iluminado pelas chamas – o chafariz da cidade, seco, como minha esperança a cada passo dado pela fina camada de cinzas que respirava pelas narinas.
 Ouvi um berro... Isto já era de manhã, começavam os raios do sol chato do fim da primavera. Era perto de um estábulo, ou algo do gênero...
 -General!
 Minha posição de sentido foi dada com indiferença pelo homem loiro e magro, era o General Güstaf, o Ceifeiro; seu nome não era há toa, acabara de cortar com uma foice negra que partira de sua mão direita a veia do pescoço de um soldado da Junta... A sombra voltou para a sua mão, perguntei-lhe, com medo e respeito, se havia alguém vivo na Estação ali perto:
 -Não, apenas corpos queimados, a maioria eram de pessoas que estavam indo para Londinus, porém não conseguiram chegar nas fortalezas da Cidade do Norte... Nossos aviões os acertaram em cheio...
 Contive as lágrimas, ele percebeu... Não tinha medo de sua foice sombria, nem das asas de espinhos ou dos olhos escarlates que diziam que aquele demônio com o qual trabalhei – servi – seis meses possuía. Temi por outra coisa, ele parecia que se alimentava de sonhos, de ilusões, vi em seus olhos e me contavam os camaradas; meu corpo de poeta e o que restava de minha crença em espírito estavam ali, na frente de um ser muitíssimo estranho e forte...
 Me mostrou uma marca no braço, era um Corvo, disse:
 -Limpe tudo aqui, as marcas de sangue e pedras soltas... Junte tudo, os pedaços destas construções e sangue destes guerreiros trarão quem quer que queira de volta...
 E eu fui arrumando, ainda insólito era minha ação, sem vontade, ou apenas agindo.
 Cada pedra e cada mancha de sangue limpa, corpo levado para um canto, madeira posta de lado, fui colocando tudo dentro daquela pequena praça em frente ao estábulo... Tirando metralhadoras inimigas, jogando pra lá e pra cá, ia me limpando dos meus medos, da minha preocupação, lembranças boas e ruins de minha família e, finalmente, de minha esperança... O dia estava claro e estava com um sono muito pesado quando terminei, porém, era estranho: ninguém dera minha falta na Companhia, não vieram me procurar. Talvez fosse a névoa que tomava conta do lugar, deixando-o mais soturno, apesar da luz invadir os destroços e o resto de cidade que ainda havia... Ou fosse eu, que de alguma forma me desapareci
 E então caiu um livrinho no meu pé, me abaixei, peguei e tentei olhar d’onde viera, nada havia, apenas uma sombra que se moveu pela fumaça em cima da costrução que limpava, pensei em segui-la, mas antes, dei uma olhada no livro: chamava-se “Odisséia”, li o título e, como estalo, lembrei de minhas aulas de catecismo, quando aprendemos sobre os livros impuros... Este, era um deles, logo, li ele na minha adolescência com as pernas tremulas e medo de que algum professor me pegasse em tal pecado mortal; lá estava ele novamente, aquele pequeno livreto...
 Eu tinha sonhado uma vez, antes de me enveredar por poesias e constituir família, eu havia sonhado realmente... Sonhos e mais sonhos de poder e glória que as carinhas de minhas crianças haviam apagado... De certa forma, algo que tinha gostado...
 Meus olhos, por isto, pelo Desejo, pareciam brilhar de novo... Sorri com os dentes verdes e comecei a andar para alguma direção oposta a guerra, oposta àquele cemitério dos bons soldados doadores...
 -Papai! –Escuto de repente e me volto para as névoas... Lá estão eles, lá esta ela, uma coisa que chamei de família, algo que matou meus desejos carnais, porém, liberou outros –nem melhores, nem piores, apenas, diferentes, talvez...
 Seus olhos sombrios e brilhantes demonstravam que algo estava errado com aqueles seres... No entanto, sabia que era minha família, minha âncora... Dei um passo para frente, olhei-os nos olhos, vi algo que antes não admitia:
 -Me trouxe quem eu queria de volta... – Sussurrei estas palavras para mim mesmo, em um pequeno momento de suor e frio na espinha, olhando para a minha antiga mulher, filho e filha, sombras coloridas em tons de lembrança... Nada como isto: apenas pó.
 Eu me encontrara novamente, dei meia volta e deixei-os lá, apodrecendo... Meu nome agora era Ulisses e estava indo de volta para Minha Casa
 E Minha Casa era Minha Vida.
 Ao qual, pelas sombras da neblina de uma destruída Terra das Tulipas desapareci.
 Minhas últimas flores de jardim, morreram secas sem que eu as tivesse regado.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Nome da Bolha #Agentes do Caos

 hoje é segunda feira e estou sem muita coisa pra fazer no escritório
 há nove mil anos, os bárbaros tentavam sobreviver em suas cavernas e primeiras cidades, hoje, nós tentamos nos proteger de nós mesmos... Nunca vou entender como cheguei neste ponto... Um ser sensível demais com a própria vida e intolerante com a dos outros...
 Sentado em um banco de praça, minha cabeça de bolha não coça... Literalmente, a fina faixa de água esta sobre um pescoço vazio, o terno completa o traje. Você, o leitor, não tem como imaginar... Gosta de histórias que falem a sua língua, que mantenham você aquecido na fogueira de um dia escuro de inverno... Infelizmente, todo o dia e toda a hora que corre até que a minha bolha na cabeça exploda e eu desapareça -desmaiando no meio da rua, enquanto vou para o trabalho - será exercida para ir contra isto...
 Meu nome, bem, é ninguém... Na metade de nosso século, com as Crises Sociais, houve uma série de rebeliões e guerras biológicas e atômicas nas enormes favelas e cidades de aço e bronze, o mundo foi pintado de cinza e vermelho, o pó verde matou meus filhos e meu pai, eu fiquei vivo, depois que minha baioneta calou muitos de seus netos e filhos... Então, entrei para o Programa K.A.O.S, do senhor  Reiza-Fu, um milionário oriental... Congelaram uma imagem de minha mente, agora não sofro mais, fui reanimado numa bolha, meu corpo é uma sombra, minha língua não existe... Não falo, não me expresso... Apenas o trabalho me define, o pensamento de Classes esta ao extremo... Não preciso mais nada que o meu trabalho, o Homem com Valor é aquele com o Trabalho dentro de Sua Classe, só isto... Todo o resto, fora apagado, o mundo é agora igual e bom, pois não conhecemos o que é o mal.
 Parece filosófico, mas, não há nada o que fazer quando não se pode expressar além de pensar - e filosofar. É hora de ficar calado, pois o horário de almoço acabou, vou para o elevador no prédio à frente do parque, minha bolha treme, subindo para o 6º andar, na sala 66, ali esta a Repartição de Assuntos do Ciberespaço número 333, mas, não fazemos nada além de escrever dados...
 Uma cidade inteira nisto, corpos mortos, apenas bolhas nas cabeças... Nossa materialidade esta em escrever e repetir o que o Povo do Passado, vocês, fizeram, nossas ideias, permanecem conosco, presas em nossas bolhas, guardadas para nós, pois estamos tão inseridos no Sistema, na Classe das Bolhas, que não conseguimos falar sobre nada além de algum "ploc, ploc!".
 Minha vida fora boa antes, agora, ela é normal... Nada de mais... Olho para o computador com uma tela fundida a um teclado de touch screen, parece uma vírgula, nunca erro uma digitação, pois a máquina me corrige sempre. Nunca errar, pois nunca se tenta fazer nada além do normal, aí está a humanidade desta bolha que vos fala...
 Leio e digito algo... É uma palavra estranha, não é nem Amor, Liberdade ou Fraternidade; assim como não tem nada haver com divindade ou razão... Apenas um pequeno trecho de um livro antigo, da metade 1500 da Era Cristã... Sobre um cavaleiro, seja lá o que isto for...
                  Escrevo, falo a pequena palavra...
 Todas as outras bolhas me olham, eu sei disto. Quando começo a ditar a frase, o pequeno conjunto de caracteres vai tomando o ar de silêncio sepulcral e, de repente, vai tomando conta um medo coletivo, levantam-se os outros e cada um, muito trêmulo, segura um material de escritório...
 Um gordo, ao qual almoço sempre, me acerta no braço... Quase sou furado, mas com meu susto e o ataque dele, todos em mim se aglutinam... Correm para cima de mim e eu corro -como bom humano-, na direção contrária...
 Sigo pelas vielas escuras e mofadas, por becos feitos pelos biombos em que trabalhamos... Minha corrida é cega... Pois, nunca correra de algo, nunca tivera por que correr e temer, estava em um mundo perfeito, sem medo e dor, era uma bolha
                   Bem, eu era...  Na corrida pelas escadas e para pegar o elevador no outro andar, encontro mais atacantes, o aviso fora dado, via as telas que todos olham
 Estou sendo caçado, pelo quê? Por ser diferente...
 Correndo contra o tempo e contra todos... Sem fé e com medo, começo a sentir a minha cabeça de bolha flamejar... Nada faz sentido, pois nada esta em um Sistema... Tudo esta... Esta na minha cabeça, cabeça de bolha!
 Pela praça em frente ao prédio, uma multidão de seres bolha caçam a minha cabeça... As novas ideias fervem em minha mente... Não posso aguentar!!
 Vejo alguém na minha frente... Seria uma alegoria desta história maluca? Um Panda Vermelho, de terno, e meio humanoide, ele talvez sempre estivesse ali, eu que nunca o vira... Ele sorri para mim e diz;
 -Não posso te salvar, mas, sou o teu alter-ego... Uma pequena máscara que te protege deste sol... Você tem um nome agora, chama-se Soad, ou, na minha língua, sabão... Limpe esta sua cara e derrote-os, você é apenas uma frágil bolha, é um mortal, tão fraco e tão simples de abater que apenas dentro de sua bolha considerou-se imortal... Mesmo sem emoção alguma, sem palavra alguma, o seu pensar, se achar importante em algum Sistema ou algo do gênero o fez pensar que sua vida não teria fim, pois tinha que vencer algo ou alguém... Ela tem, é agora... E o que fez antes da bolha explodir?
 ... ... ... ... ...
 -Soad...
                Ploc!
 A bolha tremeu e explodiu... A pressão fora muito grande, era algo demais para qualquer um...
 O corpo caiu e a multidão atrás do "revoltoso" parou, estavam portando todo o tipo de coisa, mas nada tentaram fazer para o corpo que cai... Pararam e voltaram para suas vidas, para o seu escrever eterno...
 O sol batia face do Panda Vermelho, seus grandes dentes a mostra em uma cabeça desproporcional ao corpo humanoide brilharam com o pôr do sol - ele ficara por horas ali, observando a "capa" morta do antigo ser bolha. Disse;
 -Escolheu bem até, escolheu ter um nome... -E desapareceu na sombra da Cidade
 Da Cidade das Bolhas, a mais frágil e mais poderosa de um Sistema de Classes de bolhas
 Apenas uma Bolha que teve um nome.



MUSIQUETA DA POSTAGEM

domingo, 25 de setembro de 2011

Luz nas lentes de uma máquina refletem seu Sistema #Agentes do Caos

1897, e a prisão em que ele estava queimou; correndo enquanto a confusão se dava na cidade fria e cheia de pinheiros, ele conseguiu fugir...
 Agora, meu suspiro à vapor se dá ao mesmo tempo que olho a sua face, ele me vê e teme: treze anos depois, está de frente para um ser de metal com canos de exaustão, mesmo eu, ficaria com medo. Diz ele:
 -Por que esta aqui, Nomoté?
 -Por que você roubou aquilo, Bento? -Minhas lentes estão ofuscadas pela luz das lamparinas elétricas da rua... Não o enxergo, é uma questão de tempo até que descubra.
 -O Coração do Panda não é tão importante... É só uma pedra velha e empoeirada, pensei que não nos importássemos com este tipo de coisa, pensei que quiséssemos liberar o caos no mundo... A Contra-Arte, foi o que busquei... Meus livros, meus negócios com a Máfia Polaca, tudo isto e ainda quer me matar?
 -Você não entende... As colinas dos campos não têm mais flores, apenas olhos que nos espreitam... Há muitas coisas envolvidas, a Crise dos Orwell, a Grande Guerra no norte... Há ainda alguém querendo este Coração... Alguém que pode levantar os corpos, alguém que...
 -Quer trair? É isto? Sou seu amigo... Instalei você aqui... Me ajudou a muito tempo... E agora a traição pra mim... Não adianta, não? Nós somos apenas formigas, e você são elefantes... Defende a Liberdade, mas é só outro grupo que quer Criar um Sistema! Malditos sejam!
 -Não fale assim... Ainda há chance... Sua mulher se foi há treze anos, teu filho também, não pode fechar a mão só porque quer mais alguns trocados... -Minha voz mecânica presente algo, treme, escuto algo, pela luz, nada vejo
 A 22 canta, diz meu amigo:
 -Morte a ti! Malditos sejam os Agentes do Caos!
 A 22 canta novamente, meu antigo amigo corre, um acertou um gato que por uma cerca passava -ouvi seu "miau"- o outro, em meu braço, na parte de metal nada fez... Estava preparado. Ouço os paços, retiro o cano do bolso do casaco, a escopeta cortada sai do dispositivo da mão direita, monto, calmo, atiro
 Pá! na perna do meu outrora amigo, outro em sua bacia... Ele cambaleia... Meus tiros foram favorecidos pela minha troca de posição, sai da luz, mas vi chegar  a sua ajuda mafiosa, o carro para e sai dois, pistola e metralhadora, droga!
 "...Podemos realmente estar criando Algum Controle...", penso ao imaginar como o Novo Século nos deu poder, o Caos do Progresso nos fortaleceu, mas, alguns querem mandar... Eu recebera uma carta sem nome outro dia... Dizia que "eu devo continuar", mas, o quê? Por que o Caos e não a Paz? Será que eles são diferentes? Não somo disciplinados desde pequenos a pensar "na paz" que não nos acostumamos a "parar a guerra" quando nas portas de nossas casas ela mata nosso companheiro de colégio? Preferimos matar para que outros não nos incomodem... Temos que manter por sangue nossa própria paz... Aceitar isto, bem, acho que talvez eu tenha aceitado, enquanto levava aquela rajada de metralhadora e morria um pouco mais... Só por dentro, naquilo que minha mãe crente chamava de alma
 Desviando para uma marquise, para não levar mais tiros, vi o meu alvo entrar no carro de seus "amigos"; em um momento de fuga, os outros dois pararam, eu sai e corri, atirei naquele da pistola... Tinha que parar o carro, ele saia, mesmo acertando ainda o pescoço daquele com metralhadora... Não pararam, saíram e quase os peguei:
 -Parado! -Berrou o da pistola, mirando para a minha cabeça... Ele sangrava pela boca, me movi rápido e tirei como uma espada uma escopeta de dois canos, a faca na ponta corta a face do capanga, talvez ele tivesse filhos, mas isto não era da minha conta. O caro sai com os dois ferido e atiro... A fumaça toma conta, mas apenas destruí a parte traseira, ele ainda anda... Assim como a vigília-de-rua. Minha resposta é sair correndo.
 A corrida foi por dias, de uma pequena pensão para outra, sempre com entrada pela janela, pagando para uma prostituta alugar o quarto. Mas, não poderia deixar o tal Coração nas mãos quem me odeia, é como deixar que a ex-mulher dê o beijo por sua namorada, ou pedir pra uma gato dar comida a seu cão, porém... O por quê de meu desejo de protegê-lo era estranho... Apenas uma pedra desejada por outro, apenas um símbolo para que alguém revivesse um antigo guerreiro, eu, sendo um ser de metal e sangue por mim mesmo revivido, poderia muito bem me acostumar com alguém que compartilhasse a imortalidade comigo... Porém, não sou imortal, ao que parece, sou só mais um número no sistema...
 Em um domingo, chega uma carta sem nome que me diz: "Você é apenas um número, para outros, para quem você teme que exista... Pra que se sub julgar a um Sistema, quando ele apenas existe na sua cabeça? Pode ser um número para o seu temor, mas não o precisa ser para você mesmo". Saí do quarto, desci as escadas da vazia pensão e fui me escondendo pela rua, a algum tempo tinha o endereço, faltava-me... Faltava-me o eu.
 Entrar e subir as escadas do domingo em que todos vão pela manhã na missa... Alguém tenta me receber com alguma pistola, logo, vejo que não consegue, o que levara um tiro no pescoço n'outro dia estava com uma sacola de pão, ao qual seu sangue se misturou...
 -O que?!... -Entrei e chutei as bolas, ele caiu, meu velho amigo, jogado num canto...
 -Então... -Fala com dor, meu pé tem chapas de metal - Você quer acabar comigo? Por uma droga de pedra?!! Trair-me por Eles?!!
 -Não, não por Eles... Por mim...
 Ele viu que nada poderia fazer, apontou para uma gaveta em um móvel velho, lá estava seu Coração, num velho móvel... Abri, nada havia... Só outro entrou na sala, tirei a pistola e o recebi com uma balaço no rosto... Meu amigo foge, a única fuga que poderia:
                      Tenta voar... Mas, não é ideia, nem pássaro que caga na cabeça
 Cai de maduro, no paralelepípedo duro da cidade grossa... O frio entra em minha mente... Não consegui.
 ...
 A porta abre novamente, minha mão poderia atirar, mas não, ele tem uma máscara alongada e vermelha, se diz Um de Nós, eu acredito, ele mostra no pulso um sinal de corvo...
 -Eu falhei, veio me buscar pela minha traição?
 -Acha mesmo que Ele queria ter o Coração? Ele quer mais que Sam o leve...
 Sam, um aliado nosso estranho... Não sabia que era ele... Mas, ainda não entendia...
 -Por que matei meu amigo? Um capricho?
 -Ele não foi morto, ele quis se libertar... Sua mão parou no gatilho antes de fazer qualquer coisa...
 -Então, o que eu procuro?
 -Bem, o Coração já está ali, no espelho, veja que ele é apenas uma fina folha de prata, quebre-o e terá a pedra... -olhei para a velha peça refletora, fui até ela, ouvindo os gritos de passantes que olhavam meu amigo morto na calçada... -Achou o que queria? O que queríamos era isto...
 Por momentos, vi o rosto com a máscara refletido, virei para trás e ouvi o bater de asas de um corvo...
 O veneno da dúvida me corroeu e eu quis ser um dos que morrem anonimamente de novo, logo, percebi que, como meu amigo, apenas alguns poucos se importavam pelo que eu fazia... No fundo, estávamos todos numa Enorme Rede... Mas, e daí? Seria que o quê vi no espelho era apenas uma chapa de metal e carne, ou a minha chapa de metal e carne...
 Talvez os dois.
 Escuto o subir das escadas.



MUSIQUETA DA POSTAGEM
http://letras.terra.com.br/iggy-pop/406114/#traducao

sábado, 17 de setembro de 2011

Um último voar de borboleta #Agentes do Caos

 Ela me olhou com seus olhos de maré, novamente, estava perdido entre o ali e o aqui. Apenas os lençóis revirados e lenços cobrindo as faces na cidade Borboleta. Apenas uma chama azul corria no centro dos prédios, Azulli, a pequena com cabelos negros e franja, alguma altura, pouca massa no corpo, nada de mais, ela não soube a sua importância, nem ela, nem a nossa ciência Patafísica
 Nada como um dos dias mais escuros que já vi, um dia estranho em que a cidade de Allan Poe escurecia as suas vistas e os fluxos contínuos de carros e máquinas humanas, as pessoas da megalópole, eram as únicas que davam um pouco de lanternas àquela situação... Azulli andava por pedras lisas da grande cidade do continente sul-americano, seus pés brancos tocavam descalços o chão escuro... Tudo parecia um gigantesca globo em tons de cinza que saía do chão até o chão, logo, a única que vi foi ela, toda muito confusa, aquela era um dos seres mais impressionantes que os Agentes do Caos haviam visto, ela era um deles, talvez um dos maiores, mas não sabia disto -acabava por não conhecer a nós mesmos, como é comum-, apesar deste "erro" comum, eu não liguei, pois minha arma feita com ossos do Antigo Tubarão me deixavam invulnerável, os olhos delas em sua franja, idioticamente imortal
 Ela andava pelos subúrbios, pois pelas ruas sujas da cidade que cresceu pelo trigo, ela não tinha um quinhão do pão; sozinha, cheguei por trás, minha espada estava guardada, dentro da calça, como um pequeno alfinete... Meus dedos foram como cordas de violão tocadas em seu corpo...
     Um pequeno chamar e ela se assustou, me conhecia de algum lugar... A Máscara de Dopp, o doppelganger, me disfarçou e eu cheguei perto dela, meu nome era Denis Raven, um amigo de escola. Ela me abraçou e falou que era muito bom encontrar-me... Eu, por dentro da máscara, sorri quando ela me tocou com seu corpo branco e com alguns pontos de pelos pretos...
 Levei-a para um pequeno hotel na cidade velha, a Casbah, os tons cinzas misturavam com o amarelo e eu via sua face pálida se misturar com o vermelho cada vez que com um gracejo lançava meus tentáculos sobre Azulli. Logo, cheguei em um ponto, no 3º andar, quarto trancado e algum tempo de conversa... O ponto era aquele, chegava a hora de consumar o ato!
     Lancei minhas mãos grandes sobre ela e a coloquei de costas para mim, peguei um tubo de borracha que guardava no osso da perna direita e cravei atravessando seu corpo, saquei outro do outro membro e coloquei na outra direção, sua dor parecia não me incomodar... Fui até a cozinha e peguei uma panela, colocava alguns fios para poder gerar um transferidor, pois precisava curar ela, a garota havia explodido um bairro inteiro -foi divulgado no jornal que havia sido uma explosão de gás, um bueiro que voava pelo céu e desencadeou a situação... Eu sabia que não... Ela era um ser que em meus estudos de patafísica e de filosofia, descobri que se chamava Copo, um ser que acumulava seus sentimentos em uma timidez e um silêncio tão perturbadores, que apenas o amor - paixão poderia fazer com que fosse possível capturar sua força... Sua expressão, seu Sentir, a capacidade mais poderosa que encontrei...
           Eu, uma máquina, apenas via que nela eu poderia capturar o meu poder, mas nunca imaginei aquilo: "Ela era bela"; sou uma máquina do século XIX, sou Mach III, não deveria sentir nada... Não tinha mais que metade do meu rosto de carne que implantei dos mortos, os esquecidos por todos, ao quais os seres humanos pregam que devemos temer em tornar-se um, e igualmente tentam amar seus parentes mortos, em um contrassenso que me faz duvidar de uma das duas atitudes humanas sobre os falecidos...Eu, uma máquina, não morria, apenas continuei minha caminhada até o começo de um novo século e, novamente, começo outro...
                        Olhava pra ela no entanto, para Azulli, ela olhou com ódio por um espelho, logo, percebi que minha máscara caiu, ela já não mais parecia o que ela queria ver... Senti um arrepio... As luzes ligaram sozinhas e era dia, começou o quarto a dar saltos, rápidos, e sedentos, não sabendo eu se eram meus olhos ou algo assim, retirei a escopeta portátil de meu braço... Mirei nela, ouvi apenas em minha cabeça, como se eu dissesse a mim mesmo:
 -Não pode derrotá-la, ela acredita em você, sua crença o destrói, robô e Ser Racional, o Ser Humano Máquina.
 De repente, quatro sombras saíram de seu corpo e cresceram a minha altura, que não era pouco... Eles tinham caras de corvo e pegaram minha arma. Minhas tentativas de soltar-me foram inúteis... A mão desceu sobre minha face... Desativei
                             Desativei por um tempo, havia apenas algumas horas eu planejava conquistar a menina e conseguir sua força... Conseguir me tornar humano... Mas, a Fada Azul não recompensou esta marionete, pois, sentada em um banco, com quatro sombras ao seu lado e no seu olho a cor de dentro branco estava... Estava meu sonho... Manda a sentença a garota:
 -Você viveu para enganar, enganar-se... Viveu achando que em algum momento da vida iria se tornar um ser poderoso, pensou que poderia conseguir realizar seus sonhos... Não pode, pois ninguém sonha na verdade... São apenas memórias organizadas em sua mente... O que ocorre é o que faz com mãos e pedras, durante o tempo que esta acordado... -Ela chegou perto do meu ouvido:
                                          -Eu, Azillis, sou teu fim, pois você e suas pedras param por aqui... Sonhou mais que agiu, não usou nem a proporção 3/4 dos camundongos... Como ratinho na ratoeira, te liberto!
 O golpe na costela e eu senti o cabo de borracha entrar, o outro, eu conseguia sentir... EU SENTIA!!! Porém, estava beira da morte, não me adianta nada agora, se por fios eu tenho sangue, se por circuitos, tenho nervos... Tudo se resumi a um pequeno momento tolo...
 Os peças explodiram, quando por alguns segundos não vi mais que minha cabeça voando em um explosão... Girou, girou e girou... Havia um Parque Verde lá, olhei para cima e vi uma pequena borboleta azul voando... A Morte me beijou ali... Com sua boca fria, havia por um momento, sonhado e agido
         Agora é tarde, pois a borboleta continuou a voar e nada mais vi, a não ser sonhos.



MUSIQUETA DA POSTAGEM
http://pt.wikipedia.org/wiki/Pataf%C3%ADsica

http://www.youtube.com/watch?v=kAjl21R7yBM&feature=fvsr

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Pílulas de Vida #Agentes do Caos

 "Quando você cai de um penhasco com as asas de Ícaro, de cera, se acha a maioral, não?"

Mesmo que ela não quisesse, já sentia-se ligada ao cara, ao tal do Ulisses Joyce
 Porém, não havia muito sentido isto, pois ela voava com suas asas de metal ainda, em movimentos constantes de uma borboleta flamejante. A chama azul que emitia a sua alma infante não condizia com aquele lorde que esbanjava opulência e nunca, jamais, tinha vertido uma única lágrima de alegria... Havendo apenas conduzido seus líquidos dos olhos por motivos tristes, ou ainda, de ira. Tinha uma pele de bronze ele, ela gostava de sua barba ao sol... O que naquele tempo havia muito, pois ainda não se falava dos buracos no céu, nem dos grades tubos que vomitavam a fumaça negra que copulava com as nuvens e nos dava como infante o câncer em nossos pulmões.
 Ela, em um dia de paixão exacerbada, ao andar numa rua de Julgamento -viela suja e suada de proletários de uma fábrica próxima de barris e de piche-, cai no chão... Ela parece desorientada... Sente o cheiro do perigo e tentando correr, é agarrada por homem franzino e muito estropiado, ele a joga no chão e logo mais três se juntam a ele... Ele esta com uma cara triste, mas ainda assim, tira o pequeno vestido branco da moça e, os quatro carrascos tiram dela aquilo que ela nem ligava muito... Algo que por sua ignorância de nunca frequentar uma Escola ou Oficina de Ensino, nunca lhe fora revelado ser preciso guardar para que o marido -disposto de toda tradição e pompa deplorável- "fizesse o serviço"... Mas, nada destes Valores que sempre xingamos em tudo e todos e depois, em época próxima, acostumamos e aceitamos estava ali em discussão com aquele moça... Dor, apenas isto, dor visceral e por dentro das dobrinhas da pobre ex-moça...
 LEMBROU UMA VEZ
 ...A menina de franja cospe a pílula branca que a dei... Esta mais pálida que a fórmula que a dei, ou mesmo um céu de setembro... Os olhos negros e brilhantes me fitam, nunca percebi como eles eram profundos e me tomavam por completo... Não pensei em mais nada, peguei outra pequena pílula, agora vermelha, e dei a ela...
          *
 Passou-se alguns meses depois, logo, era uma pessoa muito magra aquela que um dia parecia um ser alado e brilhante. Quieta, a idade não correspondente em um número de anos, mas de peso das tristezas e perdas, caiu seu belo corpo em um monte de ossos e carne parca.
 Ulysses a encontra, tem um óculos redondo e uma careca crescente, porém, ainda admira a coragem dela... Ela, tentava arrumar o cabelo embaraçado, o vestido de bolinhas sujo, fora de moda... Nada tirava a sua cara de tola...
 O Maior Amor dela diz:
 -Minha querida, fora eu.
 -... - A mudez dela é profunda... O silêncio que fez assustou até mesmo a este narrador; quieto, sofrido, cada costela do corpo magro que uma vez fora belo foi pegando fogo, a pele parecia querer que o resto fosse vomitado... Porém, não foi... Ela, em silêncio
 -O que acha que podes fazer, além do ódio e a sua cobiça de Vingança? -O homem baixo e de chapéu de coco a assusta
 -Por quê?
 -Você me pergunta razões? Bem, eu deitaria com você... Entretanto, queria terminar uma história, você seria uma personagem perfeita... Acompanho teus passos e escrevi grosso romance sobre tua vida... Desculpe, nunca tive muita imaginação, logo, usei você... Fora uma simples e tão boba personagem...
 LEMBROU DUAS VEZES
 ...Ela me olhava e chorava, não aguentava mais ficar sentada naquela cadeira... Pensei em parar com aquilo, não dar a 3ª pílula, a verde e comprida... Minha instabilidade passou e ela percebeu minhas mãos suando por fora do terno... Ela aperta minha mão, com olhos ainda em lágrimas... Diz:
 -Um beijo em sua face pelos seus pensamentos... Um beijo em sua boca, para que me deixe ser o que preciso ser...
 Dei a pílula
                  *
 Dois meses, parcos dois meses num início de século em que as máquinas substituíram os homens, as ferramentas da Rede de Cobre, os cérebros, os cães, as crianças... Apesar d'eu ter um cão chamado Rufus. Neste impressionante sistema gangrenado e que parecido mal distribuído para uns, muito pouco para outros e nada pra alguns, nada como uma Prisão Municipal, e lá a ex-moça, ex-velha e agora destruída residia... Sobre as cinzas paredes e o sol escaldante de um verão chato, ela reflete sobre como acabara ali... Ela não sabe... Só lembra que uma vez tentou voar quando criança... Pois, pensava que era uma borboleta...
 Houve uma visita, no início de setembro, era o governador... Homem magro, um pouco alto, óculos redondos... Imagens que se formam, novamente, algo que se diz como esperança se alia as lembranças de uma amor rubro e sanguíneo, assim como faz suas bases sobre uma pureza branca a muito perdida... Ela o olha, sorri, o velho não a reconhece... Ela nada mais é que um farrapo humano em tempos de Terceira Peste, porém, Ulisses Joyce tem medo, algo tão visceral como fora aquele irromper da proteção do feminino dela forçadamente para o seu puro prazer... Ele não sabia o por quê, mas, tratou de fugir dali e ficou num hotel naquela noite...
 A prisão era protegida, porém, não tanto como deveria ser... Uma faca improvisada, uma pequena distração - uma presa em chamas -, tudo para que o leão saia da jaula e pegue seu domador, aquele que criara a sua Fúria.
 Descobrir o Hotel, fácil, apenas um era 5 estrelas na pequena Julgamento, algo para o crime... As mãos, os dentes, os joelhos, apenas o corpo que o demônio caído havia maculado com um plano de escrita... Um escritor que usou uma vida para ascender a altos céus e discursos para  ascender à altas cadeiras não mereceria mais que isto... "Um corpo e alma por corpo e alma, um dente por dente, literalmente", foi com este pensamento que ela achou e entrou no quarto.
 Escuro, um recinto escuro, um careca dorme e acorda... Vê um fantasma de seu passado... Este ser pavoroso a luz uma vela, diz:
 -Por quê? Porque eu te amei demais, te odiei demais... Logo, minha paixão deve ser respondida com este último beijo...
 Ela salta sobre o homem, ele, em pânico, tenta alcançar uma mesa, aonde na gaveta, um 22 pode salvá-lo, ela o abraça e beija mortalmente, mais e mais sangue se espalha... Abre-se a gaveta, a garganta já pedindo arrego... Ouve-se um estrondo
 LEMBROU TRÊS VEZES
 -...
 Fiquei sem palavras... Olhava para ela, em estado catatônico... Repeti seu nome muitas vezes:
 -Karmem! Karmem! Mily? Pode me ouvir?
 O terno suado me fazia parecer um pinguim... Nunca deveríamos ter tentado aquilo... Eu quase chorei sobre as asas de Ícaro de minha maior criação... Presas, as grandes fagulhas de metais brilhantes, nada ali fora feito por mim... O que fiz foi fabricar com ela uma grande coisa, sem nome ainda, mas que me fez lutar em diversas batalhas... Nada demais seria se ficássemos cada um com suas memórias, mas, ela me mostrou o que tinha por dentro, por cada pílula que dei, cada coisa que lembrou... Não sabia se eram dela, ela era uma criação, uma máquina que voava pelas ideias de muitos e que esbarrara por acaso com um louco.
 -Estou bem... -Ela sorri e me beija
 -O quê, ou o que é aquela mulher? Quem é Ulisses?
 -Ele, ele é o que cada um de nós poderia ter sido... Ele é o que esta em nós, muitos nomes, para a mulher e para Joyce nós temos... Os mais comuns, damos muitos valor, os mais complicados, são esquecidos...
 -Então, só foi um sonho?
 -Nada é um sonho quando se acredita que ele existiu... Assim se fez com sua vida, assim eu fiz com a minha...
 -O que existe além do que nós vemos?
 -Ora, tome a pílula e veja... Cada uma te leva a um lugar e vida específica...
 -E por que tudo pareceu com a tal mulher e o tal Ulisses?
 -Hm... -Ela sorriu e se espreguiçou, lindo e com um bom corpo, completou - Tudo as vezes é um sonho, e os sonhos não tem regras...
 Um beijo e eu tentei dormir, tentei sonhar aquela noite... Ou acordar de um sonho



MUSIQUETA DA POSTAGEM

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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Futebol, Justas e o Amante #Agentes do Caos

 Era uma triste insólita tarde de chuva em Alex-Andria, uma terra cinza em que o Partido Chauvinista tinha deixado as paredes cheias de citações anti-governamentais, o governo deles.
 Andou por alguns metros o garoto magro, sujo e cinza, nada mais se fazia naquela terra que não fosse xingar um governo ou com ele bate nos domingos nas cabeças dos membros do Partido Feminista, ou de outras coligações proibidas... Era estranho, mas o garoto de echarpe azul nada tinha a ver com aquilo... Ele sabia somente que às 11 horas da manhã o "mundo pararia"... Uma Justa entre os Lancelotes e Amadeus de Gaula se daria -um jogo muito violento e monótono, dado com onze homens (ainda havia a questão sexual nestes tempos, sendo imprópria a participação de mulheres) correndo atrás de uma bola, aonde sua meta era atingir outro defensor, que com uma espada, tentava cortar o objeto duro de couro com uma espada; era o esporte mais popular de toda a região, sendo que muitos parariam e ele poderia andar pelos becos da cidade tranquilamente, poderia buscar algo que precisava fazer... Precisava encontrar Mila...
 Ouvimos todos os gritos e gaitas... A grande final nacional aconteceria... Tudo parou, por quase uma hora e meia o mundo daquele país parou em tudo para acompanhar algo mais que um jogo, era suas vidas que estavam nos pés e mãos daqueles jogadores... O jovem cinza, porém, não se vestiu com nenhuma das cores dos times, ele até achava tudo "meio besta", mas toda a sua família, não. A jovem Mila, metida e de cabelos loiros frescos, também amava as bolas mais que o jovem cinza... Ele só caminhava para a casa dela, ele precisava mudar isto...
 O silêncio sepulcral de uma cidade, aonde, sem bares com tvs para a transmissão dos jogos naquele bairro, fazia o cinza andar e ouvir, dentro de um túmulo, as trombetas de um povo que acompanhava firmemente o balé que se dava dentro do Estádio Metropolitano... Eles amavam aquilo por aqueles 90 minutos, eles amavam e se matavam por aquela bola mal jogada, o juiz do jogo que parecia roubar pelo outro, pela cor da roupa que um torcedor usava... Era legítimo, era entendido...
                                                                  "Estava certo", a mente do  menino estava coerente a todo a massa que assiste aquela partida... Ele estava cansado como estavam os outros, ele estava querendo se libertar por um dia de sua cela diária, como eles queriam... Só que havia uma 22 em seu bolso, naquele secreto do paletó...
 Abre a porta, há um murmurinho na sala, um amigo velho levara a família ao estádio... Ela, sozinha, era "pra ele"... Aquele objeto duro e mortal era pra isto, o homem cinza queria acabar com aquilo, ele queria se libertar aprisionando ela ao seu corpo...
 Abre a porta, depois de mulo pulado, o barulho na sala se mostra... Eram gemidos, de vermelho, ela que era para estar doente pelo remedinho que o amigo, o jovem cinza, colocara em sua comida no dia anterior... Mas, ela estava bem... Ela estava bem em cima de um velho, um cara mais velho que levanta ainda com as vergonhas de fora... Ele esta assustado, o nosso protagonista, com a arma na mão, porém, parece até rir o outro, o "Ricardão"
 -QUEM É ELE?!!! -Solta o grito mais alto de sua vida, o jovem cinza armado
 -Sou um noivo, meu bem...
 -Sua puta!!! -Ele descarrega um tiro no sofá, não acerta e ela se assusta... Seu berro é de terror... O do jovem cinza se mistura a cólera... Lá fora, ouve-se uma torcida indo contra a outra
                                                   O jogo acabou, um dos times do Futebol -o nome do esporte- acabara e alguns não conseguiram aguentar a dor e resolverem descarregar sua fúria sobre outros... Da mesma forma que o jovem iria descarregar sobre o "Noivo" e Mila as balas da arminha...
 "Eu que deveria estar sobre ela... Ela é minha!", pensava antes de atirar. O movimento em direção ao homem era certeiro, porém, algo o atingiu... Nada o jovem viu... Era um violão, ele era ainda um violeiro! Isto deixou o garoto mais decepcionado... Mas, o Noivo lhe perguntou:
 -Você quer sobreviver? Você foi testado por mim... Sou um ser que "casa" almas ao qual gosto, sou um ser do caos e quero que você me responda:
 O Ela, ou você?
 A resposta seria difícil... Ouvia-se lá fora os torcedores urrando, ouvia-se o peito do jovem cinza tomando cada vez mais cor e urrando... Seu coração revivia e tomava a cor vermelha, ele saíra do feitiço que ele mesmo deu com seu amor por aquela jovem que nunca lhe respondeu... Diz ele:
 -Quero a minha vida... Por favor...
 -Ok... Porém, isto não é romântico, não sei se sabes?
 -Eu não ligo... Eu por muito fui ligado a ela, eu deveria ter gostado de um time, não sei, eu poderia ter sido mais feliz e... -Ele levanta e começaria a descrever sua sina... Entretanto, o Noivo saca um 38 e fulmina na cabeça a jovem...
                       O garoto em silêncio, engole seco... Ele teme...  Não, não é isto... Ele esta só confuso...
 O Noivo, próximo a ele, o acerta com seu instrumento, ele cai, acerta de novo e mais algumas vezes... Diz assim o ser:
 -Eu te pouparia, pois sou romântico... Admiro os fanáticos, pois deles é o Reino...
 Com o pé, ele virou o jovem, ele demorou algum tempo e foi se arrastando... Para a porta que dava para a rua... O outro se vestiu, sentou e olhou...
 O jovem chegou ao meio da rua, em uma esquina e da cada lado, as duas torcidas chegavam naquele lugar...
 -Encontro interessante, você vai encontrar com outros...
 O sangue escorria do amante... Ele tinha uma vez acreditado neste amor platônico que falam os poetas e torcedores, assim como o Noivo acreditava...
 O Agente saiu, na direção sul, sumiu num beco; o jovem cinzento se misturou a paisagem com o vermelho vivo de seu sangue... Os dois grupos, tanto do Lancelotes quanto do Amadeus de Gaula, pintaram com suas cores a rua ao qual havia sido combinada uma "batalha", ou, uma "Justa na rua"...
 Foram passando e nem viram o corpo, o jovem ficava frio, a chuva parou
 Nada de novo, só algumas paixões


 MUSIQUETA DA POSTAGEM
Pelo título...
http://www.youtube.com/watch?v=9KDmN-SiMu0&feature=related